Grupo de dez maranhenses deixa Israel após escalada de ataques com Irã
“Precisamos parar a van no meio da estrada e esperar a sirene cessar”, relata a maranhense Raphaela Duailibe, que deixou Israel durante ataques.
EGITO – Um grupo de dez maranhenses que estava em Israel durante a escalada de tensão no Oriente Médio conseguiu deixar o país horas antes do fechamento da fronteira com o Egito. O episódio ocorreu em meio aos ataques cruzados entre Irã e Israel, após ofensiva conjunta de Estados Unidos e forças israelenses contra alvos iranianos desde o último sábado (28).
O grupo - formado por cinco casais, todos amigos da mesma igreja - havia organizado a viagem religiosa desde o ano passado. A programação incluía visitas a locais históricos e sagrados para o cristianismo. Entre os integrantes do grupo está a dentista Raphaela Duailibe, que detalhou os momentos vividos durante a crise ao Imirante.
“Era um sonho antigo nosso”
Raphaela conta que a viagem representava a realização de um projeto pessoal e espiritual.
“Eu e meu esposo sempre sonhamos em conhecer Israel. Somos cristãos e queríamos viver a Bíblia de forma concreta, estar nos lugares onde Jesus viveu, pregou, realizou milagres. Era um sonho antigo nosso”, disse.
Segundo ela, a programação previa oito a nove dias no país. O grupo chegou por Tel Aviv alguns dias antes do início oficial do roteiro principal.
“Estava tudo absolutamente tranquilo. Não havia qualquer indício de guerra. A rotina era normal, turismo funcionando, visitas acontecendo. Nada indicava que viveríamos algo assim poucos dias depois”, contou.
Nos primeiros dias, o grupo visitou o Mar da Galileia, Cafarnaum (onde permaneceram quatro dias), a casa de Pedro e, por fim, a prisão de Paulo.
“Foi espiritualmente muito marcante. Estávamos vivendo dias muito especiais, de oração e comunhão”, registrou.
Reviravolta tensa durante a viagem
A mudança de cenário ocorreu na manhã em que o grupo seguiria para Jerusalém.
“Estávamos tomando café no hotel, já prontos para pegar a van, quando a sirene começou a tocar. Foi um som alto, contínuo. Todo mundo já sabia o que fazer”, contou.
Segundo Raphaela, Israel mantém protocolos rígidos de segurança. Todos os hotéis e prédios possuem bunkers para proteção em caso de ataque.
“Assim que chegamos ao hotel, a agência nos mostrou onde ficavam os abrigos. No nosso caso, havia um bunker em cada andar. Quando a sirene tocou, fomos imediatamente para lá. Ficamos cerca de 10 a 15 minutos aguardando a liberação”, afirmou.
Raphaela conta que o ambiente do bunker como organizado e estruturado.
“Havia outros hóspedes, inclusive americanos. As pessoas permaneciam em silêncio, olhando o celular, aguardando a mensagem de que podíamos sair.”
Apesar da tensão, Raphaela afirma que conseguiu manter a calma.
“Eu não entrei em desespero. Confio muito em Deus e senti paz naquele momento. Mas, como mãe, pensei imediatamente nos meus filhos, que estavam no Brasil com meus pais”, disse.
Decisão imediata de deixar o país
Logo após a liberação, a agência responsável reuniu o grupo para avaliar o cenário.
“A orientação foi clara: sair imediatamente de Israel. Havia risco real de fechamento dos aeroportos. A alternativa mais segura seria seguir de van até a fronteira com o Egito e, de lá, pegar um voo para a Europa”, detalhou.
De acordo com Raphaela, a saída de Israel foi rápida. Como já estavam com as malas prontas, partiram quase imediatamente.
“Foi difícil, porque naquele dia iríamos ao Rio Jordão para o batismo nas águas. Era um momento muito aguardado por todos. Mas entendemos que a prioridade era a segurança”, afirmou.
Viagem tensa até a fronteira
O trajeto até a fronteira durou cerca de seis horas. Durante o percurso, o grupo recebeu diversos alertas de segurança nos celulares.
“Precisamos parar a van no meio da estrada, descer e esperar cerca de dez minutos até a liberação. As sirenes tocavam, o alerta chegava no celular e a gente só aguardava autorização para seguir. Foi um momento de muita tensão, mas também de fé”, contou.
A van precisou fazer paradas ao longo do trajeto por conta das sirenes de aviso.
“Em alguns momentos, as sirenes voltaram a tocar. A van precisou parar no acostamento da estrada. Descíamos, aguardávamos cerca de dez minutos e só depois seguíamos viagem. Ninguém entrou em pânico. A gente orava, conversava pouco e seguia as orientações. A agência agiu com extrema agilidade. Toda a documentação para entrada no Egito foi providenciada rapidamente.”
O grupo atravessou a fronteira pouco antes de o acesso ser fechado.
“Sentimos que Deus realmente providenciou tudo para que saíssemos naquele momento”, disse.
Deslocamento até a Europa
Após cruzar para o território egípcio, o grupo seguiu para Sharm el-Sheikh, onde passou a noite em um hotel antes de embarcar.
“Foram seis horas até a fronteira e mais três até o hotel no Egito. De madrugada, seguimos para o aeroporto, voamos para a Turquia, aguardamos algumas horas de conexão e chegamos a Roma por volta das 15h. Foram praticamente 24 horas de deslocamento”, contou.
Atualmente, os dez maranhenses estão na Europa aguardando o voo de retorno ao Brasil. Raphaela reforça que todos os integrantes do grupo passam bem.
“Graças a Deus, os dez integrantes do nosso grupo, todos maranhenses, estão em segurança. Somos profundamente gratos à agência, aos guias e ao pastor que nos acompanharam. Eles foram transparentes e responsáveis em cada decisão”, afirma.
Após a escalada de tensão, o abrigo mais aguardado é o abraço das crianças.
“Agora nosso maior desejo é voltar para casa. Depois de tudo isso, o que mais queremos é abraçar nossos filhos e nossa família”, pontou.
Escalada militar no Oriente Médio
A retirada do grupo ocorreu após ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades iranianas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que comandantes da Guarda Revolucionária e alvos ligados ao programa nuclear iraniano foram atingidos e indicou que novas ofensivas poderiam ocorrer nos dias seguintes.
Horas depois, a mídia estatal iraniana confirmou a morte do líder supremo do país, Ali Khamenei, durante bombardeios. O governo decretou luto nacional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que nenhum militar americano ficou ferido e que os danos às bases na região foram mínimos.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases norte-americanas no Oriente Médio, ampliando a instabilidade regional.
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