COLUNA
Vítor Sardinha
Vítor Sardinha é escritor e tabelião no Maranhão, pós-graduado em Direito e vice-presidente do Moto Club. Assina coluna dedicada à reflexão sobre o tempo presente.
Vítor Sardinha

Quando a esperança aprende a ficar

A classificação do Rubro-Negro não é apenas um resultado, mas o triunfo da permanência de quem se recusou a desistir.

Vítor Sardinha

Quando a esperança aprende a ficar. (Divulgação)

A classificação do Moto Club para as semifinais do Campeonato Maranhense não chegou como quem impõe respeito. Chegou como quem pede licença. Discreta, construída jogo a jogo, sustentada mais pela persistência do que pela promessa. E talvez por isso seja tão significativa.

Há pouco tempo, o Rubro-Negro vivia dias em que o futuro parecia sempre adiado. As dificuldades financeiras, os bastidores apertados, o cansaço de quem ama o clube sem garantias, e tudo isso fazia do Moto um time improvável. Não por falta de história, mas por excesso de obstáculos. Ainda assim, o clube ficou. Resistiu. Não foi embora quando tudo parecia convidar à desistência.

Hoje, ao assegurar presença nas semifinais, o Moto não celebra como quem venceu tudo. Celebra como quem atravessou. Como quem sabe que chegar até aqui já exigiu mais do que muitos imaginam. A liderança, os números sólidos, o equilíbrio entre ataque e defesa são consequências, não ponto de partida.

No Maranhão, aprendemos cedo que esperança não costuma ser barulhenta. Ela mora no cotidiano, nas rotinas repetidas, nos esforços que quase ninguém vê. O futebol reflete isso. Cada treino sob o sol pesado, cada viagem difícil, cada jogo fora de casa traz consigo o mesmo espírito de quem insiste em plantar mesmo sem saber se a chuva vem.

O Moto desta fase final não é um time que se julga maior do que o campeonato. É um time que parece grato por ainda estar nele. E isso muda tudo. Há humildade nos passos, cuidado nas decisões, respeito pelo caminho que ainda falta percorrer.

Classificar-se para as semifinais não apaga as dores recentes, nem resolve tudo de uma vez. Mas oferece algo essencial: tempo. Tempo para acreditar, para organizar, para amadurecer. Tempo para que a esperança, antes frágil, aprenda a ficar.

Talvez o maior mérito desta campanha seja lembrar que o futebol, assim como a vida por aqui, não se constrói apenas com títulos, mas com permanência. Com a coragem silenciosa de continuar quando ninguém garante o final feliz.

O Moto segue. Ainda não chegou ao destino. Mas, pela primeira vez em algum tempo, caminha com serenidade. E isso, para quem conhece a própria história, já é uma vitória que merece respeito.


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