Como gerenciar a Geração Z
Umas das perguntas que mais tenho ouvido de empresários nos últimos tempos é: como gerenciar a geração Z?
Assim como em outros momentos da história, quando empresários enfrentaram desafios para lidar com outras gerações, nós, professores, gestores e empresários, também estamos vivendo um processo de adaptação mútua. Eles estão se adaptando a nós, e nós estamos nos adaptando a eles.
Se você é gestor, provavelmente já enfrentou algum tipo de tensão com funcionários da geração Z. Um estudo realizado pela plataforma de currículos Resume Genius revelou que essa é a geração considerada pelos empresários como a mais difícil de liderar.
Segundo o levantamento, 6 em cada 10 empresas já demitiram alguém da geração Z por questões comportamentais.
Mas, vamos falar sobre a realidade prática e sobre o que eu, como professor de negócios que convive diariamente com empresários e também com essa geração, tenho observado.
Alguns dados importantes para nos orientarmos
48% dos jovens da geração Z já estão economicamente ativos.
Quase metade dos jovens dessa geração já participa do mercado de trabalho brasileiro.
Fonte: IBGE
A geração Z também representa cerca de 23% da força de trabalho no Brasil.
Ou seja, esse grupo já constitui quase um quarto da força de trabalho nacional.
Fonte: Agência Eplus / estudos de mercado de trabalho
41% dos estagiários da geração Z estão otimistas com o início da carreira.
Mesmo diante de desafios, muitos jovens demonstram expectativa positiva em relação ao futuro profissional.
Fonte: Pesquisa Perfil do Estagiário Brasileiro
A primeira coisa que quero deixar clara é que não podemos generalizar o comportamento da geração Z.
A partir das minhas observações em campo, o que tenho visto é uma grande variabilidade comportamental que depende muito do contexto social, econômico e familiar, especialmente quando analisamos jovens das classes A, B ou C.
O que acontece na prática é que o comportamento de qualquer pessoa, incluindo os jovens, é fruto dos estímulos recebidos durante a criação.
Existe uma parcela de jovens que foi superprotegida pelos pais das gerações X e Y, enquanto outra parcela recebeu estímulos mais voltados para autonomia e desafios.
Traduzindo: enquanto alguns pais criaram seus filhos em verdadeiras bolhas de proteção, outros os lançaram mais cedo para enfrentar o mundo.
Pode parecer exagero, mas já ouvi de jovens da geração Z relatos de que não sabem fritar um ovo, pegar um ônibus ou realizar tarefas básicas como pesquisar uma informação, justamente porque sempre tiveram respostas prontas ou soluções facilitadas ao longo da vida.
Outro ponto importante é que o mercado de trabalho é um ambiente onde a frustração faz parte do processo. Projetos são cancelados, promoções demoram a acontecer e muitas ideias recebem negativas.
Segundo o psicólogo Leo Fraiman, quando a criança não é treinada para esperar, negociar, ceder, criar soluções e lidar com frustrações, ela se torna um adulto e um profissional com dificuldade de gerenciar emoções. E isso já começa a aparecer com mais frequência dentro das empresas.
É importante destacar que isso não acontece com todos os jovens, e esse ponto precisa ficar muito claro.
Existem muitos jovens independentes, responsáveis e que buscam protagonismo em suas trajetórias profissionais.
Algo que os estudos mais recentes mostram é uma convergência importante em relação ao propósito no trabalho.
Uma pesquisa do LinkedIn aponta que, diferentemente de gerações anteriores que priorizavam estabilidade ou carreira tradicional, a geração Z busca sentido no trabalho e impacto social.
Segundo o estudo, 89% dos jovens afirmam que ter propósito no trabalho é essencial para sua satisfação profissional.
Outro comportamento relevante é que, para essa geração, sucesso profissional não significa apenas subir na hierarquia corporativa.
De acordo com pesquisas da Deloitte Gen Z & Millennial Survey 2025, apenas 6% da geração Z tem como objetivo principal alcançar cargos de liderança.
O que eles buscam prioritariamente é:
- qualidade de vida
- saúde mental
- flexibilidade de trabalho
E como gerenciar essa geração de forma efetiva?
Alguns pontos merecem atenção.
1. Cultura empresarial é viva
Vamos precisar repensar algumas práticas que antes eram tratadas como absolutas.
Um exemplo disso é a lógica do trabalho incansável como único caminho para crescimento profissional.
Cada vez mais se discute o equilíbrio entre desempenho e saúde mental.
2. A geração Z chega ao mercado com forte domínio digital, mas pouca vivência de mercado
Apesar da familiaridade com tecnologia, muitos jovens chegam às empresas com pouca experiência de vida, de negócios e de ambiente corporativo.
Isso significa que gestores precisarão educar, orientar e ajudar a reconstruir algumas crenças sobre carreira e trabalho.
3. Programas estruturados de desenvolvimento são essenciais
Treinamentos técnicos e comportamentais ajudam a acelerar a maturidade profissional dessa geração.
4. Mentoria e feedback constante são fundamentais
Essa geração valoriza acompanhamento próximo e retorno frequente sobre desempenho.
5. Processos de 1to1 e alinhamento de expectativas são indispensáveis
Esses encontros ajudam a evitar frustrações tanto do lado do gestor quanto do jovem profissional.
6. Dar protagonismo e pequenos desafios
Os jovens querem construir carreira, mas também querem sentir que fazem parte de algo relevante.
Pequenos desafios e responsabilidades progressivas ajudam a gerar engajamento.
Essa nova geração precisa, de fato, de mais direcionamento do que as anteriores.
Mesmo tendo acesso a uma quantidade enorme de informação, muitos jovens ainda encontram dificuldade para interpretar e aplicar esse conhecimento de forma prática.
Como diz o filósofo Mario Sergio Cortella, muitos jovens acabam confundindo desejo com direito.
Como diz Cortella, vaca não dá leite. É preciso acordar cedo, pegar o banquinho, amarrar as pernas da vaca e ordenhar.
Mas muitos jovens cresceram acostumados a consumir leite de caixa, pronto.
Agora é hora de aprender a tirar leite da vaca.
E, nesse processo, o gestor terá um papel fundamental como educador, orientador e formador de profissionais.
Para mais dicas, ouça meu podcast.
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Fernando Coelho
Professor de Negócios, PhD em Educação com foco em treinamento de competências para líderes e times de vendas pela Universidade de Coimbra.
Diretor do Instituto Experiência do Cliente.
Diretor Técnico do Cliente Oculto IEC.
Palestrante e Autor dos livros Gestão de Vendas e Experiência do Cliente, CX Descomplicado, Fidelizando o Cliente na Prática e mais 4 obras. Selecionado pela Metricx como um dos melhores autores brasileiros na área de Experiência do Cliente.
Conselheiro Consultivo de empresas.
Professor convidado na ESPM Rio, UEMA e Instituto Navigare.
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