SÃO LUÍS - Cerca de 44% das residências no Maranhão utilizam lenha para preparar alimentos, mesmo com o gás de botijão presente em quase todas as casas do estado. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A alta nos preços do gás de cozinha é um dos fatores que mais influenciam o uso da lenha para preparar alimentos. Ela surge como uma alternativa muito mais barata para a população de baixa renda. Outro motivo é a grande população rural no estado, que tem cerca de 26,4% de maranhenses morando nessas áreas e que ainda usam lenha como combustível diariamente.
Entretanto, os dados precisam ser interpretados com cuidado. O tecnologista da informação José Reinaldo Ribeiro, do IBGE, afirma que as famílias podem declarar mais de uma fonte de energia, ou seja, muitas utilizam gás, lenha e carvão vegetal na preparação dos alimentos.
Cultura também influencia o uso da lenha para cozinhar
O tecnologista ainda conta que a questão financeira não é a única que influencia o uso da lenha, e que questões culturais também entram em ação. “É também uma questão de costume. Como no caso do Rio Grande do Sul, a gente também come muitas coisas assadas”, revela.
Apesar disso, o acesso ao gás é amplo. O Maranhão tem o oitavo maior percentual do país em uso de botijão, com 96% das casas o usando no preparo dos alimentos. Um dado curioso é que São Paulo aparece em último lugar nesse ranking, com menos de 80% das residências do estado que utilizam gás de cozinha. Isso é explicado pela infraestrutura de gás encanado, mais presente nesse Estado.
Pesquisa analisou 4 mil residências por mês em 197 cidades
Vendo a série histórica do uso de lenha ou carvão aqui no Maranhão, entre 2016 e 2023 o percentual ficou acima dos 45%. Segundo a análise de José Reinaldo Ribeiro, a diminuição desses números está ligada à construção de políticas públicas e à queda no desemprego, que ampliam o acesso ao gás de cozinha
Os dados foram coletados em cerca de 4 mil domicílios por mês, totalizando 12 mil por trimestre, distribuídos em 197 municípios maranhenses. O cenário revela que o uso da lenha no estado está ligado a uma combinação de fatores, como custo, acesso e tradição, e não apenas à falta de alternativas.
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