SÃO LUÍS – Quem circula pelo Centro de São Luís em dias quentes pode sentir o calor por mais tempo do que em outras áreas da cidade. Uma pesquisa maranhense identificou diferenças importantes no conforto térmico entre o Centro e a Avenida Litorânea, com condições mais desconfortáveis na área central da capital.
Publicado na Revista Brasileira de Geografia, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo aponta que o Centro registra, em média, oito horas diárias na condição classificada como “muito calor”. Na Avenida Litorânea, esse período cai para cerca de três horas e meia, uma diferença de quatro horas e meia.
A pesquisa foi realizada pela professora Maria Iranilde Almeida Costa Pinheiro, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e Juarez Mota Pinheiro, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Os pesquisadores investigaram como a temperatura, a umidade e a velocidade dos ventos mexem com a sensação térmica na cidade.
Ventos ajudam a explicar sensação de calor
Para comparar as duas áreas, os pesquisadores instalaram equipamentos de monitoramento nas proximidades da Biblioteca Pública Benedito Leite, no Centro, e do Círculo Militar, na Avenida Litorânea. As medições foram realizadas em cinco etapas, com registros meteorológicos durante períodos de 24 horas.
A análise utilizou o índice de Temperatura Equivalente Fisiológica (PET, na sigla em inglês), uma ferramenta internacional que considera diferentes variáveis para avaliar como o corpo humano percebe as condições térmicas em ambientes externos.
Um dos principais resultados foi a diferença na velocidade média dos ventos. No Centro, os registros ficaram em torno de 0,5 metro por segundo. Na Avenida Litorânea, chegaram a 3,5 metros por segundo.
Essa circulação mais intensa do ar contribui para a troca de calor do corpo com o ambiente e ajuda a explicar por que a região próxima ao mar apresentou condições mais favoráveis de conforto térmico.
Centro têm menos horas de conforto térmico
O levantamento também identificou uma diferença no tempo em que as condições foram consideradas confortáveis. No Centro de São Luís, a média foi de aproximadamente oito horas. Na Avenida Litorânea, chegou a 14 horas, seis horas a mais.
O índice PET reforçou essa diferença entre os locais. Na região central, o valor médio foi de 30,7°C, enquanto na Litorânea ficou em 26°C. A diferença de 4,7°C indica condições térmicas menos favoráveis no Centro durante os períodos analisados.
Os resultados mostram que a sensação de calor não depende apenas da temperatura registrada nos termômetros. A circulação do ar e as características dos espaços urbanos também interferem no conforto de quem caminha, trabalha ou realiza atividades ao ar livre.
Pesquisa pode ajudar no planejamento urbano
Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância de considerar o clima na organização das cidades. Medidas como ampliar áreas verdes, investir em arborização, preservar espaços naturais e planejar melhor as áreas públicas podem contribuir para reduzir o desconforto térmico.
Em uma cidade de clima tropical quente e úmido como São Luís, compreender como o vento e a ocupação urbana influenciam a sensação de calor pode ajudar a orientar intervenções que tornem os espaços públicos mais agradáveis.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.