Eleições 2026

Candidatos ao governo do Maranhão fazem primeiro debate das eleições de 2026

Cinco dos oito candidatos ao governo do Maranhão participaram do primeiro debate das eleições de 2026 e apresentaram propostas para o Estado.

Ipolítica

Debate da Band Maranhão abriu a temporada eleitoral com propostas, críticas e discussões sobre os principais problemas do estado. (Reprodução/Band Maranhão)

SÃO LUÍS – Os candidatos ao Governo do Maranhão participaram, na noite deste domingo (9), do primeiro debate eleitoral da disputa de 2026. Promovido pela Band Maranhão e correalizado pela Rádio Mais FM, o encontro teve discussões sobre educação, saúde, segurança pública, infraestrutura, impostos, assistência social, pobreza e desenvolvimento econômico.

Participaram André Luís (Missão), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Saulo Arcângeli (PSTU) e Roberto Rocha (PRTB). Convidados, Eduardo Braide (PSD) e Reginaldo Lima (PCB) faltaram ao debate. Durante o programa, não houve menção ao candidato Dimas Cassemiro (PCO).

No início do evento, a organização informou que Reginaldo havia comunicado previamente uma agenda em Imperatriz.

Sobre Braide, a emissora afirmou que a assessoria do candidato havia sinalizado inicialmente a participação, mas depois informou que ele cumpriria compromissos no interior. Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta manhã, Braide afirmou estar percorrendo municípios do Maranhão no domingo e disse reconhecer a importância dos debates, mas confirmou presença apenas no encontro promovido pela TV Mirante.

Mediado pelo jornalista Napoleão de Castro, o debate da Band Maranhão teve uma rodada inicial de apresentações, três blocos de embates e um de encerramento. No primeiro e no terceiro, os candidatos fizeram perguntas de tema livre. No segundo, os temas foram sorteados. O quarto e último bloco foi destinado às considerações finais.

Nos confrontos, havia um minuto para a pergunta, dois minutos e 30 segundos para a resposta, um minuto para a réplica e 30 segundos para a tréplica. Os participantes também poderiam solicitar direito de resposta em caso de alegada ofensa pessoal ou moral.

Primeiro bloco

Felipe Camarão x Orleans Brandão

Camarão abriu a rodada perguntando a Orleans sobre educação. O petista comparou resultados do Ideb, criticou a aplicação dos precatórios do Fundef e citou obras do atual governo.

Orleans respondeu afirmando que os indicadores atuais avançaram, destacou tablets, alimentação escolar, transporte e reformas e prometeu colocar 50% da rede estadual em tempo integral, além de ampliar escolas cívico-militares.

Na réplica, Camarão reivindicou mais de 1.500 obras educacionais, unidades do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema), escolas de tempo integral e apontou atrasos e obras paralisadas na atual gestão.

Na tréplica, Orleans afirmou que Camarão estava priorizando ataques e voltou a defender os resultados do governo e a continuidade dos investimentos em educação.

Orleans Brandão x Roberto Rocha

Orleans perguntou a Roberto o que faria diante dos problemas do Hospital da Criança, em São Luís, após citar ações do governo estadual na regionalização da saúde.

Roberto lamentou as mortes na unidade, mas afirmou que a discussão deveria se concentrar na gestão hospitalar e nas mudanças realizadas nas equipes. Também aproveitou a resposta para defender desenvolvimento econômico e infraestrutura como formas de melhorar os indicadores sociais.

Na réplica, Orleans responsabilizou a administração municipal pelas mudanças no hospital, citou números de óbitos e criticou a ausência do candidato Eduardo Braide.

Na tréplica, Roberto insistiu que era necessário investigar a gestão da unidade e as causas dos problemas, e não apenas seus efeitos. Também criticou a ausência de Braide.

Roberto Rocha x Felipe Camarão

Roberto questionou Camarão sobre uma elevada carga de ICMS cobrada em um estado de baixa renda.

Camarão respondeu que pretende reduzir o imposto caso seja eleito e associou a proposta à educação profissional, empreendedorismo e geração de empregos para os maranhenses.

Na réplica, Roberto afirmou que Camarão integrou governos que aumentaram a tributação e defendeu mudanças estruturais na economia estadual.

Na tréplica, Camarão lembrou a antiga aliança de Roberto com o ex-governador Flávio Dino, criticou sua aproximação com o ‘bolsonarismo’ e reforçou seu alinhamento com o presidente Lula (PT), candidato à reeleição.

Saulo Arcângeli x André Luís

Saulo perguntou a André como pretende melhorar as condições de trabalho diante da informalidade e dos casos de maranhenses encontrados em situações análogas à escravidão.

André respondeu defendendo investimentos privados e criticando ONGs e órgãos ambientais que, segundo ele, impedem projetos de desenvolvimento. Citou como exemplo a criação de novo porto na região de Tauá-Mirim, se posicionando contra a criação da reserva extrativista.

Na réplica, Saulo disse que o modelo de grandes empreendimentos não distribuiu a riqueza produzida no Maranhão e defendeu obras públicas, agricultura familiar e a proteção das comunidades tradicionais.

Na tréplica, André voltou a defender a iniciativa privada, a implantação do porto e a regularização das terras de moradores da região.

André Luís x Saulo Arcângeli

André perguntou a Saulo sobre os índices de pobreza e criticou a elevada dependência do Bolsa Família, que classificou como uma política que deveria ser emergencial.

Saulo respondeu que também defende geração de trabalho, mas criticou um modelo em que grandes empresas produzem riqueza no Maranhão sem, segundo ele, distribuir os resultados entre os trabalhadores. Propôs obras, saneamento, moradia e incentivo à agricultura familiar.

Na réplica, André afirmou que empresários são responsáveis pela geração de empregos e voltou a usar o projeto portuário de Tauá-Mirim como exemplo.

Na tréplica, Saulo classificou esse modelo de desenvolvimento como ultrapassado, mencionou impactos ambientais de grandes empreendimentos e sustentou que eles geram menos empregos do que prometem.

Segundo bloco

Roberto Rocha e Orleans Brandão discutem sobre transporte

Roberto perguntou qual seria a diferença entre uma eventual gestão de Orleans e o atual governo na área de logística e infraestrutura.

Orleans citou rodovias construídas e recuperadas pelo governo Brandão, intervenções na Baixada Maranhense e parcerias com o governo federal. Também criticou a situação do transporte coletivo de São Luís.

Na réplica, Roberto afirmou que logística é essencial para aumentar a produção e reivindicou projetos rodoviários que elaborou ou articulou em sua trajetória política.

Na tréplica, Orleans voltou a destacar a parceria com Lula e citou obras de mobilidade na Grande São Luís, como a Avenida Metropolitana e a extensão da Litorânea.

Orleans Brandão e Saulo Arcângeli debatem sobre infraestrutura

Orleans citou estradas e projetos de mobilidade e perguntou a Saulo qual seria sua política para infraestrutura.

Saulo respondeu que infraestrutura também inclui escolas, hospitais e saneamento e criticou terceirizações e modelos privados na saúde e na educação.

Na réplica, Orleans destacou sua passagem pela Secretaria de Assuntos Municipalistas e afirmou ter participado de obras e ações nos 217 municípios.

Na tréplica, Saulo questionou o orçamento da antiga secretaria e criticou a estrutura administrativa criada pelo governo.

André Luís e Felipe Camarão discutem sobre economia

André perguntou a Camarão como pretende desenvolver a economia diante dos índices de pobreza do Maranhão e criticou os governos dos quais o petista participou.

Camarão apontou carga tributária e corrupção como obstáculos e defendeu redução de impostos, agricultura familiar, industrialização, turismo, cultura e sustentabilidade.

Na réplica, André citou uma CPI que investiga Camarão na Assembleia Legislativa e cobrou explicações sobre investigações envolvendo o adversário.

Na tréplica, Camarão afirmou que foi vítima de perseguição e disse que decisões do Tribunal de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça foram favoráveis a ele.

Felipe Camarão x Roberto Rocha debatem sobre educação

Camarão perguntou a Roberto qual seria seu projeto para a educação e citou programas implantados quando comandou a Secretaria de Educação.

Roberto respondeu defendendo maior investimento em ensino superior, ciência, tecnologia e inovação. Também citou recursos destinados à Universidade Federal do Maranhão (UFMA) durante seu mandato no Senado e a proposta de uma segunda universidade federal no Estado.

Na réplica, Camarão defendeu a retomada do ‘Escola Digna’ e de programas de alfabetização e afirmou que português e matemática continuam sendo bases necessárias para a expansão tecnológica.

Na tréplica, Roberto criticou o modelo político do qual Camarão participou e fez referência à eleição para o Senado de 2022 e à substituição posterior na representação do Estado.

Saulo Arcângeli x André Luís discutem sobre segurança

Saulo perguntou a André qual seria seu projeto de segurança diante dos índices de letalidade policial no Maranhão.

André apresentou a proposta que chamou de ‘prendeu-matou’, defendeu tratamento específico para integrantes de facções e a retomada de territórios dominados pelo crime organizado.

Na réplica, Saulo classificou a proposta como repressiva e defendeu inteligência policial, prevenção, polícia comunitária, geração de emprego e políticas sociais.

Na tréplica, André manteve a defesa de uma atuação mais dura contra facções e afirmou que a política também incluiria regularização fundiária e ações voltadas às periferias.

Terceiro bloco

André Luís x Orleans Brandão

André perguntou a Orleans qual seria sua proposta de ajuste fiscal.

Orleans respondeu que o Maranhão melhorou sua situação fiscal durante o governo Brandão e citou capacidade de pagamento, novos investimentos, uma biorrefinaria em Balsas e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Bacabeira.

Na réplica, André afirmou que ajuste fiscal significa reduzir despesas da máquina pública e propôs cortar 25% dos cargos comissionados.

Na tréplica, Orleans disse que o Maranhão registrou superávit e voltou a defender a capacidade de investimento da atual gestão.

Saulo Arcângeli x Roberto Rocha

Saulo questionou Roberto sobre saúde e educação e também sobre sua identificação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Roberto afirmou ter orgulho de se posicionar à direita e disse aceitar a definição de ‘bolsonarista’ quando relacionada, em sua visão, à livre iniciativa, família, segurança pública, Forças Armadas e combate à corrupção. Também defendeu a atuação federal durante a pandemia.

Na réplica, Saulo afirmou que Roberto não havia explicado seu modelo para saúde e educação e criticou privatizações, terceirizações e o ‘bolsonarismo’.

Na tréplica, Roberto disse discordar das críticas e voltou a defender Bolsonaro e os valores que associa à direita.

Orleans Brandão x Saulo Arcângeli

Orleans perguntou a Saulo sobre assistência social e destacou o programa ‘Maranhão Livre da Fome’ e a expansão dos restaurantes populares.

Saulo respondeu que programas sociais são necessários, mas criticou o orçamento e a estrutura da assistência estadual. Mencionou casas-abrigo, delegacias especializadas, trabalho infantil e atendimento a pessoas vulneráveis.

Na réplica, Orleans afirmou que o ‘Maranhão Livre da Fome’ movimenta recursos mensais, defendeu qualificação profissional e geração de emprego e citou a expansão das Casas da Mulher Maranhense.

Na tréplica, Saulo afirmou que a estrutura ainda é insuficiente, citando a quantidade de casas-abrigo e o funcionamento das delegacias especializadas.

Roberto Rocha x Felipe Camarão

Roberto perguntou por que a economia do Maranhão cresceu nas últimas décadas, mas o Estado continua apresentando elevados índices de pobreza.

Camarão atribuiu o problema principalmente à desigualdade e defendeu integração com políticas do governo Lula, além de creches, escolas integrais, educação profissional e expansão dos serviços de saúde.

Na réplica, Roberto discordou e afirmou que a principal causa está na estrutura econômica predominantemente primária e na baixa industrialização.

Na tréplica, Camarão criticou a visão do adversário e defendeu que o desenvolvimento também contemple agricultura familiar, quilombolas, indígenas, pescadores e outras comunidades tradicionais.

Felipe Camarão x André Luís

Camarão questionou André sobre saúde, segurança pública e experiência administrativa.

André respondeu apresentando o ‘Livro Amarelo’ do Partido Missão e sua candidatura como alternativa ao que chamou de ‘grupos políticos tradicionais’. Também voltou a defender a retomada de territórios controlados pelo crime.

Na réplica, Camarão citou sua experiência como ex-policial, procurador e professor de Direito, defendeu regionalização da saúde e disse que o enfrentamento ao crime deve ocorrer por meio da prisão e da Justiça.

Na tréplica, André voltou a mencionar a CPI na Assembleia e acusou Camarão de integrar o ‘sistema político’ que afirma combater.

Quarto bloco e considerações finais

O último bloco começou com um direito de resposta de Felipe Camarão. O petista afirmou ter sofrido perseguição política, disse que investigações chegaram a incluir integrantes de sua família e declarou que decisões judiciais suspenderam procedimentos contra ele.

Nas considerações finais, Roberto Rocha reforçou sua posição de oposição aos ‘grupos que administraram o Estado’ e sua identificação com a direita.

Saulo Arcângeli apresentou sua candidatura como ‘alternativa socialista’ e defendeu trabalhadores, movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

André Luís voltou a apresentar o Partido Missão como uma ruptura com ‘forças políticas tradicionais’ e destacou as propostas reunidas no Livro Amarelo.

Felipe Camarão defendeu a retomada de políticas do governo Flávio Dino e reforçou sua ligação com o presidente Lula.

Orleans Brandão prometeu ampliar escolas de tempo integral, hospitais, políticas de segurança, videomonitoramento e programas de combate à pobreza, defendendo a continuidade da atual gestão.

Depois das considerações finais dos candidatos, os veículos organizadores do evento encerraram o programa com um editorial dedicado às ausências no programa. Os veículos afirmaram que todos os candidatos foram convidados com antecedência e nas mesmas condições e defenderam a importância dos debates para o eleitor.

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