O endividamento do brasileiro
O altíssimo nível de endividamento das famílias brasileiras.
O Cenário atual da economia brasileira vem trazendo um ponto que cada vez mais machuca pessoas e as empresas, envolvendo até aspectos psicológicos, o altíssimo nível de endividamento, calculado por instituições de crédito em cerca de 80% das famílias.
Porque o Brasil tem juros tão altos, alguns pontos de um problema complexo que merece atenção. A análise identifica que as taxas elevadas não são apenas uma escolha política, mas o resultado de diversos fatores estruturais profundamente enraizados na economia brasileira:
Baixa Poupança Nacional: Ao contrário de países asiáticos, o Brasil poupa pouco. Com menos recursos disponíveis, a oferta de crédito é reduzida, elevando o preço do dinheiro. Seja porque temos uma renda baixa, seja porque não temos o hábito de poupar, seja porque camadas da sociedade como funcionários públicos tem renda elevada e certeza de receber todo mês, o povo brasileiro raramente faz uma reserva para o imprevisto.
Punição ao "Bom Pagador": O sistema brasileiro não estimula quem paga em dia. Pelo contrário, historicamente o país "premia o mau pagador" com renegociações facilitadas, o que aumenta o risco bancário e faz com que os bons pagadores arquem com o custo da inadimplência alheia. Haja vista os “Refis” serem quase anuais, quem tem dívida em atraso já sabe que terá algum benefício para não pagar toda a dívida.
Concentração Bancária: A baixa concorrência entre as instituições financeiras permite a manutenção de spreads (diferença entre o que o banco paga para captar e o que cobra para emprestar) elevados. Apesar do que o senso comum pensa, bancos são um negócio muito perigoso, cerca de 200 bancos sofreram intervenção, liquidação ou quebraram desde 1994 quando houve o plano Real. Hoje com bancos digitais e cooperativas de crédito, voltamos a ter vários “Players” no setor.
Déficit Nominal Elevado: Com o governo operando com déficit nominal próximo a 8,5% do PIB (Boletim Focus/Bacen), a poupança que já é escassa acaba sendo drenada para financiar o setor público, encarecendo ainda mais o crédito para o setor privado. A dívida pública para piorar sobe pela taxa Selic, hoje em 14,75%, há um componente explosivo ai pelo peso dos juros compostos.
Outro ponto a destacar é o fenômeno do "Crédito Direcionado". Um dos pontos mais críticos levantados é o volume de crédito que não responde à taxa Selic. Cerca de 40% do crédito no Brasil é direcionado (BNDES, agronegócio, habitação). Isso significa que, quando o Banco Central sobe os juros, ele só impacta plenamente 60% do mercado. Ocorre que para obter o efeito desejado na inflação, o Banco Central é obrigado a subir os juros com muito mais força nos 60% restantes para compensar a parcela "blindada".
Existe uma "cultura de ciranda financeira" que remete ao período da hiperinflação, apesar dos quase 40 anos do plano real, ainda persiste algum nível de indexação nos preços que carrega no futuro a inflação passada. Antigamente, varejistas lucravam mais com o rendimento financeiro (overnight) do que com a venda de produtos. Quando a inflação acabou, muitos quebraram por não saber operar na economia real.
Hoje, o sistema financeiro se viciou na estrutura de juros altos e garantias baixas, criando uma resistência cultural à queda estrutural das taxas. O governo através da rolagem da dívida pública a exorbitante Selic de 14,75%, drena enorme fatia da poupança disponível, inclusive recebendo aplicações externas lucrando com taxa tão alta.
E “last but not least”, Explosão da Inadimplência. Dados da Fecomércio e do Serasa são assustadores. Os números apresentados mostram uma deterioração acelerada da saúde financeira das famílias brasileiras. Em fevereiro de 2026, o Brasil atingiu a marca impressionante de 81,7 milhões de inadimplentes. O salto foi de 74 milhões (jan/25) para 81,7 milhões em apenas 14 meses, indicando uma tendência de alta contínua e sem sinais de reversão.
A inadimplência não se restringe a empréstimos bancários, mas engloba contas essenciais como luz, água e despesas de consumo geral. Isso afeta, como já disse, a saúde mental das pessoas, dever é uma prisão que limita a felicidade das pessoas. O volume de empresas inadimplentes também é recorde, não conseguem gerar caixa para pagar seus deveres e tocar sua atividade.
A conclusão de dados tão sinistros é que para o Brasil reduzir os juros de forma sustentável, não basta apenas baixar a Selic "na canetada". A pauta sugere que o país precisa enfrentar:
1. O aumento da poupança interna.
2. A redução do déficit nominal do governo voltando a gerar superávits.
3. A revisão da política de crédito direcionado, sem setores privilegiados.
4. Mecanismos reais de proteção e benefício ao bom pagador para reduzir o risco sistêmico.
5. Redução da carga de impostos de modo a permitir as empresas terem lucro e gerarem caixa.
São enormes desafios ao próximo presidente a ser eleito esse ano, sem o enfrentamento deles, nossa economia continuará definhando pouco a pouco em taxas de crescimento pífias que não elevam a renda das pessoas.
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