BRASIL - A CBF anunciou, nesta terça-feira (27), o programa de profissionalização da arbitragem brasileira, que passará a vigorar já na temporada 2026, inicialmente nos jogos do Campeonato Brasileiro da Série A. O anúncio ocorreu no mesmo dia da terceira reunião do grupo de trabalho da arbitragem, realizada na sede da entidade, no Rio de Janeiro, às vésperas do início do Brasileirão.
A medida marca um avanço histórico no futebol nacional e tem como objetivo modernizar a arbitragem a partir das melhores práticas adotadas no cenário internacional.
Reunião da CBF discute avanços na arbitragem
A terceira reunião do grupo de trabalho da arbitragem reuniu representantes dos clubes das Séries A e B, especialistas nacionais e internacionais e entidades ligadas ao futebol brasileiro.
Participaram do encontro:
- Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol)
- STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva)
- Abrafut (Associação Brasileira dos Árbitros de Futebol)
- Anaf (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol)
- CBF Academy
Desde a criação do grupo, em 10 de outubro, a CBF promove debates focados na profissionalização da arbitragem, educação continuada e investimentos em tecnologia.
Programa começa com 72 profissionais contratados
O programa de profissionalização da arbitragem terá início em 1º de março de 2026 e contará, neste primeiro ano, com a contratação de 72 profissionais, distribuídos da seguinte forma:
- 20 árbitros principais
- 40 árbitros assistentes
- 12 árbitros de VAR
Esses profissionais serão responsáveis por atuar nas 380 partidas do Campeonato Brasileiro da Série A, podendo também ser escalados eventualmente para jogos da Copa do Brasil e rodadas decisivas da Série B.
Contratos, salários e critérios de escolha
Os árbitros terão contrato de trabalho com duração de um ano, firmados a partir de fevereiro, e serão contratados como pessoa jurídica. A CBF não exigirá dedicação exclusiva, mas sim prioridade para as atividades relacionadas à arbitragem.
A remuneração será composta por:
- Salário fixo mensal
- Pagamento por partida
- Bônus por desempenho
A CBF não divulgará os valores individuais, mas a média salarial será de cerca de R$ 13 mil mensais, enquanto árbitros principais poderão receber valores acima de R$ 30 mil fixos, além das variáveis.
Critérios para escolha dos árbitros
A seleção dos 72 primeiros profissionais obedeceu a três critérios principais:
- Ser árbitro Fifa ou CBF
- Maior número de escalas na Série A em 2024 e 2025
- Nota média nas avaliações de desempenho da CBF nas temporadas 2024/2025
Modelo segue referências internacionais
O programa de profissionalização da arbitragem foi desenvolvido a partir de estudos de modelos adotados em países como Alemanha, Inglaterra e Espanha, além de experiências da América Latina, como o México.
A CBF criou o grupo de trabalho em novembro do ano passado, com participação de 38 clubes das Séries A e B, embora o envolvimento direto tenha sido menor: 15 clubes da Série A e 9 da Série B responderam ao formulário enviado pela entidade.
Eixos do programa de profissionalização
O projeto da CBF está estruturado em quatro pilares principais:
Remuneração
- Salário fixo
- Pagamento variável por jogo
- Bônus por desempenho
- Auxílio-academia e serviços vinculados à atividade
Excelência física e saúde
- Rotina semanal de treinos
- Monitoramento por smartwatches (kit exclusivo da CBF)
- Acompanhamento com nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas
- Quatro avaliações físicas anuais, que podem vetar árbitros temporariamente das escalas
Capacitação técnica
- Imersões mensais
- Aulas teóricas e práticas
- Treinamento de tomada de decisão
- Padronização de critérios
- Análise de lances polêmicos e desempenho por rodada
Tecnologia e inovação
- Estreia do VAR semiautomático (sem data definida)
- Implementação da refcam, câmera acoplada ao árbitro para análise de comportamento e controle de reações em campo
Ranking interno e promoções
A CBF também utilizará um ranking interno de desempenho, com base em avaliações de observadores e da comissão de arbitragem, para promover árbitros com melhor rendimento e “rebaixar” aqueles com desempenho inferior.
Esse ranking não será público.
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