BRASIL - O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, disse a interlocutores que teve passagens aéreas e hospedagem em Portugal pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso sob suspeita de corrupção e de operar um esquema bilionário de fraudes contra aposentados.
Segundo pessoas próximas ouvidas pela reportagem, Lulinha afirmou ter viajado com Antunes no fim de 2024 para visitar uma fábrica de produção de cannabis medicinal na região de Aveiro. Ele nega ter fechado negócio com o lobista ou recebido qualquer outro tipo de pagamento.
O nome do filho do presidente é citado em depoimentos, mensagens e registros de viagem analisados pela Polícia Federal no âmbito da investigação que apura descontos indevidos e repasses suspeitos no Instituto Nacional do Seguro Social.
Além do inquérito policial, Lulinha teve o sigilo bancário quebrado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS em razão da relação com o lobista.
Aproximação e encontros
De acordo com interlocutores, Lulinha teria sido apresentado a Antunes pela empresária Roberta Luchsinger, também investigada por ter recebido pagamentos do lobista. A partir da aproximação, encontros teriam ocorrido em Brasília, inclusive na residência dela, no Lago Sul.
Antunes é apontado pela investigação como representante de entidades suspeitas de promover descontos indevidos junto ao INSS. A polícia vê indícios de que transferências a familiares de ex-dirigentes do órgão possam configurar pagamento de propina.
Viagem a Portugal
Em 8 de novembro de 2024, Lulinha e Antunes embarcaram em voo de classe executiva para Lisboa, saindo do Aeroporto de Guarulhos. A existência da viagem foi mencionada por um ex-funcionário do lobista em depoimento à PF.
Segundo interlocutores do empresário, Lulinha pretende admitir formalmente que o Careca do INSS custeou suas passagens e hospedagem. Ele afirma que recebeu convite para conhecer a fábrica de cannabis e que houve proposta para se associar ao empreendimento, mas diz que o negócio não avançou.
Documentos apreendidos pela PF indicam que Antunes firmou contrato para compra de um galpão industrial em Aveiro por 2,7 milhões de euros e chegou a pagar 100 mil euros de entrada. Os registros não citam o filho do presidente.
Defesa
Após a publicação das informações, o advogado Guilherme Suguimori Santos afirmou que os esclarecimentos serão prestados ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo a defesa, Fábio Luís:
- não tem relação com o esquema no INSS;
- só soube do envolvimento de Antunes após a divulgação pela imprensa;
- não foi sócio do lobista;
- não prestou serviços a ele;
- não recebeu valores ilícitos.
A investigação segue em andamento.
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