Por Memória, verdade, Justiça e Cinema para todo povo brasileiro
Destaque para os atores Fernanda Torres, Wagner Moura, além dos filmes Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto
Em vez de celebrarmos de maneira uníssona a vitória da cultura brasileira, em especial, do cinema produzido em nosso território, alguns preferem torcer contra. Realmente, o Brasil vive tempos sombrios e desconfortável para a civilização. Vamos falar de circulação, intercâmbio cultural, constatar que o mundo não gira em torno de paranoias. Vamos falar de liberdade de expressão, sem polarização, sem mágoas, sem humilhar, sem querer se sentir melhor ou pior que ninguém, mas como algo para iluminar à escuridão.
Pare pra pensar: por dois anos consecutivos, filmes brasileiros que falam da nossa história, das nossas feridas e das nossas tragédias ganharam destaque no Globo de Ouro. E isso não é coincidência. Enquanto muitos brasileiros preferem fingir que certos capítulos nunca existiram, o mundo está olhando para o Brasil e dizendo: essa história importa.
Wagner Moura e Fernanda Torres não levaram apenas prêmios. Levaram luz para fora do país sobre uma realidade que aqui ainda tenta ser silenciada, relativizada ou apagada. Ao falar do que representa o filme 'O Agente Secreto', Wagner Moura disse que o trauma passa por gerações. Mas os valores também. Se a gente fala sobre as feridas políticas com arte, isso se propaga onde nem imaginamos.
Filmes como 'Ainda Estou Aqui' e 'O Agente Secreto' incomodam justamente porque obrigam a encarar o que muitos preferem varrer para debaixo do tapete. E talvez por isso sejam mais reconhecidos lá fora do que aqui dentro.
Tanto Wagner Moura, assim como Fernanda Torres, e todos que compõem os elencos dos dois filmes brasileiros se tornaram conhecidos mundialmente, não apenas como atores, atrizes e diretores, mas também como cidadãos engajados em melhorar o mundo em que vivemos, proposto nos dois longas que respiram a atmosfera de um Brasil de um passado tenebroso, mas falando diretamente ao presente, sobre vigilância, medo, tortura e esquecimento.
O cinema brasileiro tem levado o nosso país e o mundo a refletirem sobre si mesmos. Têm nos feito pensar por conta própria com criticidade e desconstrução de "bolhas". Quando vejo o cinema brasileiro premiado internacionalmente, sinto a mesma sensação do jornalista Leonardo Sakamoto: "é o Brasil curando suas feridas, com a cultura exercendo o seu papel transgressor e transformador, pois amar o Brasil não significa dizer amém a líderes de massa descompromissados com a essência humana. Isso se chama subserviência. Amar o Brasil também não significa bater continência para política do "Pão e Circo". Vejo meritocracia com verdade e frescor.
Cinema: arte, democracia e povo
Em resumo, o cinema brasileiro marcou mais um gol de placa. Está de Parabéns. Agora, sejamos sinceros: a arte, em especial o cinema, ainda é um privilégio para poucos no Brasil. E como diz Ferreira Gullar: "A arte existe porque a vida não basta". E mais, 'A arte tem que ir aonde o povo está', verso icônico da música "Nos Bailes da Vida", de Milton Nascimento e Fernando Brant, que simboliza a conexão essencial entre o artista e seu público, destacando que a arte deve refletir a realidade popular, estar presente nas suas lutas, alegrias e, fomentada, gratuitamente, ou por tarifa social, nos becos, ruas, ruelas, periferias, nos lugares mais simples deste Brasil, para ter sentido e verdade, sendo um hino à persistência e à identificação com às massas deste país.
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