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PGR pede demissão de Marco Buzzi após denúncias de assédio no STJ

Manifestação foi apresentada durante julgamento no STJ após o CNJ extinguir a aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados.

Ipolítica, com informações do g1

PGR pede demissão de Marco Buzzi após denúncias de assédio no STJ. Julgamento ocorre após CNJ extinguir aposentadoria compulsória. (Sergio Amaral/STJ)

BRASIL – A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta quinta-feira (6) que o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, seja punido com a perda do cargo após as denúncias de assédio sexual, importunação sexual e injúria apresentadas contra ele. A manifestação foi feita durante o julgamento disciplinar do magistrado, que segue em andamento na Corte.

A mudança de posicionamento da PGR ocorreu após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) extinguir a aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados. Antes da alteração, a Procuradoria defendia essa penalidade. Agora, sustenta que a sanção adequada é a disponibilidade, com afastamento definitivo e perda do cargo.

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Se o entendimento for acolhido pelos ministros do STJ, será a primeira vez que um integrante da Corte receberá a pena máxima prevista para infrações disciplinares graves.

PGR muda entendimento após decisão do CNJ

Durante o julgamento, a PGR argumentou que a mudança nas normas disciplinares tornou inviável a aplicação da aposentadoria compulsória como punição máxima.

Com isso, a Procuradoria passou a defender a perda do cargo de Marco Buzzi, acusado de violar deveres funcionais relacionados a denúncias de:

  • assédio sexual;
  • importunação sexual;
  • injúria.

Os ministros do STJ ainda irão decidir se acompanham o parecer da Procuradoria.

Denúncias envolvem jovem e ex-servidora

Marco Buzzi responde a processo disciplinar instaurado após duas denúncias analisadas pelo STJ, além de um inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o relatório da PGR, as vítimas apresentaram relatos considerados firmes, coerentes e compatíveis com as provas reunidas durante a investigação.

As acusações envolvem:

  • uma jovem de 18 anos, que afirma ter sido vítima de importunação sexual durante um período de férias em Balneário Camboriú (SC), em janeiro de 2026;
  • uma ex-servidora do gabinete do ministro, que relatou episódios recorrentes de assédio sexual e importunação enquanto trabalhava no STJ.

A Procuradoria afirma que, no primeiro caso, existem elementos que indicam contato físico sem consentimento e violação dos deveres de conduta exigidos da magistratura.

Já em relação à ex-funcionária, o parecer aponta que, entre 2023 e 2025, Marco Buzzi teria realizado toques sem consentimento, comentários sobre atributos físicos da servidora, exibido conteúdo de teor sexual no celular e adotado comportamento ofensivo e intimidatório no ambiente de trabalho.

Defesa nega acusações

Ao longo de todo o processo, Marco Buzzi negou as acusações.

A defesa sustenta que os relatos apresentados pelas denunciantes não correspondem aos fatos e afirma que o ministro é vítima de um suposto conluio e de "fofocas de gabinete". Os advogados também apresentaram um laudo médico que aponta disfunção erétil.

Desde fevereiro deste ano, Marco Buzzi está afastado do cargo por decisão do STJ e proibido de acessar as dependências da Corte. Durante o período de afastamento, continuou recebendo remuneração enquanto o processo disciplinar era conduzido.

Julgamento segue no STJ

Após a manifestação da Procuradoria-Geral da República, caberá aos ministros do Superior Tribunal de Justiça decidir se aplicam ou não a punição máxima prevista para infrações disciplinares graves.

O julgamento ainda não foi concluído.

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