SÃO LUÍS – Estudantes do Instituto Federal do Maranhão Campus Maracanã e moradores da Vila Esperança, na zona rural de São Luís, relatam falta de ônibus na região. Sem linhas circulando dentro das comunidades, a rotina tem sido marcada por longas caminhadas, insegurança e atrasos frequentes.
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De acordo com relatos, alunos e moradores precisam percorrer cerca de 2 quilômetros até a BR-135 para tentar embarcar em algum coletivo. O trajeto, feito a pé, expõe principalmente estudantes a situações de risco, como assédio, assaltos e até acidentes.
“Temos que andar cerca de 2 km para tentar pegar um ônibus. Muitas vezes precisamos pedir transporte por aplicativo. Há alunos do ensino médio, técnico e superior esperando um micro-ônibus do IFMA, que tem horário fixo. Se perder, precisa fazer todo o percurso a pé”, relata uma estudante que preferiu não se identificar.
Ponto sem estrutura agrava situação
Vídeos enviados por estudantes mostram que o ponto de parada na região não oferece qualquer estrutura. No local, há apenas uma placa sinalizando a existência de parada de ônibus, sem abrigo, iluminação ou segurança.
Além da precariedade, a quantidade de ônibus disponível não atende à demanda. No período da noite, por exemplo, alunos que saem por volta das 18h enfrentam ainda mais dificuldades, tendo que caminhar até a rodovia. Uma estudante chegou a relatar que quase foi atropelada ao tentar atravessar a via.
Veículos precários e superlotação
Os relatos também apontam problemas nas condições dos ônibus que atendiam a região. Segundo estudantes, os veículos eram antigos e apresentavam falhas frequentes, incluindo vidros quebrados e até registros de incêndio.
“Os piores ônibus sempre foram colocados para a Vila Esperança. Agora, nem isso tem”, afirma outra aluna.
Em bairros próximos, como Vila Itamar, a situação se repete. Passageiros aguardam na BR-135 por coletivos que passam lotados e, muitas vezes, sequer param. O resultado são atrasos constantes em compromissos de trabalho e estudo.
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Decisão judicial obriga prefeitura a assumir linhas impactadas
Moradores afirmam que o problema começou há cerca de dois meses. Na tentativa de solucionar o problema, uma decisão judicial que determinou o fim do contrato com o Consórcio Via SL.
A Justiça considerou que a empresa não tem condições financeiras de manter o serviço, caracterizando abandono das operações. Com isso, a Prefeitura de São Luís foi obrigada a assumir, direta ou indiretamente, as linhas afetadas.
A paralisação total das atividades da concessionária contribuiu para a crise no transporte em diversos bairros da zona rural.
Medida emergencial não resolve o problema
Diante do agravamento da situação, o IFMA passou a disponibilizar um micro-ônibus institucional para auxiliar no deslocamento dos estudantes, com horários específicos ao longo do dia. Apesar da iniciativa, a própria instituição reforça que a medida é paliativa e não substitui o transporte público regular, cuja responsabilidade é da Prefeitura Municipal de São Luís.
O IFMA também informa que, somente nos últimos três anos, foram encaminhados diversos ofícios à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), nos meses de março de 2023, fevereiro e agosto de 2024, e março de 2026, sem que tenha sido apresentada uma solução adequada.
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes informou que tem conhecimento das demandas e que algumas linhas seguem em operação e monitoramento, mas não detalhou soluções concretas para resolver o problema.
Enquanto isso, moradores de regiões como Vila Esperança, Tibiri, Tibirizinho e Rio do Meio continuam enfrentando dificuldades diárias para garantir o direito básico de ir e vir.
Veja abaixo as notas na íntegra:
Nota do IFMA – Campus Maracanã
"Diante do agravamento da precariedade do transporte público que atende a comunidade da Vila Esperança, a Direção-Geral do IFMA – Campus Maracanã passou a disponibilizar um micro-ônibus institucional para apoiar o deslocamento dos estudantes. O serviço está em funcionamento desde o dia 6 de março de 2026, nos seguintes horários:
Manhã: 6h20, 6h40, 7h10 e 7h30
Tarde: 12h30, 13h00 e 13h15
Final de tarde: 17h00, 17h30, 18h00 e 18h15
A iniciativa tem como objetivo minimizar os impactos enfrentados pelos estudantes. No entanto, não representa uma solução definitiva, uma vez que o transporte público é de responsabilidade da Prefeitura Municipal de São Luís.
Ressalta-se que, somente nos últimos três anos, foram encaminhados diversos ofícios à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), nos meses de março de 2023, fevereiro e agosto de 2024, e março de 2026, sem que tenha sido apresentada uma solução adequada.
A Direção-Geral do IFMA – Campus Maracanã reforça os pleitos dos estudantes e reitera a cobrança ao Município de São Luís para a adoção de medidas urgentes que garantam o direito à mobilidade, condição fundamental para o acesso, a permanência e o êxito dos estudantes na educação profissional."
Nota da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT):
"A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informa que tem conhecimento das demandas relacionadas ao atendimento aos estudantes do Ifma Campus Maracanã e moradores da Vila Esperança.
Atualmente, o atendimento à região é realizado pelas linhas T074 – Vila Esperança / Terminal da Praia Grande e A696 – Vila Esperança / TSC / TCC. A linha A696, originalmente de responsabilidade do Consórcio Via SL, encontra-se sob operação emergencial do Consórcio Upaon Açu, em razão de ajustes operacionais no sistema.
A SMTT comunica que todas as linhas passam por monitoramento contínuo e que os veículos em circulação são submetidos a vistorias regulares. E que os ônibus de prefixos 300408 e 300254 possuem 8 e 9 anos de uso, respectivamente, estando dentro do limite legal de até 10 anos."
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