POSSE

Simone Tebet promete colocar o brasileiro no orçamento ao assumir Planejamento

Em discurso nova ministra pregou responsabildade fiscal, reconheceu divergências com equipe econômica do governo Lula, mas prometeu trabalho em sintonia.

Ipolitica

Atualizada em 05/01/2023 às 16h08
Simone Tebet e Lula (Ricardo Stuckert)

BRASÍLIA- A senadora Simone Tebet (MDB-MS) assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento nesta quinta. Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, a parlamentar reconheceu divergências com os demais integrantes da equipe econômica do governo, no entanto prometeu trabalho em sintonia e disse que sua missão é “colocar o brasileiro no Orçamento”.

Durante seu discurso, Tebet buscou frisar as necessidades da população por políticas públicas em direção à inclusão social e ao combate às desigualdades, mas ao mesmo tempo sem comprometer a saúde das contas públicas. “O nosso papel, do Ministério do Planejamento, sem descuidar, em nenhum momento, da responsabilidade fiscal, dos gastos públicos e da qualidade desses gastos, é colocar o brasileiro no orçamento”, destacou.

“Quando o presidente Lula dá sua ordem e lança uma missão para todos nós que se cumpra a Constituição, o que ele está dizendo é que ele quer o povo brasileiro nas políticas públicas e no Orçamento. A ordem que recebi do presidente Lula é que a Constituição saia das prateleiras frias e dos discursos vazios e que nós possamos colocar as propostas do seu governo, do nosso governo, no nosso programa”, disse a ministra. 

Divergências com Haddad 

Simone Tebet fez questão de reconhecer as divergências com a equipe econômica comandada por Fernando Haddad, no entanto prometeu sintonia com seus novos colegas de Esplanada. O time, segundo ela, terá o desafio de “apresentar as propostas certas para não faltar orçamento e dinheiro para as políticas públicas”. “Seremos quatro, um quarteto a favor do Brasil”, pontuou.  

De acordo com a senadora, a ideia inicial não era aceitar um ministério no governo Lula e se disse surpresa com o convite para assumir o Planejamento, segundo ela a necessidade de contribuir de forma efetiva para cumprir suas promessas de campanha além de  a importância da presença da frente ampla, num país dividido ao meio, foram o que lhe fizeram mudar de ideia. 

O que me moveu foi a certeza de que tudo o que nos une é infinitamente maior do que aquilo nos separa: a defesa da democracia e o sonho da cidadania para todos os brasileiros. Isso somente é possível com um crescimento econômico duradouro e sustentável que gere emprego e renda para os brasileiros e que tire o Brasil do mapa da fome”, prosseguiu.

Trajetória 

Simone Tebet, 52 anos, é formada em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi deputada estadual, prefeita de Três Lagoas (MS), vice-governadora de Mato Grosso do Sul e atualmente é senadora, seu mandato se encerra em fevereiro. Sendo candidata em 2022 a presidência da república ficou em terceiro lugar, com 4,16% dos votos válidos (ou mais de 4,9 milhões de votos), logo  teve papel decisivo no segundo turno das eleições, quando apoiou Lula na corrida presidencial. O convite para a pasta havia sido feito pelo petista em 23 de dezembro. A senadora comunicou a decisão de aceitá-lo dias depois. 

Como senadora Tebet foi a primeira mulher a ser presidente da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), principal comissão da Casa, e também a primeira a se candidatar para Presidência do Senado, em 2021. Neste ano, também se tornou a primeira senadora a assumir a liderança da bancada feminina da Casa Alta. 

Na equipe de transição do governo Lula, Tebet coordenou o grupo de trabalho do Desenvolvimento Social. Foi uma das cotadas para assumir a pasta. Lula, porém, indicou o ex-governador do Piauí Wellington Dias (PT) para o ministério –que tem como uma de suas atribuições o programa Auxílio Brasil, que voltará a se chamar Bolsa Família– sob controle petista.

Durante a posse de Lula no último domingo (1°) a nova ministra do Planejamento fez duas críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos quatro anos, faltou vacina, faltou comida, faltou remédio, faltou emprego, faltou educação e cultura. Faltou sustentabilidade. Faltou vida. Foi negado a uma parte significativa da população brasileira dignidade e cidadania. 33 milhões de pessoas passam fome; 125 milhões estão com algum grau de desnutrição ou insegurança alimentar; mais de 5 milhões de brasileirinhos vão dormir esta noite com estômago vazio; 40 milhões de empregos informais sem qualquer segurança de futuro, além de 5 milhões de desalentados, porque já não têm mais esperança de encontrar uma vaga de emprego”, continuou.

Tebet fez questão de destacar a necessidade da frente ampla, que foi construída durante a campanha que ajudou ao lado de sua legenda o MDB na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. 

Sinalizações sobre a pasta 

O novo ministério do Planejamento e Orçamento que durante o governo Jair Bolsonaro foi incorporado ao extinto Ministério da Economia, pretende ser multidisciplinar, compreensiva e horizontal da realidade segundo a titular da pasta.

Seremos alicerce, como base de suporte para todos os ministérios, o que significa diagnósticos bem elaborados, objetivos bem definidos, metas factíveis, estratégias condizentes com fontes garantidoras de financiamento, seja no orçamento público, seja por meio de parcerias com a iniciativa privada, bem como avaliações periódicas que retroalimentam todas as outras fases”, continuou. A pasta ficará responsável também pela gestão de importantes empresas públicas, como o IBGE e o Ipea.

Tebet prometeu uma combinação de austeridade e conciliação. “O cobertor é curto. Segundo ela não temos margem para desperdícios ou erros. Definidas as prioridades por cada ministério, caberá ao Ministério do Planejamento, em decisão técnica e política com as demais pastas econômicas e com o presidente Lula, o papel de enquadrá-las dentro das possibilidades orçamentárias”, disse. 

A nova ministra também pontuou ser importante avançar no debate sobre a reforma tributária no país e indicou como prioridade a formulação de um plano nacional de desenvolvimento regional. “É preciso atacar as desigualdades sociais e regionais que tanto nos envergonham. É inadmissível que, como expressão maior dessa nossa dívida, continuemos nesta situação vergonhosa em que a cara mais pobre do Brasil seja a de uma mulher, negra e nordestina”, afirmou.


 

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.