BURITICUPU - O avanço das voçorocas em Buriticupu, no interior do Maranhão, se tornou um dos maiores problemas ambientais e urbanos da cidade. Há cerca de 30 anos, enormes crateras avançam sobre bairros inteiros, destruindo ruas, casas e colocando moradores em risco.
Segundo levantamentos oficiais, já são 33 voçorocas catalogadas no município. O problema já deixou sete mortos, afeta cerca de 360 famílias e apresenta trechos com buracos que chegam a 80 metros de profundidade.
Mesmo com decisões da Justiça e cobranças do Ministério Público, as medidas para conter o avanço das erosões ainda não foram totalmente executadas.
Como o problema das voçorocas começou em Buritucupu
Buriticupu tem cerca de 55 mil habitantes e foi construída em uma área de solo frágil, suscetível à erosão. Especialistas apontam que o avanço das voçorocas está ligado a fatores como:
desmatamento intenso;
crescimento urbano sem planejamento;
falta de sistema de drenagem;
características naturais do solo.
Moradores também relacionam o problema ao início da ocupação da cidade, na década de 1980, quando houve exploração irregular de madeira e pedras e pouca organização urbana.
Crateras avançam e famílias deixam casas
Com o passar dos anos, as erosões cresceram e passaram a atingir áreas urbanas. Em vários bairros, moradores precisaram abandonar as casas por causa do risco de desabamento.
Até 2024, pelo menos 180 famílias estavam em situação de risco, e outras deixaram as residências em 2025 após o avanço das crateras.
Justiça cobra medidas do município
A Justiça do Maranhão determinou, desde 2020, uma série de medidas para conter o problema. Entre as determinações estão:
isolamento e sinalização das áreas de risco;
remoção de famílias em perigo e pagamento de aluguel social;
obras de drenagem e contenção das erosões;
recuperação ambiental das áreas degradadas.
Apesar das decisões judiciais, muitas dessas ações não foram concluídas.
Recursos federais foram liberados para Buriticupu
O Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional informou que R$ 32,9 milhões foram destinados a Buriticupu em 2024 para ações de defesa civil, habitação e obras de drenagem.
Parte dos recursos seria usada na reconstrução de 59 moradias e em obras de infraestrutura para reduzir os impactos das erosões.
No entanto, as obras avançaram pouco. Entre os problemas apontados:
casas concluídas que nunca foram entregues;
construções paradas e deterioradas;
escola prevista no conjunto habitacional abandonada.
Calamidade pública
Em fevereiro de 2025, a Prefeitura de Buriticupu decretou estado de calamidade pública por causa do avanço das voçorocas.
O município alegou falta de recursos próprios e dificuldades para iniciar obras de grande porte sem apoio técnico e financeiro da União.
O governo federal, porém, afirmou que parte dos recursos já havia sido repassada e que novos valores dependiam da apresentação de projetos técnicos pela prefeitura.
Justiça volta a cobrar ações urgentes
Em decisão mais recente, a Justiça determinou um novo cronograma para que o município:
isole todas as áreas de risco;
atualize o cadastro das famílias afetadas;
apresente um plano detalhado de contenção das voçorocas;
execute ações de recuperação ambiental.
O descumprimento pode gerar multa diária de até R$ 50 mil, limitada a R$ 2 milhões.
Ministério Público investiga omissão
O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) também entrou com ação de improbidade administrativa contra o secretário municipal de Infraestrutura, Lucas Rafael da Conceição Pereira.
Segundo o MP, o gestor não apresentou informações sobre obras de contenção das voçorocas, mesmo após várias solicitações.
O órgão pede o afastamento do secretário enquanto o caso é analisado pela Justiça.
Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Buriticupu e o secretário citado não haviam se manifestado.
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