Eleições 2026

Flávio adota ‘manual’ de campanha de Bolsonaro e recicla promessas do pai

Pré-candidato tenta repetir estratégia de 2018, mas enfrenta limites de alcance digital, rejeição elevada e maior controle da Justiça Eleitoral.

Ipolítica, com informações de O Globo

Flávio adota ‘manual’ de campanha de Bolsonaro. (Divulgação)

BRASIL - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aposta na tentativa de replicar o chamado “manual Bolsonaro” na corrida pelo Palácio do Planalto, mas esbarra em obstáculos como menor alcance nas redes sociais em comparação ao pai, maior controle da Justiça Eleitoral sobre conteúdos digitais e índices elevados de rejeição. Na estratégia, o parlamentar tem reciclado promessas feitas por Jair Bolsonaro em 2018, muitas das quais não foram cumpridas durante o governo do ex-presidente.

A movimentação busca resgatar os pilares da campanha vitoriosa de Bolsonaro em 2018, quando rompeu padrões do marketing político tradicional, e incorpora elementos da tentativa frustrada de reeleição em 2022. Entre os eixos estão a comunicação direta pelas redes sociais, estímulo a doações pulverizadas, mobilização de rua e uso de símbolos voltados ao eleitorado conservador e religioso.

Estratégia repete fórmula do bolsonarismo

Aliados afirmam que a diferença em relação às campanhas anteriores está na tentativa de profissionalizar a operação e corrigir erros apontados nos últimos ciclos eleitorais, como falhas de coordenação, pouca presença no Nordeste e fragilidades no discurso econômico.

Em 2018, com tempo reduzido na televisão, Bolsonaro concentrou esforços nas redes sociais, especialmente no WhatsApp, beneficiado por um ambiente de baixa regulação das plataformas digitais e pela rejeição à política tradicional. Já em 2022, no exercício do mandato, a estratégia foi adaptada, com migração parcial para o Telegram, intensificação de lives e fortalecimento de atos de rua, como motociatas.

É esse repertório que Flávio tenta reencenar. O senador ampliou a frequência de transmissões ao vivo no YouTube, em formato semelhante ao adotado por Jair Bolsonaro durante a Presidência. Nos bastidores, a tática é tratada como uma atualização do “manual Bolsonaro”.

Agenda religiosa e articulação política

Segundo o senador, a coordenação da pré-campanha deve avançar após seu retorno de viagem internacional.

“Quando voltar de viagem, vou sentar com Rogério Marinho para bolar as estratégias daqui para frente. Nosso primeiro evento deve ser em São Paulo” afirmou Flávio.

No giro pelo exterior, ele passou por Israel, onde foi batizado no rio Jordão e participou da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, com presença do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Aliados interpretam a viagem como uma tentativa de reforçar a identidade religiosa do pré-candidato, dialogar com o eleitorado evangélico e sinalizar alinhamento com pautas internacionais da direita.

Promessas recicladas e entraves eleitorais

Flávio tem retomado promessas feitas por Bolsonaro em 2018 que não avançaram durante o governo, como:

  • transferência da embaixada brasileira de Israel para Jerusalém;
  • redução da maioridade penal;
  • ampliação do excludente de ilicitude.

Apesar do esforço para imprimir ritmo à pré-campanha, aliados reconhecem entraves relevantes. Um deles é a estrutura digital. Enquanto Jair Bolsonaro soma cerca de 27 milhões de seguidores no Instagram, Flávio tem pouco mais de 8 milhões, ante 14,4 milhões do presidente Lula.

A avaliação interna é de que a força orgânica do bolsonarismo, isoladamente, não sustenta uma campanha nacional competitiva. Soma-se a isso o aperto das regras da Justiça Eleitoral, que já retirou conteúdos do ar em 2022 e discute novas normas para 2026, incluindo diretrizes para o uso de inteligência artificial.

Rejeição e disputa na direita

Flávio também enfrenta dificuldades para montar palanques estaduais robustos e busca um marqueteiro capaz de reduzir sua rejeição. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês apontou queda no índice dos que dizem não votar nele “de jeito nenhum”, de 60% para 55%, mas o percentual segue acima do registrado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto por setores da direita como alternativa mais competitiva.

“Vamos potencializar os acertos e tentar não repetir os erros. A eleição de 2022 foi decidida por menos de dois pontos percentuais. Temos um laboratório recente” afirmou o senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha.

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