Famílias sem indenização

Queda da ponte entre MA e TO: "um ano se passou e a dor aumentou", diz irmã de motociclista arremessada

Lorena Ribeiro é uma das vítimas do desabamento de Estreito. Ela estava em uma motocicleta quando a ponte cedeu e foi arremessada.

Imirante, com informações do g1 TO

Atualizada em 21/03/2026 às 10h34
Lorena Ribeiro Rodrigues de 25 anos morreu após ponte entre Tocantins e Maranhão desabar. (Foto: Reprodução)

ESTREITO - Mais de um ano após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, entre Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), famílias das vítimas ainda enfrentam a dor da perda e cobram respostas das autoridades. Novas imagens divulgadas nesta semana, que mostram o momento em que veículos são arremessados com a queda da estrutura, reacenderam o sofrimento de parentes.

Entre as vítimas está Lorena Ribeiro, que tinha 25 anos e foi a primeira identificada após o acidente. Ela estava em uma motocicleta quando a ponte cedeu e foi arremessada com o impacto. Segundo a irmã, Amanda Rodrigues, a dor permanece intensa mesmo após um ano.

"Minha mãe, desde ontem, quando começou a questão dos vídeos está sofrendo muito, chorando o tempo todo. Nós estamos todos chorando, todos sofrendo, porque justamente o vídeo pega o momento exato da morte dela através da câmera do caminhão. Parece que um ano se passou e a dor aumentou", contou.

Desabamento aconteceu no fim do ano passado e deixou 14 mortos e três desaparecidos. (Foto: Reprodução/g1 TO)

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes informou que há diversas ações em tramitação na Justiça, movidas por familiares, órgãos públicos e entidades civis. Entre os pedidos estão indenizações por danos materiais, morais, lucros cessantes e possíveis danos ambientais.

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Segundo o órgão, há tratativas com a Justiça Federal para a realização de mutirões que busquem soluções consensuais e acelerem as respostas às famílias atingidas. Ainda não há prazo definido para o pagamento das indenizações.

Lorena deixou dois filhos e o sonho de cursar Direito. O corpo dela foi encontrado no mesmo dia do desabamento, em 22 de dezembro de 2024. Desde então, segundo a família, não houve qualquer tipo de assistência.

“As famílias não foram indenizadas em nada. Nenhuma recebeu auxílio ou apoio até hoje”, afirmou a irmã da vítima.

O acidente aconteceu no dia 22 de dezembro de 2024, pouco antes das 15h. O vão central colapsou e derrubou parte da estrutura, levando diversos veículos para o fundo do Rio Tocantins. A tragédia deixou 14 mortos, três desaparecidos, e um ferido.

O que diz o Dnit

"O DNIT informa que as demandas relacionadas às indenizações decorrentes do desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, ocorrido entre Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), em dezembro de 2024, encontram-se atualmente judicializadas.

Há diversas ações em tramitação, ajuizadas por particulares, por entes públicos — como o Ministério Público — e por organizações da sociedade civil. Nessas demandas, são discutidos diferentes tipos de indenização, incluindo danos materiais, danos morais, lucros cessantes e eventuais danos ambientais.

Nesse contexto, estão em tratativas, junto à Justiça Federal, iniciativas voltadas à realização de mutirões com foco na busca de soluções consensuais, com o objetivo de conferir maior celeridade e efetividade às respostas às famílias atingidas. Também há a possibilidade de celebração de acordos, observados os procedimentos e critérios estabelecidos na Portaria nº 498/AGU, a partir da análise de viabilidade jurídica e administrativa das propostas apresentadas pelas partes envolvidas.

No momento, não é possível estabelecer uma previsão geral para o pagamento das indenizações. No caso das ações judiciais, eventuais pagamentos dependerão do regular andamento processual e ocorrerão por meio de requisições judiciais, como precatórios ou RPVs (Requisições de Pequeno Valor), após decisão definitiva.

A condução das demandas judiciais envolve a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU), por meio do DNIT e dos órgãos de representação judicial da autarquia, em articulação com o DNIT e demais órgãos competentes.

As famílias interessadas devem acompanhar o andamento de seus processos por intermédio de seus advogados, no caso de ações individuais, ou por meio do Ministério Público e de associações representativas, nas ações coletivas.

Por fim, destaca-se que há diversas ações judiciais em curso sobre o tema, em diferentes fases processuais — incluindo fase inicial, produção de provas, análise judicial e tentativas de conciliação —, o que reforça a complexidade do caso e a necessidade de tratamento individualizado das demandas".

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