A Copa em que a Esperança ficou no banco de reservas
Às vezes, um jogo termina antes mesmo de começar
Às vezes, um jogo termina antes mesmo de começar. Não no placar, mas dentro da gente.
Foi essa impressão que tive ao ler que, antes da Copa começar, mais da metade dos brasileiros já não acreditava no hexa. O maior jogador que faltava em campo talvez nem vestisse chuteiras. Era a confiança de um povo que, durante tantas gerações, aprendeu a enxergar no futebol uma possibilidade de surpreender o mundo.
O futebol sempre falou uma língua própria. Nela, um menino de origem simples podia dividir o mesmo imaginário dos reis. Pelé transformava o extraordinário em rotina. Ronaldo parecia crescer nas decisões. Ronaldinho fazia da bola um espetáculo. Mas nenhum deles entrava em campo sozinho. Havia milhões de pessoas acreditando junto.
Talvez as derrotas mais difíceis comecem justamente quando essa confiança desaparece.
Talvez tenhamos nos acostumado a esperar o pior. Não apenas no futebol, mas também nas pequenas apostas da vida. Como forma de evitar a frustração, desistimos antes. Parece mais seguro. Só que, nesse caminho, também deixamos escapar a alegria que acompanha quem ainda acredita.
No Maranhão, essa ideia encontra abrigo em muitas paisagens: Está no pescador que sai antes do amanhecer sem saber como será o dia, na mulher que termina uma renda confiando que encontrará um comprador, no estudante que enfrenta horas de estrada porque acredita que o diploma pode mudar o destino da família. Nenhum deles tem certeza de nada. Ainda assim, seguem.
Talvez seja por isso que o futebol continue despertando tanta paixão. Ele nunca foi apenas um esporte. Sempre carregou a lembrança de que o improvável também faz parte da vida.
É claro que acreditar não garante vitória. Nenhuma seleção vence apenas pela força da torcida. Mas quase toda grande conquista começou quando alguém decidiu não desistir antes da hora.
Talvez o hexa ainda demore. Talvez nem venha. O tempo sempre encontra um jeito de devolver ou de negar as taças. Mas existe uma derrota da qual um país demora muito mais para se levantar: aquela que acontece quando um povo deixa de acreditar em si mesmo. Se isso acontecer, não será a seleção que terá perdido a Copa. Seremos nós que teremos esquecido quem sempre fomos.
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