COLUNA
Curtas e Grossas
José Ewerton Neto é poeta, escritor e membro da Academia Maranhense de letras.
Curtas e Grossas

O mata-mata ou vive-ou-morre

Assim, o mata-mata que, a rigor, deveria se chamar morre-ou-vive...

José Ewerton Neto

 

A copa do mundo, ao entrar na fase mata- mata evidencia o que esse esporte tem de fascinante, sedutor e ao mesmo tempo, desesperador em seus aspectos gloriosos (para os vencedores) e trágicos (para os derrotados). 

Quando assisto aos jogos não consigo ser imparcial, mantendo um olhar indiferente, acabo torcendo, sem intenção deliberada, por uma ou outra nação ali representada e o curioso é que numa mesma partida a minha intenção de torcer pelos mais talentosos (mais comuns nas equipes mais ricas e tradicionais no futebol) luta com a minha impulsão de me solidarizar pelos mais fracos e minha vibração por um dos contendores acaba sendo substituída. 

Assim, o mata-mata que, a rigor, deveria se chamar morre-ou-vive fascina por se constituir uma sucessão de tragédias gregas com epopeias memoráveis. 

Por isso os escores têm sido sempre apertados, com reviravoltas contundentes no término das partidas como aconteceu com Brasil e Japão ou Inglaterra x Senegal etc etc. Quase sempre o drama dos vencidos começa com um inesperado lance de audácia dos mais fracos para no fim consagrar a vitória do mais forte, de fato. 

É nessas horas que a euforia dos rostos dos protagonistas exposta na tela se transforma em dor e tragédia também para os que assistem quando se contempla a dureza do sonho desfeito dos derrotados. À euforia do vencedor (como ontem) de Cristiano Ronaldo, de Portugal há o contraponto de um Modric da Croácia em seus últimos instantes de luta e de trajetória futebolística. 

Mas, o futebol é assim mesmo. Sendo o esporte que mais espelha a contínua luta pela vida e sobrevivência da espécie humana seduz tanto pela semelhança com a luta individual de cada torcedor. A vida é luta. Viver é lutar, dizia o poeta, e o futebol apenas traduz isso de maneira especial quando inicia numa copa do mundo a fase do mata-mata. Ou, melhor dizendo, do vive-ou-morre. Como toda trajetória humana, aliás. 


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