O Mestre

Há dez anos sem o cantor, compositor e percussionista Papete

Para celebrar a música e a memória do saudoso músico maranhense, ouça entrevista gravada com ele em 21 de maio de 2015, no Plugado, na Mirante FM

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 26/05/2026 às 21h34

Há dez anos José de Ribamar Viana, conhecido mundialmente por Papete, maranhense, natural do município de Bacabal, partiu para o andar de cima, aos 68 anos, deixando para os amantes da música brasileira feita com essência um legado atemporal. Hoje é dia de celebrar a música e a memória deste ilustre maranhense. Leia resenha sobre o disco Bandeira de Aço

Papete partiu deixando legado significativo para a música brasileira. Foto: Divulgação

Papete foi cantor, compositor e percussionista que ecoou os sons do Maranhão ao longo da carreira iniciada na década de 1960, quando ainda era adolescente, numa rádio de São Luís (MA). Embora tenha se radicado na cidade de São Paulo (SP) no fim dos anos 1960, Papete permaneceu em cena como um ativista propagador da música e da cultura do Maranhão em discos, shows, livros e oficinas.

O início da trajetória profissional do artista foi como cantor, ainda em São Luís (MA), mas, na sequência, Papete logo virou compositor. Em 1967, aos 20 anos de vida, compôs a primeira música, O Bonde, que somente seria gravada 13 anos depois, pelo próprio artista, no álbum Água de coco (Discos Marcus Pereira, 1980). Mas, foi como percussionista que o som de Papete extrapolou as fronteiras do Brasil, tendo sido ouvido em escala planetária. Na década de 1980, o artista chegou a ser apontado como um dos melhores percussionistas do mundo, tendo participado como músico de aclamado álbum da cantora italiana Ornella Vanoni (Uomini, CGD, 1983). Dentro do universo percussivo, Papete se especializou no toque do berimbau.

Mas tocava outros instrumentos de percussão e era também baterista. Mago do berimbau e dos tambores, Papete tocou em discos de grandes nomes da música brasileira como Chico Buarque, Francis Hime e Ney Matogrosso, entre outros. Com Toquinho, a quem Papete conheceu em 1970 quando tocava na casa paulistana Jogral, o percussionista viajou o mundo em turnês.

Contudo, embora tenha sido sempre requisitado desde os anos 1970 para tocar em discos e shows alheios, Papete construiu a própria obra autoral e uma discografia solo que nunca perdeu de vista a origem maranhense do artista. Iniciada há 41 anos com a gravação e edição do álbum Berimbau e percussão (Discos Marcus Pereira, 1975), essa discografia inclui títulos importantes como Bandeira de aço (Discos Marcus Pereira, 1978) e o já mencionado Água de coco.

Editada por gravadoras nacionais e selos independentes, a obra fonográfica de Papete abrange títulos pela extinta gravadora Continental - Planador e Rompendo Fogo, de 1981 e 1990, respectivamente - e chega aos anos 2000, década em que o artista lançou o álbum Jambo (CPC-UMES, 2003), e à presente década de 2010.

O último disco oficial em vida do mestre maranhense Papete foi "Senhor José", lançado em 2013. O álbum homenageia o bumba meu boi, tradicional manifestação cultural do Maranhão.

Nesta terça-feira (26), um registro histórico inédito chamado "Caburé" é lançado. Gravado ao vivo no fim dos anos 90, na Livraria Poeme-se, em São Luís, o álbum traz uma apresentação de Papete ao lado do percussionista Luiz Cláudio e do músico suíço Thomas Rohrer, unindo a tradição rítmica maranhense à música instrumental europeia.

Amos e poetas do bumba meu boi

A obra "Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão", lançada em 2015, é um projeto multimídia criado pelo renomado músico e pesquisador maranhense Papete. O trabalho é um registro fundamental para a preservação da maior manifestação cultural do Estado.

E foi sobre este disco que trocamos ideia, no Plugado, na Mirante FM, em 21 de maio de 2015. O mestre da percussão conversou sobre sua trajetória musical e a valorização, salvaguarda, pertencimento da cultura popular maranhense. Clique aqui e ouça a entrevista com Papete, no Plugado, na Mirante FM.

Prêmio Papete

Papete é tão inspirador que acabou legitimado por um prêmio que leva o seu nome como uma maneira encontrada pela Interart, leia-se Emanoel Jesus e Ellen Soares, com a chancela de Giselle Paiva, viúva do músico, para contemplar os músicos maranhenses pelo reconhecimento de que fazer independente é para os fortes.

“O Prêmio Papete, da Festa da Música no Maranhão – FMM, se tornou o maior reconhecimento da música no Maranhão, celebrando quem abriu caminhos e também quem chega com vontade de fazer acontecer. Uma homenagem viva ao legado de Papete, que transformou a música e cultura do estado em força, identidade e inspiração", elogia. "Em sete edições, mais de 250 homenageados já tiveram suas trajetórias reconhecidas entre artistas, mestres da cultura popular, grupos, projetos, programas e iniciativas que mantêm pulsando a alma musical do Maranhão. E vem aí uma nova edição, ainda mais especial, da FMM 2026, celebrando a força, a memória e o futuro da nossa música” assegura Emanoel Jesus. 

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