Denúncia sobre pregações em terminais

SMTT diz que motorista de Mical se recusou a apresentar documentos e nega ter impedido saída da deputada

Secretaria afirma que condutor se recusou a apresentar documentos e que motorista realizou manobras perigosas no pátio do órgão.

Ipolítica

Atualizada em 27/06/2026 às 10h12
SMTT afirmou que veículo de Mical Damasceno permaneceu na secretaria por procedimento de fiscalização e contestou versão da deputada. (Reprodução/Redes Sociais)

SÃO LUÍS – A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) negou, na noite desta sexta-feira (26), que a deputada estadual Mical Damasceno (Republicanos) tenha sido impedida de deixar a sede do órgão, em São Luís, e afirmou que o veículo em que ela estava permaneceu nas dependências da secretaria em razão de um procedimento de fiscalização.

O caso ganhou repercussão após a parlamentar afirmar, em vídeos divulgados nas redes sociais, que foi mantida no local por mais de duas horas depois que os portões da secretaria teriam sido fechados. Mical também acusou a Prefeitura de São Luís e a SMTT de promoverem uma "perseguição da fé" ao dificultar a realização de atividades evangelísticas em espaços públicos da capital.

Segundo a deputada, ela foi à sede do órgão após receber denúncias de pastores sobre a suposta negativa de autorizações para cultos e pregações em terminais de integração, grandes avenidas e praças de São Luís.

"Hoje, as igrejas evangélicas de São Luís estão proibidas de fazer evangelismo dentro dos terminais de integração, nas grandes avenidas e, em sua maioria, nas praças", declarou.

Mical afirmou ainda que, ao tentar deixar a SMTT, o veículo em que estava foi impedido de sair das dependências do órgão.

"Eu estou aqui sendo tolida, vindo lutar por uma liberdade que nós temos garantia diante da lei, que é a liberdade religiosa. E, agora, tem o direito de ir e vir, que eu estou ali com os carros da SMTT na frente, atrás e nas laterais, não deixando eu sair", disse.

A deputada também elevou o tom das críticas à gestão municipal.

"Se a SMTT, por meio da secretária Manuela Fernandes, está fazendo tudo isso contra o povo evangélico, é com aval da prefeita. A prefeita que procure respeitar os evangélicos, o povo cristão, porque, se ela continuar fazendo esse tipo de coisa, eu sei que a durabilidade dela na política vai ser curta", afirmou.

O que diz a SMTT

Em nota, a SMTT informou que a parlamentar entrou em uma área restrita da instituição após o encerramento do expediente administrativo, sem registro formal prévio e sem apresentar documentos que justificassem a visita. A secretaria também afirmou que foram realizadas filmagens nas dependências do órgão sem autorização.

Segundo a pasta, o condutor do veículo se recusou a apresentar documentos pessoais e do automóvel, o que motivou a permanência do carro no local até a regularização da situação.

A secretaria acrescentou que, logo após a entrada do veículo no pátio, o motorista realizou manobras consideradas perigosas, colocando em risco a integridade de servidores públicos que estavam nas dependências do órgão.

Por causa da ocorrência, agentes de trânsito lavraram um Auto de Infração com base no artigo 175 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que prevê penalidades para a utilização de veículo em manobras perigosas ou exibições.

De acordo com a SMTT, o automóvel foi liberado imediatamente após o cumprimento das exigências legais e todos os procedimentos adotados seguiram a legislação vigente.

Deputada fala em perseguição e ameaça recorrer

Ao comentar o episódio, Mical Damasceno afirmou que continuará atuando em defesa da liberdade religiosa e voltou a classificar a situação como um caso de intolerância.

"Isso é crime. Isso é inadmissível. É um absurdo", declarou.

A parlamentar também condicionou a adoção de medidas futuras à liberação de espaços públicos (como judicializações, por exemplo) para a realização de atividades religiosas.

"Se daqui por diante os espaços públicos forem liberados para as igrejas evangélicas, eu não vou levar adiante. Mas eu creio que agora os cristãos poderão evangelizar nos terminais, nas grandes avenidas e nas praças", afirmou.

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