Possível nova paralisação

Greve de ônibus: rodoviários ameaçam nova paralisação em São Luís nesta quinta (12)

Sindicato dos Rodoviários afirma que parte das empresas não cumpriu acordo sobre pagamento de trabalhadores e dá prazo de 72 horas para regularização.

Imirante.com

Atualizada em 09/03/2026 às 12h34

SÃO LUÍS – A capital maranhense poderá voltar a enfrentar uma greve de ônibus na próxima quinta-feira (12). O alerta foi feito pelo presidente do Sindicato dos Rodoviários, Marcelo Brito, durante entrevista concedida nesta segunda-feira (9) à rádio Mirante News FM.

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Em entrevista ao programa Mirante News hoje (9), apresentado pelo jornalista Marcial Lima, o dirigente sindical afirmou que algumas empresas do sistema de transporte coletivo ainda não realizaram o pagamento de valores acordados recentemente entre trabalhadores e empresários.

Segundo ele, o sindicato decidiu conceder um prazo de até 72 horas para que as empresas regularizem a situação. Caso o pagamento não seja efetuado dentro desse período, a categoria poderá iniciar uma nova paralisação nas primeiras horas da quinta-feira.

Linha do tempo mostra greves de rodoviários de 2021 a 2026 na Grande São Luís

Linha do tempo detalha greves de rodoviários nos últimos anos na Grande São Luís. (Arte: Gabrielle Siebra/Imirante.com)

Possível nova greve de ônibus

Marcelo Brito afirmou que parte das empresas cumpriu parcialmente o acordo, enquanto outras sequer efetuaram os pagamentos determinados.

“Algumas empresas pagaram e outras não. As que pagaram não seguiram exatamente a determinação do tribunal, e outras ainda não pagaram nem conforme a decisão judicial nem conforme a convenção coletiva de trabalho”, afirmou o presidente do sindicato.

De acordo com ele, o departamento jurídico da entidade já encaminhou notificações às autoridades envolvidas nas negociações.

“Os advogados do sindicato já comunicaram todas as autoridades que participaram das audiências e reuniões. Como não houve cumprimento do que foi determinado, vamos enviar um ofício concedendo um prazo de 72 horas para que a situação seja resolvida”, explicou.

Cobrança por pagamento aos trabalhadores

Ano a ano, greves marcaram o transporte público em São Luís. (Foto: Reprodução)

Durante a entrevista, Brito afirmou que o sindicato não deseja uma nova greve, mas ressaltou que a categoria não pode continuar trabalhando sem receber os valores devidos.

“Não é isso que gostaríamos que acontecesse, de parar novamente. Quem está provocando essa situação são os empresários, que estão deixando de pagar os trabalhadores”, disse.

Ele destacou ainda as dificuldades enfrentadas pelos rodoviários no dia a dia de trabalho.

“São trabalhadores que acordam duas ou três horas da manhã, muitas vezes sem saber nem se vão conseguir voltar para casa no fim do dia. E, quando chega o final do mês, passam por esse tipo de situação”, afirmou.

O presidente do sindicato reforçou que, caso o impasse não seja resolvido, a paralisação poderá começar já nas primeiras horas da quinta-feira.

“Se eles não resolverem a situação do pagamento, nas primeiras horas de quinta-feira haverá paralisação. Esperamos que isso não aconteça, porque não é o que o sindicato quer e nem o que a categoria deseja”, disse.

Impasse no sistema de transporte

A possível nova paralisação ocorre em meio a uma série de problemas enfrentados pelo sistema de transporte coletivo da capital maranhense desde o início do ano. A população de São Luís tem lidado com sucessivas ameaças de greve e interrupções no serviço.

Em fevereiro, após um período de paralisação, foi firmado um acordo mediado pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA) para garantir a retomada da circulação dos ônibus. Na ocasião, ficou definido que os coletivos voltariam a circular nas primeiras horas do sábado (7).

Participaram da reunião representantes do Sindicato dos Rodoviários, das empresas de transporte e da Prefeitura de São Luís.

Pagamento de salários atrasados

Além da retomada do serviço, o acordo também previa o pagamento integral dos salários atrasados dos trabalhadores do sistema urbano.

De acordo com a promotora de Justiça Lítia Cavalcante, o objetivo principal da negociação foi reduzir os impactos causados pela paralisação para a população e para o comércio da capital.

Paralelamente, o Ministério Público do Maranhão ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura de São Luís, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), consórcios que operam o sistema e empresas de ônibus.

Na ação, o órgão pede a adoção de medidas urgentes para regularizar o transporte coletivo da capital. Entre as propostas está o aumento do subsídio pago às empresas de ônibus por passageiro transportado, que atualmente é de R$ 1,35 e poderia passar para R$ 2,15.

A expectativa agora é que as empresas regularizem os pagamentos dentro do prazo estabelecido pelo sindicato para evitar uma nova paralisação do transporte público na cidade.

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