Troca de Ideia

O Ritual da Menina Moça tem pré-estreias no Território Indígena Araribóia e São Luís

A pré-estreia será neste sábado, dia 7 de fevereiro, no Território Indígena Araribóia, onde o ritual é realizado e se mantém vivo há gerações. E no dia 12 de fevereiro (quinta-feira), às 19h, em São Luís

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 03/02/2026 às 23h32

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Maranhão, o Ritual da Menina Moça do povo Tenetehara será celebrado com duas pré-estreias do documentário “Wyra’u Haw – O Ritual da Menina Moça”.

Taciano Brito, cineasta e fotógrafo, e Flávia Bittencourt, cantora e compositora, no Plugado, na Mirante FM. Foto: Divulgação

A primeira acontece neste sábado, dia 7 de fevereiro, no Território Indígena Araribóia, onde o ritual é realizado e se mantém vivo há gerações. A segunda será realizada em São Luís, no dia 12 de fevereiro (quinta-feira), às 19h, em sessão exclusiva para convidados, seguido de bate-papo com realizadores, na Sala de Cinema do Sesc Deodoro.

Taciano Brito e Flávia Bittencourt no quadro Troca de Ideia, no Plugado, na Mirante FM. Foto: Divulgação

A programação das pré-estreias contará com a estreia do clipe musical “Anauê”, da cantora Flávia Bittencourt, gravado no Território Indígena Araribóia durante o processo de realização dos filmes.

A canção é uma homenagem aos povos indígenas, celebrando o amor, a união e o encontro entre culturas, e dialoga diretamente com o território e suas comunidades. O clipe será exibido pela primeira vez nas sessões e, posteriormente, lançado nas redes sociais da artista, ampliando o alcance das imagens, das paisagens e das narrativas construídas em parceria com o povo Tenetehar.

Ao reunir cinema, música, formação e território em uma mesma programação — no território indígena e na capital — as pré-estreias reafirmam o audiovisual como ferramenta de memória, encontro e continuidade, fortalecendo o audiovisual maranhense e ampliando o protagonismo indígena na construção e circulação de suas próprias narrativas.

Taciano Brito e Flávia Bittencourt numa troca de ideia com o jornalista Pedro Sobrinho, no Plugado, na Mirante FM. Foto: Divulgação

Territórios e Conexões

A pré-estreia no território reafirma o compromisso ético da obra, garantindo que o primeiro público do filme seja a própria comunidade que mantém o ritual vivo. Já a sessão em São Luís amplia o diálogo com o público urbano, institucional e cultural, aproximando a capital das narrativas construídas a partir do território indígena.

O filme é uma produção da Studio A com coprodução da Katufilm, duas produtoras maranhenses com forte atuação no audiovisual cultural e socioambiental, em parceria com o Instituto Tukàn, organização indígena referência na defesa do território, da cultura e da educação do povo Tenetehar.

A direção é assinada por Taciano Brito, fotógrafo e cineasta documentarista com trajetória consolidada no cinema maranhense, responsável por uma produção contínua voltada às temáticas culturais, socioambientais e indígenas — e que em 2026 lançará quatro filmes — e por Silvio Guajajara, liderança indígena e presidente do Instituto Tukàn, que realiza aqui seu segundo filme como diretor, o primeiro foi o documentário “Tukàn – A Semente Plantada”.

“Wyra’u Haw – O Ritual da Menina Moça” é um média-metragem documental, contemplado pela Lei Paulo Gustavo, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, no âmbito das políticas públicas de fomento ao audiovisual e de valorização do patrimônio cultural brasileiro. O filme conta ainda com o apoio do Governo do Estado do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, da empresa Virtú Ambiental, do Sesc e com a parceria institucional do Instituto Tukàn.

Um ritual ancestral, coletivo e vivo

O Wyra’u Haw é um dos rituais mais importantes do povo Tenetehar (Guajajara). Ele marca a passagem da menina para a vida adulta e simboliza um momento profundo de aprendizado, espiritualidade, responsabilidade e pertencimento coletivo. Mais do que um rito individual, é um acontecimento comunitário que envolve mulheres, famílias, cantos tradicionais, pinturas corporais, alimentação ritualística e a presença espiritual dos encantados.

No filme, o público acompanha não apenas as etapas do ritual, mas também os caminhos que o antecedem e o sustentam — como a caçada realizada no coração da floresta, onde os homens entram mata adentro para buscar os animais que farão parte da celebração, em um gesto de respeito, equilíbrio e conexão profunda com a natureza. São imagens que revelam a relação ancestral entre corpo, território e espiritualidade.

Durante o ritual, a jovem passa por um período de resguardo e preparação, conduzido principalmente pelas mulheres mais velhas da comunidade — guardiãs dos saberes ancestrais que estruturam a vida social, cultural e espiritual do povo Tenetehar. Cada gesto, canto e silêncio carrega significados ligados ao território, à floresta e à continuidade da cultura.

O reconhecimento do Ritual da Menina Moça como Patrimônio Cultural Imaterial reafirma sua relevância não apenas para os povos indígenas, mas para a identidade cultural do Maranhão e do Brasil.

Cinema construído no tempo da escuta

Gravado desde 2018, o documentário nasce de uma relação continuada com as comunidades do território Araribóia, construída com escuta, respeito e confiança. O filme acompanha o ritual e o cotidiano das aldeias, revelando não apenas a força simbólica do Wyra’u Haw, mas também o contexto de resistência cultural, territorial e espiritual vivido pelo povo Tenetehar.

Sessão especial com exibição de dois filmes

Além da pré-estreia de “Wyra’u Haw – O Ritual da Menina Moça”, as sessões contarão com a exibição do documentário “Tukàn – A Semente Plantada”, obra que marca o primeiro trabalho de Silvio Guajajara como diretor, com codireção de Taciano Brito.

Produzido pelas mesmas Studio A e Katufilm, em parceria com o Instituto Tukàn, o filme conta a história do início da Universidade Indígena, destacando o surgimento de um projeto educacional pioneiro no mundo, criado a partir do protagonismo indígena, da luta pelo território e da valorização dos saberes tradicionais como base para uma educação própria, intercultural e comunitária. O documentário tem como personagens centrais as lideranças Silvio Guajajara e Fabiana Guajajara e foi realizado por meio de recursos da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Maranhão, com patrocínio da Equatorial e da Fribal.

A exibição conjunta dos dois filmes estabelece um diálogo potente entre rito, território, educação e futuro, revelando diferentes dimensões da resistência e da construção coletiva do povo Tenetehar.

Serviço | Pré-estreia

Evento: Pré-estreia dos documentários:

- Clipe - Anauê (Flávia Bittencourt) (3 min)
- Tukàn - A semente plantada (20 min)
- Wyra’u Haw - O ritual da menina moça (35 min)
- Bate-papo com realizadores (30 min - 45 min)

(EXIBIÇÃO EM ARARIBÓIA)
Data: Sábado, 7 de fevereiro
Horário: 19h
Local: Sede do Instituto Tukàn
Endereço: Território Indígena Araribóia – Maranhão, Próximo a aldeia Lagoa Quieta
(EXIBIÇÃO EM SÃO LUÍS)
Data: Quinta-feira, 12 de fevereiro
Horário: 19h
Local: Cinema Sesc (Sesc Deodoro)
Endereço: Av. Silva Maia, 164, no Centro de São Luís - MA

Atividade complementar:

Sessão seguida de bate-papo com lideranças indígenas, realizadores, integrantes da equipe dos filmes e jovens cineastas indígenas que participaram do processo formativo durante a realização das obras.
Informações para a imprensa

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.