Mobilização

Professores da rede municipal protestam contra exigências da Prefeitura de São Luís sobre jornada de trabalho

O ato dos professores, que começou às 8h, marca uma paralisação da categoria em busca de diálogo com o poder municipal.

Imirante.com

Atualizada em 09/04/2026 às 10h37
Professores fazem paralisação e protestam em frente à Semed em São Luís. (Foto: Reprodução/Instagram/sindeducacaooficial)

SÃO LUÍS - Professores da rede municipal de ensino realizaram uma mobilização na manhã desta quarta-feira (8), em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), na avenida Castelo Branco, bairro São Francisco. O ato, que começou às 8h, marca uma paralisação da categoria em busca de diálogo e valorização profissional.

O principal motivo do protesto é a nova orientação da Semed sobre o cumprimento de 1/3 da jornada de trabalho sem interação com estudantes. Este tempo é destinado a atividades pedagógicas, como correção de provas, planejamento e preenchimento de sistemas.

No entanto, a Semed passou a exigir que esse período seja cumprido obrigatoriamente dentro das unidades escolares. Segundo os professores, a medida ignora a realidade das escolas, que muitas vezes não possuem estrutura física, como salas adequadas ou recursos tecnológicos, para que o trabalho seja realizado de forma eficiente.

“Segundo a lei do piso nós temos direito a um terço da nossa jornada sem interação com estudante. O que nós fazemos nesse tempo? Nós planejamos, nós participamos de formações, nós estudamos, nós fazemos as nossas atividades pedagógicas, corrigimos provas, preenchemos sistemas de monitoramento das notas. Então, durante esse pouco, tempo nós temos inúmeras atividades para fazer”, explica a professora Ana Paula em entrevista à Mirante News FM.

Saúde mental e falta de diálogo

Além das questões estruturais, os profissionais denunciam uma grave sobrecarga de trabalho, que tem resultado no adoecimento de diversos professores da rede municipal. O Sindeducação, que convocou a categoria para a mobilização, reforça que a hora atividade é também um direito voltado à formação continuada e ao aperfeiçoamento do ensino.

A categoria afirma que tenta estabelecer um canal de diálogo com a Prefeitura de São Luís e com a Secretaria de Educação há dois anos, sem sucesso. O ato desta quarta-feira busca forçar uma negociação sobre pautas urgentes que, segundo os manifestantes, impactam diretamente a qualidade da educação pública na capital.

O que diz a Semed

"A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informa que mantém diálogo permanente com os profissionais da educação, reafirmando seu compromisso com a valorização da categoria e com a melhoria contínua da rede municipal de ensino. Em relação à pauta apresentada, a Semed comunica que a garantia de 1/3 da jornada destinada à hora-atividade já é uma política assegurada na rede municipal, sendo compreendida como um elemento essencial para o fortalecimento do planejamento pedagógico e da qualidade do ensino.

A Secretaria destaca que vem realizando investimentos contínuos na melhoria da infraestrutura das unidades de ensino, com ações voltadas à adequação dos espaços escolares, justamente para oferecer melhores condições de trabalho aos professores e assegurar o pleno desenvolvimento das atividades pedagógicas.

Paralelamente, a rede também tem avançado em outras frentes importantes, como a oferta permanente de formação continuada, o acompanhamento pedagógico nas escolas e a disponibilização de chromebooks para todos os docentes, fortalecendo o fazer pedagógico em sala de aula.

No campo da valorização profissional, a atual gestão concedeu, em 2026, o maior reajuste salarial da história da rede municipal, de 16%, além de manter políticas como o Prêmio Educa São Luís e o pagamento integral dos precatórios do Fundef destinados aos professores.

Por fim, a Semed informa que não haverá prejuízo ao calendário letivo, uma vez que as aulas serão devidamente repostas pelos professores que aderirem à mobilização, garantindo o cumprimento da carga horária prevista".

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