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Dino anula quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS

Decisão do ministro Flávio Dino estende anulação a todos os requerimentos votados em bloco pela CPMI do INSS no Senado

Ipolítica

Ministro Flávio Dino estendeu decisão a todos os requerimentos votados em bloco. (Rosinei Coutinho / STF)

BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu nesta quinta-feira (5) anular a quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. A decisão também estende a anulação a todos os requerimentos aprovados na mesma votação realizada pela comissão.

A medida atinge o pedido que determinava a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na decisão, o ministro apontou irregularidade na forma como os requerimentos foram aprovados pela comissão.

Com efeito, como equivocadamente houve a votação ‘em globo’ em um único momento na sessão do dia 26 de fevereiro de 2026, é impossível - inclusive em face do princípio lógico da não contradição - que o referido ato seja nulo para alguns e válido para outros”, pontuou.

Dino também afirmou que manter decisões diferentes dentro da mesma votação poderia gerar insegurança jurídica.

Tal situação geraria insegurança jurídica e intermináveis debates tanto na seara administrativa (no Banco Central e na Receita Federal), quanto na judiciária”, disse.

STF amplia decisão sobre quebra de sigilo de Lulinha

A decisão desta quinta-feira amplia entendimento adotado pelo ministro no dia anterior. Na quarta-feira (4), Dino havia anulado o requerimento que determinava a quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

Ao analisar o caso, o ministro concluiu que a votação conjunta de dezenas de requerimentos comprometeu a fundamentação individual necessária para esse tipo de medida.

Segundo Dino, as CPIs têm poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais, mas precisam justificar cada medida invasiva de forma específica.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito deve, se desejar, proceder à nova deliberação das quebras de sigilo em relação a todos os alcançados pela equivocada votação ‘em globo’ e imotivada do dia 26 de fevereiro de 2026”, analisou.

Votação da CPMI do INSS foi marcada por confusão

A votação que aprovou os requerimentos ocorreu em 26 de fevereiro durante reunião da CPMI do INSS e foi marcada por tumulto.

Os parlamentares aprovaram um bloco com 87 pedidos de investigação utilizando o método de contraste visual, quando não há contagem individual de votos.

Durante a sessão, houve forte reação de parlamentares governistas, que questionaram o procedimento adotado.

Entre os momentos de tensão registrados:

  • parlamentares se aproximaram da mesa diretora para protestar;
  • houve empurra-empurra no plenário da comissão;
  • alguns deputados trocaram socos durante a confusão.

Recurso ao Senado foi rejeitado

Após a votação, integrantes da base do governo recorreram da decisão da comissão ao presidente do Congresso Nacional.

O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, no entanto, rejeitou o pedido e manteve o resultado da votação da CPMI.

Com a decisão do STF, a quebra de sigilo de Lulinha e os demais requerimentos aprovados em bloco ficam anulados. A comissão poderá realizar nova votação caso queira reapresentar as medidas de investigação.

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