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Vítor Sardinha
Vítor Sardinha é escritor e tabelião no Maranhão e pós-graduado em Direito. Assina coluna dedicada à reflexão sobre o tempo presente.
Vítor Sardinha

Agora, a Seleção brasileira também tem sotaque maranhense

Pela primeira vez, um maranhense faria parte oficialmente da Seleção Brasileira em um Mundial

Vítor Sardinha

Wesley, jogador nascido em Açailândia (Reprodução)

A notícia correu rápido pelos grupos de WhatsApp, pelas mesas de bar e pelas calçadas ainda movimentadas das cidades do interior: Wesley, nascido em Açailândia, havia sido convocado para a Copa do Mundo de 2026. Pela primeira vez, um maranhense faria parte oficialmente da Seleção Brasileira em um Mundial. 

Muita gente viu só uma convocação. No Maranhão, a notícia teve outro peso. 

Açailândia cresceu cercada pelo barulho dos trens, pela poeira vermelha das estradas e pela rotina dura de quem aprende cedo a trabalhar e insistir. No interior do Maranhão, quase ninguém começa a vida com facilidade. Por isso, quando alguém consegue romper certas barreiras, a sensação se espalha muito além da família ou da cidade. 

Durante décadas, o futebol brasileiro parecia acontecer sempre longe daqui. Os grandes jogadores vinham dos centros mais ricos, dos clubes estruturados, das cidades acostumadas a aparecer na televisão. Enquanto isso, no Maranhão, muitos meninos treinavam em campos irregulares, jogando sob sol forte, improvisando chuteiras e dividindo espaço entre a vontade de vencer e as limitações da realidade. 

Dessa vez, um jogador daqui entrou na lista da Seleção. E isso muda muita coisa! 

Em São Luís, Imperatriz, Bacabal, Presidente Dutra e em tantas outras cidades, haverá menino olhando para a televisão de outro jeito. Talvez porque Wesley carregue algo que vai além do futebol. Ele leva junto o sotaque, os caminhos difíceis e a persistência de um estado que quase sempre precisou lutar para ser lembrado. 

Quando alguém consegue chegar onde ninguém daqui chegou antes, muita gente sente que venceu junto. 

Porque jogador nenhum atravessa sozinho um caminho assim. Existe família por trás, treinador de bairro, viagem cansativa, dificuldade financeira e uma quantidade enorme de dias em que continuar parecia improvável. 

Talvez por isso tanta gente tenha comemorado como se a convocação fosse um pouco de todos nós. 

A Copa do Mundo ainda nem começou. Wesley ainda vai entrar em campo, ouvir o hino e carregar a pressão que acompanha qualquer camisa da Seleção. Mas, para o Maranhão, alguma coisa importante já aconteceu. 

A partir de agora, muitos meninos daqui vão olhar para aquele uniforme amarelo sem achar que ele pertence apenas aos outros.


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