CPI

Requerimento para criação de CPI contra vice-governador é lido na Assembleia

Comissão deve ser instalada após publicação de ato; depois disso, os blocos mandam representantes, que internamente definirão presidência e relatoria.

Ipolítica

Plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão (Agência Assembleia)

SÃO LUÍS - A Mesa da Assembleia Legislativa formalizou - por meio de leitura de expediente -, o requerimento de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que busca apurar denúncias contra o vice-governador Felipe Camarão (PT) de movimentação atípica de recursos financeiros. 

Os fatos foram relatados em investigação sigilosa conduzida pelo Ministério Público Estadual e encaminhada ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), com pedido de afastamento de Camarão.

O pedido de abertura de CPI conta com a assinatura de 24 deputados, ou seja, mais do que o ⅓ necessário para a criação do colegiado.

Assinam o pedido de CPI, os deputados Adelmo Soares (MDB), Ana do Gás (PCdoB), Andrea Rezende (MDB), Antonio Pereira (MDB), Arnaldo Melo (PP), Cláudia Coutinho (PDT), Cláudio Cunha (PL), Daniella (MDB), Davi Brandão (MDB), Dr. Yglésio (PRTB), Helena Duailibe (PP), Eric Costa (PSD), Florêncio Neto (MDB), Glaubert Cutrim (PDT), Guilherme Paz (PRD), Janaína (Republicanos), João Batista Segundo (PL), Júnior França (PP), Mical Damasceno (PSD), Neto Evangelista (União Brasil), Osmar Filho (PDT), Pará Figueiredo (PL), Ricardo Arruda (MDB) e Edna Silva (PRD). 

CPI pode ser instalada após publicação de ato no Diário

A partir de agora os deputados governistas aguardam a publicação do ato, para a instalação do colegiado. Depois disso, os blocos parlamentares que integram o Plenário poderão indicar os seus respectivos membros para a CPI. 

Em seguida, em votação interna, os membros da comissão vão definir os titulares para a presidência e relatoria. Logo após, passa a comissão a ter autonomia para conduzir a investigação e realizar oitivas, com convites ou convocações para depoimentos e coleta de provas.

Pedido de afastamento de Camarão

Na semana passada a imprensa deu publicidade a um pedido de afastamento de Felipe Camarão protocolado pelo MPMA na Justiça Estadual. O documento é assinado pelo procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, e inclui também dois policiais militares que atuam na segurança institucional de Camarão. 

A investigação, fundamentada em Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do COAF e quebras de sigilo, revelou um fluxo financeiro atípico que totaliza milhões de reais. De acordo com o documento, Felipe Camarão movimentou mais de R$ 16 milhões em sua conta principal entre 2022 e 2025. Desse montante, cerca de R$ 4,6 milhões são créditos extra-salário, valor que o MPMA afirma superar drasticamente sua renda formal identificada.

A análise detalhada aponta táticas de ocultação, como:

  • Depósitos em espécie: Foram identificados 230 depósitos sem identificação do depositante, somando R$ 360 mil em valores fracionados para evitar o radar das autoridades de controle ("smurfing").
  • Triangulação com PMs: Os policiais militares Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento, lotados no Gabinete Militar do Governo, são apontados como operadores financeiros.

 

Após o vazamento do pedido sigiloso, o MPMA pediu ao TJMA a abertura de procedimento para investigar de onde partiu o compartilhamento dos dados. 

Felipe Camarão reage à movimentação por CPI

Em seu perfil em rede social, o vice-governador se manifestou oficialmente sobre o pedido de abertura de CPI que poderá ser apresentado nesta quarta-feira na Assembleia Legislativa.

Camarão repudiou a articulação da base governista e disse que não irá recuar.

“Desespero coronelista e oligarquia do dia: depois de um desastrado, espúrio e ilegal pedido de afastamento no TJ, o titio anuncia uma suposta CPI na Assembleia contra mim para limpar terreno para a eleição do sobrinho. Desespero? Golpe? Jogo sujo? Medo da derrota? Resistirei!”, finalizou.

 

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