Dia Nacional do Diabetes

Diabetes levou mais de 4 mil maranhenses à internação em 2025

Especialista diz que pré-diabetes pode surgir sem sintomas e defende atividade física, controle do peso e exames para diagnóstico precoce.

Imirante.com

No Dia Nacional do Diabetes, celebrado nesta sexta-feira (26), especialistas alertam que a prevenção da doença vai além de cortar doces da alimentação. (Foto: divulgação)

SÃO LUÍS – O diabetes levou 4.153 maranhenses com 18 anos ou mais à internação em 2025, segundo dados da plataforma Monitora, da Secretaria de Estado da Saúde. No Dia Nacional do Diabetes, celebrado nesta sexta-feira (26), especialistas alertam que a prevenção da doença vai além de cortar doces da alimentação e passa por diagnóstico precoce, atividade física, controle do peso e alimentação equilibrada.

Os dados reforçam o desafio do diabetes como problema de saúde pública no Maranhão. Entre os pontos de atenção está a pré-diabetes, condição em que a glicose no sangue fica acima do normal, mas ainda não atinge os critérios para diabetes tipo 2.

Pré-diabetes pode avançar sem sintomas

Na maioria dos casos, a pré-diabetes se desenvolve de forma silenciosa, sem sinais evidentes. Isso dificulta a identificação precoce e aumenta o risco de progressão da doença.

"Antes de tudo, devemos lembrar que pré-diabetes não é pré-doença. Já é um quadro de glicemia alterada que precisa ser tratado, seja por meio de mudanças no estilo de vida, orientação alimentar ou, em alguns casos, medicamentos", explica a médica Renata Bussuan, coordenadora nacional da Pós-Graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica São Luís.

Gordura abdominal é fator de risco importante

Segundo a especialista, um dos fatores de risco mais ignorados é o acúmulo de gordura abdominal. Diferentemente da gordura localizada sob a pele, a gordura visceral se concentra ao redor dos órgãos e produz substâncias inflamatórias que dificultam a ação da insulina.

Esse processo favorece a resistência insulínica e o aumento da glicose no sangue. Além disso, excesso de peso, sedentarismo e histórico familiar de diabetes tipo 2 também elevam o risco de desenvolvimento da pré-diabetes.

Exames podem indicar quadro de alerta

A endocrinologista também chama atenção para alterações discretas em exames laboratoriais. Valores de glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL ou hemoglobina glicada entre 5,8% e 6,4% já indicam estado de alerta.

Em alguns casos, o teste oral de tolerância à glicose é o primeiro exame a mostrar que o organismo já enfrenta dificuldade para processar adequadamente a glicose.

"Há pacientes com glicemia de jejum normal e hemoglobina glicada levemente aumentada, mas que já apresentam alterações importantes após a sobrecarga de glicose. Na prática, isso mostra que o organismo já está tendo dificuldade para lidar adequadamente com a glicose, mesmo antes do aparecimento do diabetes", afirma Renata Bussuan.

Doença atinge públicos cada vez mais jovens

Outro ponto que preocupa os especialistas é a mudança no perfil dos pacientes. Segundo Renata Bussuan, a resistência à insulina e a pré-diabetes têm sido observadas também em adultos jovens, adolescentes e crianças com obesidade.

"Antigamente era considerada uma condição de pessoas mais velhas. Atualmente encontramos resistência à insulina e pré-diabetes em adultos jovens, adolescentes e até crianças com obesidade", alerta a médica.

Mudança de hábitos pode reverter quadro

Apesar do cenário preocupante, a pré-diabetes pode ser revertida. Estudos apontam que mudanças consistentes no estilo de vida reduzem de forma significativa o risco de evolução para o diabetes tipo 2.

Segundo a especialista, é nessa fase que existe a maior oportunidade de intervenção. "Em muitos pacientes observamos normalização da glicemia, da hemoglobina glicada e melhora importante da resistência à insulina", destaca.

Atividade física e alimentação são centrais

Entre as medidas mais eficazes estão a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado e uma alimentação equilibrada, com prioridade para alimentos ricos em fibras, vegetais e proteínas magras. A orientação também inclui reduzir o consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas.

"A atividade física é uma das ferramentas mais poderosas que temos na prevenção do diabetes. Quando o músculo se contrai durante o exercício, ele passa a captar glicose de forma muito mais eficiente. Além disso, melhora a sensibilidade à insulina, reduz a gordura visceral, diminui a inflamação e reduz o risco cardiovascular", explica.

"A combinação entre alimentação saudável e atividade física continua sendo a estratégia mais eficaz para evitar que a pré-diabetes evolua para diabetes tipo 2", conclui Renata Bussuan.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.