Rede de proteção

Plataforma reúne informações sobre violência doméstica para mulheres do Coroadinho, em São Luís

Ferramenta também realiza pesquisa anônima para mapear situações de violência vivenciadas por moradoras da comunidade.

Imirante.com

A plataforma digital pode ser acessada gratuitamente pela internet. (Foto: divulgação / assessoria)

SÃO LUÍS - Mulheres do Coroadinho, em São Luís, agora têm acesso a uma plataforma digital com informações sobre violência doméstica, direitos e serviços da rede de proteção. A ferramenta também disponibiliza uma pesquisa anônima que busca identificar como diferentes formas de violência são vivenciadas pelas moradoras da comunidade.

A iniciativa foi lançada nesta semana no Centro Administrativo do Tribunal de Justiça do Maranhão e já está disponível na internet. A plataforma foi criada pela Casa das Pretas, espaço de atuação do Coletivo Mulheres Negras da Periferia.

Um dos principais recursos é o questionário destinado a reunir informações sobre a realidade das mulheres do Coroadinho. Segundo a organização, a participação é totalmente anônima e não exige o fornecimento de nome, e-mail ou outros dados que permitam identificar quem responde.

“Essa plataforma nasce de uma necessidade que a gente percebe no dia a dia. Muitas mulheres vivem situações de violência, mas nem sempre sabem identificar o que estão vivendo ou onde buscar ajuda. E, ao mesmo tempo, a gente precisa conhecer melhor essa realidade dentro do nosso território. A pesquisa é importante justamente para dar visibilidade a essas histórias e ajudar a pensar ações que façam sentido para as mulheres do Coroadinho”, afirma Jú do Coroadinho, vice-presidente da Casa das Pretas.

Informações sobre violência e direitos

Além da pesquisa, a plataforma reúne orientações sobre cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

O conteúdo também apresenta explicações sobre a Lei Maria da Penha, o ciclo da violência, direitos das mulheres e medidas protetivas, além de indicar caminhos para buscar atendimento. Há ainda uma seção de perguntas e respostas sobre situações de violência.

A ferramenta disponibiliza também a possibilidade de iniciar uma conversa pelo WhatsApp com a Casa das Pretas. Conforme a organização, a mensagem não é enviada nem armazenada automaticamente: a própria mulher decide se deseja encaminhá-la e quando fazer isso.

Em situações de risco imediato, a orientação é procurar os canais oficiais de emergência e denúncia. A Polícia Militar pode ser acionada pelo 190, enquanto o Ligue 180 oferece orientação e recebe denúncias de violência contra a mulher.

Como a plataforma foi criada

O projeto foi desenvolvido por Diego Amaral, estudante do 4º semestre de Segurança da Informação da Uniasselvi, como parte de um projeto de extensão acadêmica.

Segundo os responsáveis pela iniciativa, a ferramenta foi construída com HTML e recursos de inteligência artificial, priorizando uma navegação considerada simples e acessível.

A proposta é aproximar o acesso à informação da realidade das mulheres do território e, ao mesmo tempo, produzir dados sobre as situações enfrentadas na comunidade.

Cenário da violência contra a mulher

Dados nacionais ajudam a dimensionar a violência doméstica e familiar no país. De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, quase 29 milhões de brasileiras foram vítimas de violência doméstica ou familiar em um período de 12 meses.

No Maranhão, foram registrados 16 feminicídios entre janeiro e maio de 2026, contra 24 no mesmo período de 2025, segundo os dados apresentados pela iniciativa. A redução foi de 33,3%.

Considerando apenas maio, foram cinco feminicídios registrados em 2026, contra nove no mesmo mês do ano anterior, uma redução de 44,4%.

Casa das Pretas

Criada em 2019 pela ativista social Kássia Juliana Costa, a Casa das Pretas atua no Coroadinho com ações direcionadas a mulheres, crianças e jovens da periferia em situação de vulnerabilidade.

Entre os projetos desenvolvidos estão o Tambor de Crioula Filhas de São Benedito, Tambor de Crioula Mirim, Cine Coroadinho, Pretoteca, Cozinha Solidária Ancestral, Inclusão Produtiva e Laboratório Antirracista.

A plataforma digital pode ser acessada gratuitamente pela internet.

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