Comércio exterior

Pequenos negócios do Maranhão ampliam fronteiras e conquistam mercados internacionais

Do Maranhão para o mundo, empresas locais avançam na rota do comércio exterior com o apoio do Sebrae e da ApexBrasil para acessar novos mercados.

Imirante.com, com informações do Sebrae

Com o apoio do Sebrae e ApexBrasil, produtos como a cachaça artesanal maranhense ganham destaque no comércio exterior, fazendo bons negócios. (Foto: Divulgação/Sebrae)

MARANHÃO - Há poucos anos, exportar parecia um objetivo reservado às grandes empresas. Hoje, calçados produzidos no Maranhão, geleias elaboradas com frutas amazônicas e cachaças artesanais fabricadas no interior do estado começam a conquistar espaço em mercados internacionais, impulsionados por uma combinação de estratégia, capacitação e acesso a missões comerciais promovidas pelo Sebrae e pela ApexBrasil.

Ao conectar pequenos negócios maranhenses a compradores de diversos países, as Jornadas Exportadoras e as feiras internacionais vêm transformando expectativas em oportunidades concretas. Para alguns empresários, a experiência representa o primeiro passo rumo ao mercado externo.

Entre os empresários que vivem esse momento está Lucas Vinícius Diniz. À frente da Única Descontos %, indústria maranhense de calçados, ele foi selecionado para participar, entre os dias 3 e 7 de agosto, da Jornada Exportadora de Calçados, com programação em Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai. Ao longo da missão, participará de seminários, visitas técnicas e rodadas de negócios, após uma preparação especializada voltada ao processo de internacionalização da empresa.

Lucas Diniz, da empresa Ùnica Desconto %, se prepara para a primeira missão internacional com foco no comércio exterior. (Divulgação)

Para Lucas Dini, o convite representa a oportunidade de ampliar uma trajetória de crescimento que já ultrapassou as fronteiras do Maranhão. Criada em 2019 com a proposta de democratizar a moda por meio de produtos acessíveis, a Única reúne hoje mais de 10 mil revendedoras em todo o país, mantém operação própria de varejo físico e digital e tornou-se a maior vendedora de calçados do Maranhão na Shopee.

Acostumada a importar matéria-prima da China desde 2024, a empresa agora vive um novo desafio: conquistar seus primeiros clientes internacionais. "A gente percebeu que essa fronteira poderia ser ainda maior. Se conseguimos vender para diversos estados brasileiros, por que não para outros países? O Sebrae e a ApexBrasil nos mostraram que esse caminho é muito mais possível do que imaginávamos", afirma Lucas.

Segundo ele, a expectativa vai além da realização de negócios. A missão permitirá compreender, na prática, toda a dinâmica da exportação, desde a negociação comercial até os aspectos logísticos, financeiros e operacionais. "Estamos confiantes de que poderemos iniciar relações comerciais com clientes do Mercosul e aprender como funciona todo esse processo”, explica o empresário.

Experiência que abre caminhos

Quem já percorreu essa trajetória sabe o quanto a experiência pode acelerar a inserção internacional das empresas.

É o caso da Sabor da Ilha. No ano passado, a empresa participou da missão Exporta + Brasil – Comércio Transfronteiriço, realizada em Roraima, levando ao mercado internacional suas geleias produzidas com frutas típicas maranhenses, como bacuri, cupuaçu, buriti, açaí e outras espécies regionais.

A empresária Ana Paula Grolli lembra que o principal desafio era transformar o interesse despertado pelos produtos em negócios efetivos. "A aceitação foi muito boa. O desafio está em planejar corretamente a entrada de um produto diferenciado em mercados externos. Essas missões aproximam os empresários dos compradores e ajudam a compreender melhor cada mercado. Na Exporta + Brasil, prospectamos oportunidades com a participação na Rodada de Negócios, que nos aproximou de compradores de diversos países”, avalia ela.

Colhendo resultados além fronteiras

Se para algumas empresas a internacionalização ainda representa um primeiro passo, para outras ela já produz resultados concretos e a participação já se traduz em negociações avançadas, contratos firmados e relações comerciais que seguem em expansão meses após os eventos.

É o caso da Cachaça Vale do Brejão, de Anapurus - MA. Em 2025, durante a Expoalimentaria, em Lima, no Peru, a marca iniciou negociações com uma grande distribuidora sediada no Panamá. O contato evoluiu para o envio do primeiro pedido comercial e a parceria continua em expansão.

Lindomar Torres, da Cachaça Vale do Brejão que, em breve, poderá ocupar as prateleiras de grandes redes comerciais na Colômbia e Panamá. (Divulgação)

Na ocasião, a Cachaça Vale do Brejão Premium Plus Grápia foi o produto que despertou maior interesse entre os compradores internacionais, ao lado das geleias produzidas pela empresa.

Neste ano, Lindomar Torres voltou ao circuito internacional durante a Alimentec, realizada em Bogotá, na Colômbia. Embora ainda aguarde a conclusão das análises técnicas exigidas pelos importadores, saiu da feira com negociações avançadas junto ao Grupo Éxito, uma das maiores redes varejistas da América Latina, interessada especialmente nos licores de café e de limão produzidos pela empresa.

Para o empresário, iniciativas como essa são decisivas para pequenas empresas que desejam exportar. "Sem o apoio do Sebrae e da ApexBrasil, seria muito difícil para uma pequena empresa enfrentar toda a complexidade de uma operação internacional. Essas missões abrem portas, aproximam compradores e nos dão segurança para competir em novos mercados", destaca.

Construindo uma cultura exportadora

As trajetórias são diferentes, mas revelam um objetivo em comum. Enquanto Lucas Diniz se prepara para sua primeira experiência internacional, Ana Paula Grolli consolida aprendizados importantes sobre a inserção de produtos regionais em novos mercados, Lindomar Torres transforma contatos em relações comerciais duradouras e abre caminho para que produtos maranhenses cheguem a países como Panamá e Colômbia.

Juntas, essas histórias mostram que o comércio exterior está deixando de ser um horizonte distante para pequenos negócios do Maranhão, passando a integrar a estratégia de crescimento e diversificação de uma pauta de exportações historicamente concentrada em commodities como minério de ferro e soja.

"São histórias que mostram que produtos genuinamente maranhenses, carregados de identidade, qualidade e inovação, estão cada vez mais preparados para conquistar consumidores muito além das fronteiras brasileiras", avalia Fábio Braga, gestor de Mercado Internacional do Sebrae Maranhão.

Conforme ele, o Sebrae Maranhão atua em diferentes frentes para ampliar a presença dos pequenos negócios no comércio exterior. Além de apoiar a participação em missões nacionais voltadas à internacionalização, desenvolve, em parceria com a ApexBrasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e parceiros estaduais, ações estruturadas para preparar empresas maranhenses para exportar.

Entre as iniciativas de apoio nesse desafio está a Jornada de Exportação, uma trilha de desenvolvimento voltada ao comércio exterior que combina capacitação, inteligência de mercado, conexões comerciais e experiências práticas de imersão em mercados internacionais.

“Com essa iniciativa, temos apoiado empreendedores que enfrentam desafios, tomam decisões, aprendem e constroem suas estratégias nesse novo mercado”, prossegue Fábio Braga. “Exportar não é um processo simples. Exige preparação para competir internacionalmente. Por isso, o apoio vai muito além do custeio das missões. Envolve capacitação, inteligência de mercado, conexões comerciais e acompanhamento técnico para que essas empresas cheguem preparadas aos compradores internacionais", conclui.

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