BRASIL - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem ajustado o tom do discurso público e das redes sociais após pesquisas internas indicarem resistência de eleitores moderados. Pré-candidato à Presidência da República, ele passou a adotar uma postura mais conciliadora e ampliou acenos a públicos como LGBTs, negros e defensores do carnaval.
Segundo aliados, o movimento busca corrigir uma percepção identificada nos levantamentos qualitativos: a associação de Flávio Bolsonaro ao militarismo — apesar de ele nunca ter seguido carreira nas Forças Armadas — e o desconhecimento de sua trajetória além da imagem de “filho de Jair Bolsonaro”.
Estratégia mira eleitores além da direita ideológica
A avaliação da equipe é que, para ser competitivo em 2026, Flávio Bolsonaro precisa dialogar com o eleitorado de centro, decisivo em disputas nacionais.
Entre os pontos apontados nas pesquisas internas estão:
- Baixo conhecimento sobre sua atuação no Senado;
- Identificação automática com o perfil do pai;
- Resistência a discursos considerados mais radicais.
A partir disso, aliados passaram a defender um movimento mais claro ao centro, com comunicação menos estridente e maior ênfase em pautas amplas.
Defesa do carnaval e combate ao racismo
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro publicou mensagens de apoio ao jogador Vinícius Júnior, após denúncia de racismo durante partida entre o Real Madrid e o Benfica.
“Não é de hoje que @vinijr tem sofrido ataques desse tipo, tanto nos gramados quanto fora dele. Não podemos nos calar e deixar o racismo silenciar um dos maiores talentos do nosso futebol. Vini, você tem todo o nosso apoio. O Brasil está do seu lado!”, escreveu o senador nas redes sociais.
O parlamentar também explorou politicamente a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva feita pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí. Inicialmente crítico ao desfile, Flávio Bolsonaro depois publicou vídeo enaltecendo o carnaval como manifestação cultural e econômica relevante.
“A gente está testemunhando o trabalho duro de milhares de pessoas: costureiras, artesãos, músicos, coreógrafos, ferreiros, pintores, carnavalescos, produtores culturais, comerciantes, profissionais do turismo, policiais. Carnaval não é só festa, é muito trabalho também. É um exemplo de como o Brasil pode ser criativo e fazer muito, mesmo com pouco. Parabéns a todos que se dedicaram o ano inteiro para que essa festa pudesse acontecer”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
No vídeo, ele citou ainda o sambódromo do Anhembi, em São Paulo, e o bloco Galo da Madrugada, em Recife, classificando o carnaval como “uma das festas mais populares do planeta”.
Acenos à comunidade LGBT
O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro compartilhou publicação de um apoiador gay afirmando que “Flávio apoia a liberdade de todos”. O senador reagiu positivamente à postagem, gesto interpretado como parte da estratégia de ampliar o diálogo com a comunidade LGBT.
Aliados também defendem que Flávio Bolsonaro realize agendas no Norte do país, com povos tradicionais, reforçando a imagem de moderação.
O senador Rogério Marinho, apontado como coordenador político da pré-campanha, nega que haja cálculo eleitoral nas mudanças. Segundo ele, o parlamentar mantém os valores da direita, mas com postura menos confrontacional.
Distanciamento do estilo do ex-presidente
O movimento de Flávio Bolsonaro contrasta com declarações polêmicas dadas por Jair Bolsonaro antes e durante seu mandato presidencial, que renderam críticas e ações judiciais relacionadas a falas sobre comunidades negra e LGBT.
Ao buscar um discurso mais moderado, Flávio Bolsonaro tenta se consolidar como alternativa competitiva dentro do campo conservador, mas com capacidade de diálogo além da base ideológica tradicional.
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