Sepultamento

Corpo do poeta José Chagas é enterrado em São Luís

O poeta faleceu às 12h45 de terça-feira (20), após 20 dias de internação hospitalar.

Jock Dean/Especial para o Imirante.com

Atualizada em 27/03/2022 às 11h54
Amigos prestaram as últimas homenagens antes do sepultamento de José Chagas. Foto: De Jesus/O Estado.

SÃO LUÍS - Além da tristeza, o sepultamento do poeta e escritor José Chagas foi marcado pela poesia, entre elas, versos escritos pelo próprio poeta, declamada por muitos dos seus amigos presentes na cerimônia. Dizendo não estarem à altura do mestre, esta foi a maneira escolhida por eles para homenageá-lo. José Chagas foi sepultado às 16h de ontem, no Cemitério Jardim da Paz, em São José de Ribamar. Ele faleceu às 12h45 da terça-feira, dia 20, após 20 dias de internação hospitalar em decorrência de dois acidentes Vascular Cerebral (AVC).

Saiba mais

Morre em São Luís, aos 89 anos, o poeta José Chagas

Às 14h45, o cortejo com o corpo do poeta José Chagas saiu da Academia Maranhense de Letras (AML), na Rua da Paz, Centro, onde ele foi velado desde a noite de terça-feira e seguiu para o Cemitério Jardim da Paz. Dois batedores da Polícia Militar (PM) acompanharam o percurso que passou pelas avenidas Magalhães de Almeida, Vitorino Freire, Africanos, Edson Brandão e Estrada de Ribamar (MA 201).

Quando chegou ao cemitério, vários amigos já aguardavam na capela, onde foram prestadas as últimas homenagens antes do sepultamento. O imortal Sebastião Moreira Duarte foi o escolhido para falar em nome da AML. Pedindo desculpas por não se considerar à altura de Chagas no uso das palavras, ele disse que a instituição havia perdido o seu membro mais importante. “Digo isto com todo o orgulho e tenho certeza que meus confrades hão de concordar comigo. José Chagas era o nosso membro mais importante e o maior poeta de São Luís”, declarou.

José Chagas foi sepultado às na tarde desta quarta-feira (14), no Cemitério Jardim da Paz, na Estrada de Ribamar. Foto: De Jesus/O Estado.

Cadeira vaga - Ainda em seu discurso, Sebastião Moreira Duarte disse que a cadeira 28, que desde o dia 3 de outubro de 1975 era ocupada por Chagas deveria ficar vaga por um longo período. “Quero saber quem se atreverá a se candidatar à vaga que foi ocupada com brilhantismo por José Chagas. Certas cadeiras, como a dele, deveriam ficar vagas por um longo tempo, pois não há quem possa se equiparar a ele”, afirmou, sob aplausos de todos os presentes durante a fala.

Depois, foi o amigo de mais de 40 anos, Chico Poeta, quem homenageou José Chagas, declamando o Soneto 12, poema que faz parte do livro Colégio do Vento, lançado inicialmente em 1974, reeditado e relançado pela quarta vez ano passado por Jomar Moraes, durante as comemorações dos 89 anos do poeta. “E mamãe repetindo em estribilho, toda manhã, na hora do café, meu nome de tão santo, mas sem brilho, hoje muito mais chagas que José”, dizem os versos finais do poema.

Em seguida, o amigo Raimundo Barroso Braga leu alguns versos que escreveu em homenagem a Chagas e lembrou-se da relação de amizade entre os dois, que começou ainda na infância, quando se conheceram. “Chagas foi meu mestre e de muita gente. Foi por meio da minha relação com ele que me aventurei na arte de fazer poemas, mesmo sabendo que nunca chegaria à sua altura. E foi em homenagem a tudo que aprendi com ele que resolvi escrever em sua homenagem”, afirmou.

Emocionados - Familiares de José Chagas acompanharam todas as homenagens feitas ao poeta. Os irmãos, Anacleto Chagas, 83 anos, e Izídio Chagas, 86 anos, permaneceram ao lado do caixão durante toda a cerimônia e se emocionaram com as palavras ditas pelos amigos do escritor. “A morte de José Chagas nos entristeceu muito. Nós perdemos o poeta do Maranhão e também um grande homem, que sempre foi muito atencioso com todos nós”, comentou o sobrinho Izídio Júnior.

Foto: De Jesus/O Estado.

Deuzana Chagas, sobrinha do poeta, que acompanhou de perto seus últimos momentos de vida e esteve ao seu lado durante o período de internação afirmou que toda a família estava muito abalada com a perda. “Eu perdi um pai, tio, padrinho, amigo. O que estamos sentindo é uma tristeza imensa”, disse. Em homenagem a Chagas, todos os familiares e muitos amigos usavam camiseta confeccionada por ocasião dos seus 80 anos, estampada com a foto do poeta e um dos inúmeros versos escritos por ele. “Me alimento de tempo e duro horas inteiras de sonho”, diz o verso de Os Canhões do Silêncio, publicado em 1979.

Após rezarem o Pai Nosso e a Ave Maria, todos acompanharam o caixão até a Quadra 10 do Cemitério do Gavião, endereço da última morada física - fizeram questão de ressaltar os amigos - do poeta. Antes do sepultamento, novas homenagens e aplausos. “José Chagas é o único imortal aqui presente. Não apenas por sua obra, que é vasta e ficará para sempre, mas pelo seu valor espiritual. Hoje, não estamos dizendo adeus, mas até logo”, disse Sebastião Moreira Duarte.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.