BRASIL - Uma ex-funcionária terceirizada do gabinete do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, relatou em depoimento gravado uma série de episódios de assédio sexual supostamente cometidos pelo magistrado entre 2023 e 2025. O caso está sob análise interna e pode resultar na abertura de um processo administrativo disciplinar.
O depoimento, ao qual jornalistas tiveram acesso, descreve situações recorrentes de contato físico indevido, comentários inapropriados e comportamentos considerados abusivos no ambiente de trabalho. Duas testemunhas, servidores do gabinete, confirmaram que a funcionária relatava os episódios na época em que teriam ocorrido.
Relatos detalham episódios no gabinete
Segundo a denunciante, os episódios começaram após sua entrada no gabinete, em 2022, quando passou a trabalhar como mensageira. Por conta da função, ela permanecia sozinha com o ministro por períodos prolongados no início do expediente.
Entre os relatos, estão situações como:
- Toques considerados indevidos durante atividades no gabinete
- Aproximações físicas em espaços pequenos
- Exibição de imagem de cunho sexual no celular do ministro
- Convites para encontros fora do expediente em condições consideradas inadequadas
A ex-funcionária afirma que, inicialmente, acreditou se tratar de situações pontuais, mas que os episódios se repetiram ao longo do tempo.
Testemunhas corroboram denúncias
Dois servidores do gabinete prestaram depoimento e afirmaram que a funcionária comentava os episódios enquanto ainda trabalhava no local. Segundo eles, houve tentativas internas de protegê-la, como mudanças de rotina e substituições em determinadas tarefas.
Um dos depoimentos indica que a funcionária demonstrava abalo emocional, chegando a pedir ajuda para evitar contato direto com o ministro. Outro relato aponta que os episódios foram associados a impactos na saúde da denunciante.
Caso ganhou força após nova denúncia
A denúncia formal foi apresentada neste ano, após um novo episódio envolvendo o ministro, desta vez fora do ambiente institucional. A repercussão levou à abertura de um procedimento preliminar no tribunal.
O ministro Marco Buzzi está afastado cautelarmente desde fevereiro, por decisão de seus pares no Superior Tribunal de Justiça. A Corte deve decidir, na próxima semana, se abre um processo administrativo que pode resultar em sanções, incluindo o afastamento definitivo.
Defesa contesta divulgação
A defesa do magistrado afirmou que repudia o vazamento dos depoimentos e classificou a divulgação como violação das regras de sigilo do procedimento. Segundo os advogados, a exposição seletiva de informações compromete o direito de defesa e a imparcialidade da apuração.
Ainda de acordo com a defesa, existem elementos que não foram divulgados e que poderiam alterar a interpretação dos fatos.
Próximos passos
O caso segue em análise no âmbito administrativo do tribunal. Caso seja instaurado processo formal, o ministro poderá responder disciplinarmente pelas acusações.
A decisão do Superior Tribunal de Justiça deve definir os rumos da investigação e possíveis consequências para o magistrado, em um caso que amplia o debate sobre assédio no serviço público e no sistema de Justiça brasileiro.
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