COLUNA
Ronaldo Rocha
Ronaldo Rocha é jornalista de política do Grupo Mirante. Atua no Imirante e na Mirante News FM.
Manobra

Prefeito afirma que empresários forçaram greve de ônibus em São Luís

Chefe do Executivo afirma que empresários manobraram nos últimos anos para forçar trabalhadores rodoviários a paralisarem atividades em São Luís.

Ipolítica

Atualizada em 07/02/2026 às 11h09
Terminal de Integração durante greve de rodoviários ((Foto: Adriano Soares/Grupo Mirante))

SÃO LUÍS - O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), utilizou o seu perfil em rede social para responsabilizar os empresários do setor de transporte, pela greve de ônibus que se estendeu por oito dias seguidos em São Luís.

De acordo com o chefe do Executivo, toda a mobilização dos rodoviários se deu por uma manobra executada pelos proprietários de empresas de ônibus, no sentido de pressionar a Prefeitura a um aumento na tarifa de ônibus ou no subsídio que é pago pela gestão municipal.

Braide afirma que empresários deixam de pagar salários para forçar greve

Braide afirma que os empresários deixaram de pagar - propositalmente -, os salários de motoristas e cobradores de ônibus e suspenderam direitos trabalhistas para forçar movimento paredista.

Veja também: VÍDEO: ônibus do sistema urbano de São Luís voltam a circular na manhã deste sábado (7) 

“A greve de ônibus acabou, sem aumento na passagem e sem aumento no subsídio da Prefeitura. Mas, vocês sabem por que acontecem as greves de ônibus em São Luís? Porque todos os anos os empresários de ônibus querem aumentar o valor da passagem ou o valor do subsídio. E para isso o que eles fazem? Atrasam de forma intencional o salário e benefícios ou negam os direitos dos trabalhadores rodoviários, obrigando-os a entrar em greve. E aí eles retiram 100% dos ônibus das ruas, para fazer a população de refém e pressionar a Prefeitura a aumentar o valor da passagem ou do subsídio”, disse Braide.

Braide acusa empresários de se apropriarem do credito de Vale Transporte de usuários

O chefe do Executivo afirma que os empresários não cumprem com o que determina a licitação do transporte público, a exemplo da compra de novos ônibus e reforma dos terminais de integração e buscam mais recursos públicos.

“Se eu tivesse cedido a pressão dos empresários, a passagem de São Luís hoje já estaria acima de 7 reais. Algo inadmissível. Ainda mais com o desrespeito dos empresários, que não colocam 100% da frota nas ruas, desligam o ar-condicionado, não compram novos ônibus como deveriam e não reformam os terminais de integração. Aliás, ao invés de pedirem um novo aumento, os empresários devem responder para onde foi o dinheiro que era pago aos cobradores e que eles demitiram? O que aconteceu com o crédito de Vale Transporte que sumiram dos cartões?  E o que eles fazem com os R$ 80 milhões de subsídios pagos pela Prefeitura?”, pontuou.

Outro lado

Por meio de nota, o SET se manifestou a respeito das declarações de Braide. Abaixo, a íntegra do documento.

Nota

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) repudia declarações recentes que tentam encerrar, por narrativa política, uma crise que é estrutural, técnica e ainda em curso.

Ao afirmar publicamente que a crise estaria resolvida sem qualquer ajuste estrutural, o próprio gestor municipal acaba por evidenciar falhas na fiscalização, na gestão contratual e na garantia do equilíbrio econômico-financeiro do sistema — responsabilidades primárias do poder concedente, nos termos da legislação vigente.

São igualmente graves e inaceitáveis as acusações genéricas lançadas contra empresários, com imputação de condutas ilícitas sem qualquer apuração técnica ou respaldo de órgãos de controle.

O SET reafirma sua confiança nas instituições de controle e informa que já está adotando as medidas administrativas e jurídicas cabíveis, inclusive reparatórias, para resguardar a integridade institucional do setor e restabelecer a verdade dos fatos.

A crise do transporte público não se resolve por discurso, mas por gestão técnica, cumprimento contratual e definição clara de responsabilidades.


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