SÃO LUÍS – Um paciente das Filipinas passou pelo primeiro transplante hepático de urgência já realizado na história do Maranhão. O procedimento ocorreu no dia 6 de março, em São Luís, depois que um trabalhador de um navio atracado no Porto do Itaqui, desenvolveu um quadro de hepatite fulminante. Dois meses depois, em maio, ele recebeu alta.
A cirurgia foi chefiada pelo médico Romerito Neiva, que concedeu entrevista ao Imirante e contou detalhes do caso. Segundo ele, o transplante foi a única possibilidade de salvar a vida do paciente, diante da rápida piora do quadro clínico.
Paciente das Filipinas teve hepatite fulminante
De acordo com o Dr. Romerito Neiva, o paciente é um cidadão filipino que trabalhava embarcado e apresentou um quadro grave de insuficiência hepática aguda durante sua permanência no Brasil. Inicialmente, ele recebeu atendimento médico e suporte intensivo, até que foi identificada a necessidade urgente de transplante hepático.
“O paciente apresentava um quadro compatível com hepatite fulminante, evoluindo rapidamente para insuficiência hepática aguda grave. Clinicamente, ele já demonstrava sinais importantes de comprometimento sistêmico, incluindo alteração laboratorial importante da função hepática e deterioração neurológica e metabólica”, afirmou o médico.
A hepatite fulminante é uma condição extremamente agressiva. Nesses casos, o fígado perde sua função em poucos dias. O paciente pode evoluir rapidamente com icterícia intensa, distúrbios de coagulação, encefalopatia hepática, insuficiência renal e instabilidade clínica.
“Trata-se de uma das condições mais graves dentro da hepatologia e do transplante. Diante da gravidade e da rápida progressão do quadro, o transplante hepático passou a ser a única possibilidade terapêutica capaz de salvar a vida do paciente”, explicou Romerito Neiva.
Transplante foi a única solução para paciente das Filipinas
O transplante hepático convencional costuma ocorrer após um período maior de acompanhamento. Nesses casos, o paciente é avaliado, estabilizado e incluído em lista conforme critérios clínicos e laboratoriais. Na maioria das vezes, são pessoas com doenças hepáticas crônicas, como cirrose, em que há tempo para preparo e planejamento.
No transplante de urgência, o cenário é diferente. O procedimento precisa ser realizado em caráter emergencial, com mobilização rápida de equipes, logística interestadual, compatibilização de órgãos e suporte intensivo contínuo.
Segundo o médico, o caso exigiu articulação entre várias frentes. “A partir daí, houve uma articulação extremamente importante entre equipes médicas, empresas responsáveis pelo suporte internacional do paciente, centrais de transplante estadual e nacional e o serviço especializado no Maranhão”, disse.
Estrutura do Maranhão foi decisiva em transplante
O Dr. Romerito Neiva destacou que o Maranhão já conta com estrutura para realizar transplantes hepáticos de alta complexidade. Segundo ele, isso permitiu que o paciente fosse atendido em São Luís e passasse por todo o processo de avaliação até a cirurgia.
“Nosso estado já possui uma estrutura consolidada em transplante hepático, com equipe multidisciplinar experiente, capacidade cirúrgica e suporte intensivo avançado. Por isso, o paciente foi atendido em São Luís, onde conseguimos realizar toda a avaliação e conduzir o transplante de urgência”, afirmou.
Para o médico, o caso mostra a confiança que o serviço maranhense vem conquistando. Ele também ressalta que o resultado não depende apenas de uma equipe cirúrgica, mas de toda uma rede de profissionais.
“Realizar um transplante hepático de urgência, com alta complexidade clínica e necessidade de resposta rápida, demonstra que o estado possui capacidade técnica, organização e integração multiprofissional comparáveis a grandes centros do país”, destacou.
Doação de órgãos foi fundamental para transplante
O procedimento também reforça a importância da doação de órgãos. Em situações de hepatite fulminante, o transplante pode ser a única chance de sobrevivência.
“Esse caso também chama atenção para a importância da doação de órgãos. Em situações de insuficiência hepática fulminante, muitas vezes o transplante é literalmente a única chance de sobrevivência. Sem a solidariedade da família doadora, nada disso seria possível”, disse Romerito Neiva.
Ainda segundo o médico, a realização do transplante fortalece a medicina de alta complexidade no Maranhão e mostra que esse tipo de atendimento pode ser desenvolvido fora dos grandes centros tradicionais do país.
“O Maranhão vem demonstrando evolução consistente na área de transplantes, formando equipes qualificadas, consolidando protocolos e oferecendo atendimento avançado à população”, completou.
Para o especialista, a história do paciente filipino também simboliza esperança. Após a cirurgia inédita do dia 6 de março e o período de recuperação, ele recebeu alta na penúltima semana de maio.
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