EUA e Irã

Embaixador diz que negociação entre EUA e Irã virou “piada”

Embaixador do Irã afirma que negociações com EUA são ilusórias, critica Trump e diz que população pressiona governo a não ceder

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Embaixador do Irã afirma que negociação com EUA virou “piada mundial” e diz que população pressiona governo a não aceitar propostas americanas. (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

BRASÍLIA – O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, afirmou nesta segunda-feira (30) que a negociação entre Estados Unidos e Irã perdeu credibilidade e passou a ser vista como uma “piada mundial”.

Em entrevista, o diplomata disse que a população iraniana pressiona o governo a não aceitar propostas dos Estados Unidos, em meio ao aumento das tensões entre os países.

Críticas às negociações com os EUA

Segundo o embaixador, episódios recentes mostram que as tratativas entre Irã e Estados Unidos não avançam de forma consistente e são interrompidas por conflitos.

Ele afirmou que, em momentos próximos a negociações mais detalhadas, o país foi alvo de ataques, o que, na avaliação do governo iraniano, demonstra um ciclo de guerra, cessar-fogo e novas tentativas de diálogo.

“Diariamente, o senhor Trump está negociando consigo mesmo e pensa que está negociando conosco. Essa ilusão tornou-se tão explícita, tão clara, que virou piada mundial.”

Pressão interna no Irã

De acordo com Abdollah, a população tem pressionado o governo a não ceder às propostas americanas.

Segundo ele, manifestações nas ruas indicam apoio à soberania do país e rejeição ao que classificou como tentativas de engano por parte dos Estados Unidos.

O diplomata afirmou que a opinião pública tem papel importante nas decisões do governo em relação ao conflito.

Conflito e ações militares

O embaixador também comentou os impactos do confronto com Israel, afirmando que as ações iranianas têm causado danos significativos ao país adversário.

Ele destacou que as respostas militares do Irã seguem princípios estratégicos e religiosos, com uso controlado da força, embora com alto impacto.

Ataques a universidades

Abdollah criticou ainda ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos contra universidades no Irã, que, segundo ele, seriam injustificados.

Na avaliação do diplomata, essas ações refletem um cenário de desequilíbrio militar e desrespeito a instituições civis e científicas.

Situação interna do país

Apesar do cenário de conflito, o embaixador afirmou que o país mantém estabilidade interna.

Segundo ele, a população segue mobilizada e o país continua funcionando, mesmo após semanas de confrontos e sob sanções internacionais.

Críticas à cobertura da mídia

O diplomata também avaliou a cobertura da imprensa brasileira sobre o conflito.

Ele agradeceu a atuação de veículos nacionais, mas criticou casos específicos que, segundo ele, não teriam adotado postura profissional ao tratar do tema.

Posição sobre grupos aliados

Ao comentar grupos como Hezbollah e Houthis, o embaixador rejeitou a classificação de que seriam “proxies” do Irã.

Segundo ele, esses grupos atuam de forma independente, defendendo interesses próprios em seus respectivos países, e não sob comando direto do governo iraniano.

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