BRASIL - A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu o alerta sobre o uso de anabolizantes no Brasil. O jovem foi encontrado morto em São Paulo, e a Polícia Civil investiga o caso. Segundo informações divulgadas sobre o atestado de óbito, a causa foi uma cardiomiopatia hipertrófica, doença cardíaca que pode ser agravada por essas substâncias.
O debate ganhou força em meio ao aumento expressivo da venda de testosterona, um dos hormônios mais usados de forma irregular para ganho de massa muscular. De acordo com os dados citados no levantamento, a comercialização legal do produto cresceu 20% de 2024 para 2025 e mais de 700% na comparação com 2018.
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Uso sem indicação médica preocupa especialistas
A testosterona tem indicação médica em situações específicas, como reposição hormonal em pacientes com deficiência comprovada ou perda de massa muscular causada por doenças. O problema, segundo médicos, está no uso sem acompanhamento adequado e com finalidade estética ou esportiva.
Desde 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes para ganho de massa muscular, melhora de desempenho esportivo ou fins estéticos. A norma vale para atletas profissionais e amadores.
Entre os riscos associados ao uso inadequado estão problemas cardiovasculares, alterações hormonais, infertilidade, doenças no fígado, transtornos de comportamento e dependência.
Relatos mostram riscos no fisiculturismo
O uso dessas substâncias é recorrente em parte do meio do fisiculturismo. O treinador e árbitro Bruno Masini relatou que começou a usar esteroides para melhorar a aparência física.
As consequências, segundo ele, foram graves. “Tive um infarto agudo do miocárdio e precisei correr para o hospital para fazer um cateterismo”, afirmou.
Para o CFM, muitos casos não chegam aos conselhos profissionais porque parte do consumo ocorre fora do ambiente médico. O conselheiro federal Bruno Leandro de Souza afirmou que há prescrições e orientações vindas de pessoas sem habilitação, como colegas de academia, treino ou fisiculturismo.
Venda pela internet desafia fiscalização
Mesmo com restrições, anúncios na internet oferecem hormônios sem receita, com compra por mensagem e entrega para várias regiões do país. A prática é ilegal quando envolve produtos sem registro, falsificados ou vendidos sem controle sanitário.
A fiscalização cabe à vigilância sanitária e às forças policiais. A Anvisa afirma que o trabalho é descentralizado, em parceria com vigilâncias estaduais, e que monitora anúncios on-line. No entanto, páginas removidas podem voltar ao ar rapidamente em novos endereços.
Em São Paulo, uma operação policial apreendeu mais de 11 mil produtos irregulares, incluindo testosterona, hormônio de crescimento e outros medicamentos. O caso passou a ser investigado por suspeita de falsificação e venda clandestina.
Entidades pedem mais denúncias e punição
Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o combate ao mercado irregular depende de mais fiscalização, denúncias e punições efetivas.
O endocrinologista Clayton Macedo, diretor da entidade, avalia que as penalidades ainda são pequenas diante do lucro gerado por esse mercado. “Falta denúncia, falta fiscalização e, principalmente, falta punição”, afirmou.
Especialistas reforçam que qualquer tratamento hormonal deve ser feito apenas com indicação médica, exames e acompanhamento. O uso de anabolizantes sem necessidade clínica pode causar danos graves e permanentes à saúde.
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