SÃO LUÍS - O caso da patroa que agrediu doméstica no Maranhão ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (6), após a Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA solicitar a prisão preventiva da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. A mulher é investigada por tortura e violência contra uma empregada doméstica de 19 anos, que estava grávida no momento das agressões.
O crime ocorreu no dia 17 de abril, na residência onde a vítima trabalhava, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. A gravidade da situação e os detalhes revelados pelas investigações têm gerado forte repercussão no estado.
Relatório aponta tortura física e psicológica
Segundo a OAB-MA, a patroa que agrediu doméstica submeteu a vítima a uma série de agressões após acusá-la de furtar um anel. Mesmo com a negativa da jovem, as violências começaram e se prolongaram por cerca de uma hora.
Entre os atos descritos no relatório estão:
- Socos, tapas e murros repetidos
- Puxões de cabelo e queda ao chão
- Ameaças com arma de fogo
- Colocação da arma na boca da vítima
- Intimidação psicológica constante
Mesmo após o anel ter sido encontrado dentro da própria casa, as agressões continuaram, o que reforça a caracterização de tortura, segundo a entidade.
Vítima grávida tentou proteger o bebê durante agressões
A jovem relatou que, durante o ataque, tentou proteger a barriga o tempo todo. Na época, ela estava com cerca de cinco a seis meses de gestação.
De acordo com o depoimento, a patroa que agrediu doméstica não demonstrou preocupação com o estado da vítima, que sofreu diversos hematomas pelo corpo e segue em recuperação emocional semanas após o ocorrido.
O caso é considerado ainda mais grave devido à vulnerabilidade da vítima.
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Áudios fortalecem investigação policial
As investigações ganharam força após a divulgação de áudios atribuídos à própria empresária. O material foi obtido pela TV Mirante e já faz parte do inquérito conduzido pela Polícia Civil.
Nas gravações, a patroa que agrediu doméstica descreve as agressões e chega a afirmar que a vítima “não era para ter saído viva”. O conteúdo também aponta a participação de um segundo suspeito, que teria ajudado na ação violenta e estava armado.
Diante disso, a OAB-MA solicitou:
- Prisão preventiva da investigada
- Inclusão das provas no inquérito
- Identificação do possível comparsa
- Apuração de omissão por parte de policiais
Crime é classificado como tortura agravada
Para a OAB, a conduta da patroa que agrediu doméstica se enquadra como tortura agravada, considerando fatores como:
- Violência prolongada
- Sofrimento físico e psicológico
- Uso de arma para intimidação
- Condição de gestante da vítima
Além disso, o caso também envolve crimes de lesão corporal, ameaça e calúnia.
A entidade destacou ainda o risco de reincidência, o que reforça o pedido de prisão preventiva.
Histórico criminal preocupa autoridades
Outro fator relevante é o histórico da investigada. Conforme o relatório, a patroa que agrediu doméstica possui diversos antecedentes, incluindo:
- Condenação por furto qualificado
- Condenação por calúnia contra funcionárias
- Registros de violência doméstica
- Múltiplos processos judiciais
Segundo a OAB-MA, esse histórico evidencia comportamento recorrente e potencial periculosidade.
Policiais são afastados após suspeita de omissão
O caso também envolve possíveis falhas na atuação policial. Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados das funções.
Áudios indicam que a patroa que agrediu doméstica teria sido beneficiada por conhecer um dos agentes, o que pode ter impedido sua condução imediata à delegacia.
A Polícia Civil investiga a situação.
Caso segue sob investigação no Maranhão
A investigação está sob responsabilidade da 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Até o momento, a empresária não foi presa nem indiciada.
O que diz a empresária sobre agressão contra doméstica
"Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito.
Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal.
Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal.
Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos.
Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual.
Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça.
Paço do Lumiar - MA, 05 de maio de 2026.
Carolina Sthela Ferreira dos Anjos"
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