Duas semanas desaparecidos

Tentativa de chegar a pé de maracujá marcou trajeto de crianças desaparecidas

Ainda segundo relato de Anderson Kauã, em nenhum momento as crianças estavam acompanhadas por um adulto durante a trilha percorrida.

Imirante, com informações da TV Globo

Buscas por crianças entram no 16º dia. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

BACABAL – Um dos relatos apurados durante as investigações do desaparecimento das crianças em Bacabal indica como elas podem ter se perdido na mata. Segundo Anderson Kauã, o menino resgatado no último dia 7, o grupo seguia em direção a um pé de maracujá quando, no meio do caminho, encontrou um tio, que o orientou a voltar.

As informações foram divulgadas pelo delegado-adjunto de Apoio Operacional, Éderson Martins, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo. Ainda conforme o relato, Anderson decidiu entrar na mata pelo lado contrário para tentar dar a volta e chegar ao local sem ser visto. Durante esse trajeto, as crianças teriam se perdido na área de vegetação.

No hospital, Kauã é acompanhado por psicólogoa e também pelo Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA).

Crianças desaparecidas: buscas seguem em Bacabal. (Foto: Divulgação)

Mais detalhes sobre o trajeto

Kauã deu mais pistas. Segundo ele, em nenhum momento as crianças estavam acompanhadas por um adulto durante a trilha percorrida na região de mata. O menino também relatou que, ao longo do caminho, o grupo não encontrou frutas para se alimentar.

Ainda conforme o relato, eles passaram por uma casa abandonada, a chamada casa caída. A versão apresentada foi reforçada pelo trabalho de cães farejadores, que identificaram o cheiro das crianças no local, confirmando a passagem delas pela área.

As informações estão sendo analisadas pelas equipes. As buscas pelas crianças Ágata Isabelle, de seis anos, e Allan Michael, de quatro anos, chegaram ao 16º dia nesta segunda-feira (19), nos arredores do povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. As equipes enfrentaram dificuldades adicionais após a chuva na região.

Crianças desapareceram no dia 4 de janeiro. (Arte: Reprodução/TV Globo)

Casa caída

Trata-se de um abrigo simples, feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha. A estrutura fica no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão.

De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, onde as crianças desapareceram há 13 dias. O local, que pode servir como ponto de parada para pescadores, fica à margem do rio Mearim. Dentro da estrutura foram encontrados um colchão, botas e um banco.

O local está a aproximadamente 12 km do ponto do desaparecimento, levando em consideração obstáculos como trilhas, lagoas e áreas de mata.

“Chamei e ninguém respondeu”, diz avó de crianças desaparecidas em Bacabal

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, a avó das crianças, Francisca Cardoso, contou que percebeu a ausência dos netos ainda pela tarde.

Área de buscas pelas crianças desaparecidas

Com o passar dos dias, a área de buscas foi ampliada e organizada. Um espaço superior a quatro quilômetros quadrados foi dividido em 45 quadrantes, percorridos por equipes que compartilham a localização em tempo real por meio de aplicativos de celular.

Side Scan Sonar: veja como funciona o equipamento usado nas buscas

Os militares utilizam equipamentos como o side scan sonar, tecnologia capaz de gerar imagens do fundo de rios e lagos. As buscas também avançam pelo Rio Mearim e por um lago da região, com apoio de lancha voadeira e motoaquática.

Sonar faz ‘raio‑x’ do fundo do rio e orienta mergulhadores. (Foto: Divulgação/SSP-MA)

A Marinha solicitou que o número de embarcações na área das buscas fosse reduzido para aumentar a eficiência das operações. As equipes devem permanecer na região por 10 dias, com possibilidade de prorrogação.

De acordo com a Marinha, o sonar pode apontar:

  • Objetos submersos: embarcações afundadas, galhos e detritos.
  • Mudanças no terreno: buracos ou elevações no fundo do rio.
  • Substâncias na água: óleo ou resíduos.
  • Alterações de visibilidade: trechos com turbidez ou neblina subaquática.

 

“A gente consegue ver a coluna d'água e o leito ali com uma imagem muito nítida, muito perfeita, independentemente da turbidez, se a água é clara ou escura”, disse o capitão Simões Júnior, da Capitania dos Portos do Maranhão.

O equipamento já foi utilizado em outras operações de resgate de grande porte, como no desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek (Ponte JK), entre os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA).

Duas cianças seguem desaparecidas em Bacabal. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

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