conflito no Irã

Presidente da FCC ameaça cassar licenças de emissoras por cobertura da guerra no Irã

Chefe da agência reguladora dos EUA acusa veículos de comunicação de divulgar “boatos” sobre o conflito e recebe críticas por ameaça à liberdade de imprensa.

Ipolítica, com informações de O Globo

O presidente da Federal Communications Commission (FCC), Brendan Carr. (Divulgação)

MUNDO - O presidente da Federal Communications Commission (FCC), Brendan Carr, ameaçou revogar licenças de emissoras de televisão nos Estados Unidos caso não “corrijam o rumo” da cobertura jornalística sobre a guerra no Irã. A declaração foi feita em redes sociais e ampliou o debate sobre liberdade de imprensa no país.

Segundo Carr, a FCC pode agir contra emissoras que, na avaliação da agência, deixem de cumprir o dever de atuar no interesse público. O posicionamento ocorre em meio ao aumento das tensões internacionais provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

FCC critica cobertura da guerra no Irã

Na publicação, o presidente da FCC afirmou que algumas emissoras estariam divulgando informações distorcidas sobre o conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã.

Carr alertou que, caso as empresas não mudem a forma de cobertura, as licenças necessárias para operar poderiam ser afetadas no momento da renovação.

As emissoras devem operar em prol do interesse público e, caso não o façam, perderão suas licenças”, escreveu Brendan Carr.

A declaração foi acompanhada de uma postagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou uma reportagem do The Wall Street Journal sobre um ataque contra aeronaves americanas na Arábia Saudita.

Governo Trump intensifica críticas à imprensa

A ofensiva retórica contra veículos de comunicação também foi reforçada pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. Durante coletiva de imprensa, ele criticou a cobertura da CNN sobre a guerra no Irã.

Segundo Hegseth, parte da imprensa estaria produzindo reportagens que prejudicam a imagem do governo americano em meio ao conflito.

O secretário também mencionou o empresário David Ellison, dono da Paramount Skydance, que busca adquirir a Warner Bros. Discovery — negócio que poderia colocar a CNN sob seu controle.

Especialistas alertam para riscos à liberdade de imprensa

Especialistas em regulação de mídia afirmam que a possibilidade de cassação de licenças por causa do conteúdo jornalístico seria extremamente controversa.

Nos Estados Unidos, a legislação de comunicações limita o uso de regras regulatórias para censurar veículos de imprensa. Por isso, o processo de revogação de licenças é considerado complexo e raro.

Além disso, a FCC não licencia diretamente grandes redes nacionais, mas sim emissoras locais afiliadas ou próprias das redes.

Parlamentares criticam ameaça da FCC

A declaração de Brendan Carr foi duramente criticada por parlamentares democratas e por entidades de defesa da liberdade de expressão.

A senadora Elizabeth Warren afirmou que a medida lembra práticas adotadas por regimes autoritários. Já o senador Mark Kelly disse que a imprensa precisa atuar sem interferência do governo, especialmente durante conflitos internacionais.

A Foundation for Individual Rights and Expression também criticou a postura do presidente da FCC, afirmando que a ameaça representa uma tentativa de intimidar a imprensa livre.

Debate ocorre em meio à guerra no Oriente Médio

A polêmica ocorre enquanto o conflito envolvendo o Irã entra em uma nova fase e pressiona o governo de Donald Trump. Pesquisas indicam baixo apoio popular à guerra, enquanto autoridades americanas tentam conter ações iranianas para bloquear o estratégico Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte global de petróleo.

Diante desse cenário, o debate sobre liberdade de imprensa e atuação do governo na regulação da mídia voltou ao centro da política americana.

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