Segurança digital

Ataques cibernéticos crescem no Brasil e desafiam o setor de telecomunicações

Nos últimos meses, assim como ocorre em diversas regiões do Brasil e do mundo, o setor de telecomunicações passou a enfrentar uma onda crescente de ataques cibernéticos do tipo DDoS

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Diante do novo cenário, as empresas de telecomunicações vêm reforçando sua estrutura de defesa. (Foto: divulgação / Estrelas Internet)

Provedores regionais respondem por mais de 76% dos acessos de banda larga fixa no Maranhão e cumprem papel central na conectividade da população, conectando residências, comércios, escolas e serviços públicos em municípios de todo o estado. Diante de uma onda crescente de ataques do tipo DDoS, o setor tem ampliado os investimentos em segurança digital. 

Nos últimos meses, assim como ocorre em diversas regiões do Brasil e do mundo, o setor de telecomunicações passou a enfrentar uma onda crescente de ataques cibernéticos do tipo DDoS, o que tem exigido novos investimentos em segurança digital por parte das operadoras. Os ataques de negação de serviço (DDoS, na sigla em inglês) funcionam sobrecarregando a rede com um volume artificial de acessos, com o objetivo de deixar serviços lentos ou temporariamente indisponíveis. É importante destacar: trata-se de um ataque à disponibilidade da rede. Não há acesso a dados pessoais nem exposição de informações dos clientes. O alvo é a conexão, não o usuário. 

O fenômeno não é local nem restrito a um tipo de empresa. Ataques DDoS atingem empresas de telecomunicações no mundo inteiro, das maiores operadoras globais aos provedores regionais. Os números confirmam a escala: o Brasil é hoje o país mais atacado da América Latina, com mais de 470 mil ataques DDoS registrados apenas no segundo semestre de 2025, segundo o Relatório de Inteligência de Ameaças da NETSCOUT, e o setor de telecomunicações é o principal alvo do país. 

Por que os ataques ao setor cresceram 

O avanço da conectividade transformou os provedores de internet em parte da infraestrutura crítica dos estados. Quanto mais essencial se torna a rede, para trabalho remoto, educação, saúde, sistemas bancários e serviços públicos, maior o interesse de quem pratica esse tipo de crime. Em outras palavras, o setor virou alvo porque se tornou relevante.

Os provedores regionais, em particular, ganharam protagonismo na última década e hoje sustentam a maior parte das conexões em estados como o Maranhão. Segundo dados da Anatel (painel de Banda Larga Fixa, competência abril/2026), o estado conta com 976.097 acessos de banda larga fixa, dos quais as prestadoras de pequeno porte (os provedores regionais) respondem por 749.705 acessos, ou 76,8% do total. Na prática, mais de três em cada quatro conexões de banda larga no Maranhão dependem dessas redes locais.

A resposta do setor 

Diante do novo cenário, as empresas de telecomunicações vêm reforçando sua estrutura de defesa. Entre as medidas adotadas estão a contratação de serviços especializados de mitigação de tráfego, a instalação de novas camadas de proteção na borda da rede, o monitoramento permanente da infraestrutura e a ampliação da redundância de rotas e capacidade.

Consultada, a Estrelas Internet, uma das operadoras regionais que atuam no Maranhão, afirma que vem investindo de forma contínua em segurança digital, em múltiplas frentes. Segundo a empresa, as medidas incluem a contratação de serviço dedicado de mitigação (scrubbing), que filtra o tráfego malicioso antes que ele alcance a rede; camadas de proteção na borda da infraestrutura; monitoramento da rede 24 horas por dia, com detecção dos ataques em tempo real; e redundância de rotas e capacidade para absorver picos de tráfego sem comprometer a conexão dos clientes. 

De acordo com a operadora, parte da lentidão que o cliente eventualmente percebe durante um ataque é, inclusive, efeito dessas próprias defesas: ao filtrar todo o tráfego para separar o que é legítimo do que é malicioso, a rede prioriza a proteção; um impacto temporário em nome da segurança da conexão. 

O que isso significa para o consumidor 

Para o usuário,a principal orientação é de tranquilidade. Episódios de lentidão ou instabilidade momentânea decorrentes desse tipo de ataque não significam falha ou descuido da operadora, e tampouco comprometem os dados pessoais de quem contrata o serviço. As equipes técnicas atuam para restabelecer o tráfego normal o mais rápido possível.

A Estrelas reforça ainda um alerta ao consumidor: momentos de instabilidade costumam ser explorados por golpistas que se passam pela operadora. A recomendação é desconfiar de contatos não solicitados e buscar sempre os canais oficiais da empresa. 

"Os ataques DDoS são um desafio que atinge todo o setor de telecomunicações, no Brasil e no mundo. Nosso compromisso é com a transparência e com a proteção dos nossos clientes: investimos de forma contínua em camadas de segurança,mitigação e monitoramento para garantir a melhor conexão possível. E reforçamos que esse tipo de ataque afeta apenas a disponibilidade da rede, sem qualquer acesso aos dados dos usuários." Thiago Estrela, CEO da Estrelas Intenet.

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