Rodoviários de São Luís podem deflagrar greve geral após impasse em negociações
Presidente do sindicato dos rodoviários informou que a paralisação não se restringe à empresa 1001 e envolve todo o sistema de transporte urbano e semiurbano de São Luís.
SÃO LUÍS - O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (STTREMA) informou, nesta terça-feira (27), que encaminhou ofícios ao Sindicato Patronal (SET), às empresas do transporte coletivo e aos órgãos competentes, comunicando a decisão da categoria quanto à possibilidade de deflagração de greve geral no sistema de transporte público de São Luís.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Marcelo Brito, a categoria deve anunciar greve geral no sistema de transporte urbano e semiurbano da capital após rejeitar a proposta apresentada pelos empresários durante a quarta reunião de negociação da data-base. Ainda de acordo com o presidente, a contraproposta prevê reajuste linear de 2%, percentual considerado insuficiente pelo sindicato.
“Isso aí é uma humilhação, é uma forma de chegar e massacrar o trabalhador mais ainda, esses empresários de ônibus”, destacou.
Negociação salarial
Marcelo Brito informou que os rodoviários reivindicam 15% de reajuste salarial e melhorias no ticket alimentação, enquanto o setor patronal apresentou proposta de 2% linear, válida para todos os itens da convenção coletiva. O sindicalista afirmou que a categoria não aceitará os termos e que a greve deve ser formalizada ainda hoje.
“Primeiramente, partir de mim, como representante da categoria, jamais, jamais, hoje eu vou anunciar greve”, frisou.
Marcelo Brito também destacou que a paralisação não se restringe à empresa 1001 e envolve todo o sistema de transporte urbano e semiurbano de São Luís.
Impasse nas negociações
A decisão foi tomada após quatro reuniões de negociação, nas quais as propostas apresentadas pelo setor patronal não atenderam às reivindicações dos trabalhadores.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (STTREMA), a decisão foi tomada após a realização de quatro reuniões de negociação, nas quais as propostas apresentadas pelo setor patronal não atenderam às reivindicações da categoria, encaminhada ainda no mês de novembro de 2025, referente à Convenção Coletiva de Trabalho 2026.
Ainda de acordo com o sindicato, diante da falta de avanços nas negociações, os trabalhadores, reunidos em assembleia geral, deliberaram pela possibilidade de paralisação das atividades no transporte coletivo da grande São Luís.
Prazo para acordo
O prazo estabelecido é de até 72 horas, contadas a partir de hoje, para que haja uma posição concreta do setor patronal. Caso não haja acordo dentro desse período, a paralisação será iniciada.
Posição do sindicato
O Sindicato reforça que a greve é uma medida extrema, adotada somente após o esgotamento das tentativas de diálogo, e destaca que permanece aberto à negociação, aguardando uma postura responsável das empresas e do setor patronal.
Especialista defende alternativas ao ônibus em São Luís
A doutora em Transportes Zuleide Feitosa avaliou que a crise atual evidencia a necessidade de investimentos em outros modais além dos ônibus. Segundo ela, a diversificação do sistema ajudaria a reduzir os prejuízos para a população durante paralisações recorrentes.
Falhas do poder público e das empresas de transporte
De acordo com a especialista, o cenário atual é resultado de falhas tanto do poder público quanto das empresas concessionárias. Ela afirma que problemas no repasse de subsídios e na oferta do serviço revelam dificuldades da gestão pública em lidar com os desafios do setor de transportes.
Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB)
Em nota, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) informa que continua a contribuir com a resolução da paralisação da antiga empresa 1001. Nesse sentido, esclarece que o subsídio estadual está sendo pago regularmente e todas as obrigações da MOB para garantir a continuidade da operação estão sendo cumpridas.
No mais, as questões trabalhistas são de responsabilidade das empresas operadoras, conforme previsto nos contratos de concessão.
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