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Por que o preço baixo de uma autopeça quase sempre esconde algo

Peça barata não é necessariamente peça ruim. Mas peça sem procedência comprovada seja no Brasil ou na Europa continua sendo um risco que nenhuma economia justifica.

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Atualizada em 04/05/2026 às 18h19
Por que o preço baixo de uma autopeça quase sempre esconde algo. (Reprodução)

Motoristas brasileiros enfrentam repetidamente a mesma escolha: pagar mais pela peça original ou arriscar com uma opção barata de procedência duvidosa. O que poucos sabem é que existe uma terceira categoria e desconhecê-la pode custar muito mais do que qualquer economia inicial.

Três categorias que todo motorista deveria conhecer

No mercado de reposição automotiva, nem toda peça barata é falsificada. A Anfape (Associação Nacional dos Fabricantes de Autopeças) define com clareza a diferença entre elas.

Peças originais são produzidas pelos mesmos fornecedores das montadoras. As similares vêm de fabricantes independentes, com marca própria, certificação e garantia são legais e reconhecidas pelo mercado. Já as falsificadas são cópias ilegais, sem testes, sem garantia e sem procedência comprovada.

A confusão entre "similar" e "falsificada" é o erro mais comum nas compras online. E esse erro, em geral, sai caro.

Quando o preço já é, por si só, um sinal de alerta

Alexandru Lazariuc, especialista em seleção de autopeças, usa uma regra simples para identificar o problema antes mesmo de comprar:

"O indicador mais claro: se uma peça custa 100€ no mercado e alguém oferece por 20€ em 99% dos casos é falsificada. Milagres não acontecem neste setor. Comprar uma falsa 'vantajosa' sempre resulta em grandes gastos com reparos e risco de perda de garantia."

Os dados brasileiros confirmam essa lógica. Segundo a ABCF (Associação Brasileira de Combate à Falsificação), em 2024 foram realizadas 258 operações contra o comércio de peças irregulares. O setor automotivo ocupa uma das primeiras posições no ranking das falsificações atrás apenas da indústria do tabaco.

O mercado online cresce e a substituição silenciosa de marcas cresce junto

Segundo a Market Research Future, o mercado brasileiro de autopeças cresce cerca de 6% ao ano e deve dobrar de tamanho até 2035. As vendas online já representam aproximadamente 25% do total e essa fatia continua aumentando.

Com o crescimento, agrava-se um problema específico: a substituição de marca sem aviso. O cliente pede uma peça, recebe outra sem explicação, sem consentimento. Isso acontece em plataformas do mundo inteiro: quando o item solicitado está em falta, o sistema substitui automaticamente por um similar sem notificar o comprador.

A diferença está em como cada empresa lida com isso. Por declaração própria, a AUTODOC distribuidora europeia de autopeças afirma trabalhar exclusivamente com fornecedores e distribuidores oficiais, fornecendo certificado de autenticidade para cada item. Qualquer substituição de marca ocorre apenas após consentimento explícito do
cliente. Em caso de erro do fornecedor, a troca é imediata.

A AUTODOC também comercializa peças sob as marcas próprias RIDEX e goCORE. Ambas são voltadas ao segmento profissional e passam por controle de qualidade interno seus produtos não ficam atrás das marcas conhecidas em termos de desempenho e, em algumas categorias, apresentam vida útil equivalente. Quando uma posição está
indisponível, essas marcas podem ser oferecidas como alternativa mas sempre com aprovação prévia do comprador.

O que verificar antes de confirmar o pedido e quem responde quando algo falha Evgheni Colun, especialista em reputação e atendimento ao cliente na AUTODOC, resume o ponto central:

"Os clientes não distinguem departamentos nem processos internos. Para eles, a experiência é uma interação contínua. Quando algo falha, a responsabilidade é de todos mesmo que a causa esteja em outro lugar."

Independentemente da plataforma, alguns cuidados reduzem o risco consideravelmente: confirmar por escrito se substituição de marca é possível e em quais condições; verificar o número de série da peça ao receber; fotografar a embalagem antes de abrir; e checar se existe política clara de devolução.

Peça barata não é necessariamente peça ruim. Mas peça sem procedência comprovada seja no Brasil ou na Europa continua sendo um risco que nenhuma economia justifica. 

Fontes: Anfape (Associação Nacional dos Fabricantes de Autopeças), ABCF (Associação Brasileira de Combate à Falsificação), Market Research Future- Relatório do mercado brasileiro de autopeças 2025–2035, declarações públicas de Alexandru Lazariuc e Evgheni Colun via LinkedIn.

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