COLUNA
Vítor Sardinha
Vítor Sardinha é escritor e tabelião no Maranhão e pós-graduado em Direito. Assina coluna dedicada à reflexão sobre o tempo presente.
Vítor Sardinha

Há aniversários que pertencem a uma pessoa. Outros parecem pertencer a um lugar inteiro.

Enquanto houver alguém disposto a recordar, o tempo não será apenas passagem.

Vítor Sardinha

Quando José Sarney completa 96 anos, não é apenas um número que se anuncia. É como se uma
parte da história resolvesse se fazer presente de novo, ocupando espaço nas conversas, nas
lembranças e até nos silêncios que o tempo costuma deixar espalhados pelas ruas.


No Maranhão, onde o passado caminha ao lado do presente sem pedir licença, datas assim ganham
um peso diferente. Não são apenas celebrações. São convites à memória.


Os 96 anos merecem todas homenagens, de reconhecimento, de um homem que ajudou a atravessar
um país por um momento delicado, quando a democracia ainda era uma palavra em construção.
Mas por trás das palavras oficiais existe algo mais íntimo, quase invisível. Existe o olhar de quem
acompanhou de longe, de quem ouviu pelo rádio, de quem cresceu ouvindo falar.


Há sempre alguém que lembra do dia em que ouviu seu nome pela primeira vez. Alguém que
associa sua trajetória a um período difícil ou esperançoso. Alguém que guarda opiniões firmes.
Outros guardam apenas a sensação de que ele sempre esteve ali, como certas paisagens que não
mudam, mesmo quando tudo ao redor se transforma.


Talvez seja isso que o tempo faz com algumas figuras públicas. Ele as retira do instante e as espalha
na memória coletiva, onde passam a existir de muitos jeitos ao mesmo tempo.


Lembrar de José, é também recordar de amizade. Não apenas da política, mas da convivência, da
lealdade construída ao longo de décadas. Esse detalhe, quase discreto, revela algo que às vezes se
perde quando se fala de poder . Antes de qualquer cargo, existe o homem que senta à mesa, que
escuta, que compartilha a experiência e sabedoria de quem conduziu nosso país nos momentos
mais difíceis.


E essa dimensão humana talvez seja a mais difícil de enxergar de longe.


Noventa e seis anos são mais do que uma trajetória. São uma coleção de momentos que não cabem
todos em palavras. São escolhas, acertos, erros, encontros e despedidas que, de alguma forma,
também tocaram outras vidas.


E enquanto houver alguém disposto a recordar , o tempo não será apenas passagem. Será também permanência. Parabéns, Seu José, eternamente no coração dos brasileiros e brasileiras!


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