SÃO LUÍS - A Justiça do Maranhão determinou, na noite de sexta-feira (10), que a empresa de ônibus Expresso Rei de França, integrante do Consórcio Via SL, realize o pagamento direto dos salários de 110 trabalhadores que ainda não receberam os valores referentes a janeiro de 2026.
A decisão foi assinada pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Ilha, e abrange motoristas, cobradores, mecânicos, porteiros e funcionários administrativos que atuam no sistema de transporte coletivo de São Luís.
Em audiência realizada no dia 7, a Justiça já havia definido que os repasses não fossem feitos às empresas, mas diretamente aos trabalhadores, como forma de garantir o pagamento e evitar desvios.
Com a nova determinação, o consórcio teve 24 horas para entregar a lista completa dos funcionários, com os respectivos valores devidos e dados bancários. O documento, no entanto, só foi encaminhado à Justiça na tarde de sexta-feira (10).
As investigações apontam a possível existência de um sócio oculto na empresa, que utilizaria intermediários na composição societária. A decisão também restringe o uso de recursos do sistema de transporte, proibindo que valores de passagens, vale-transporte e passe escolar sejam usados para quitar dívidas bancárias.
O juiz ainda autorizou a liberação de valores que estavam bloqueados em conta judicial. Uma nova audiência foi marcada para terça-feira (14), às 10h30, com participação do Ministério Público, da prefeitura de São Luís, dos consórcios, do sindicato e demais envolvidos.
Expresso Rei de França é investigada por possíveis irregularidades financeiras
A Expresso Rei de França é investigada por possíveis irregularidades financeiras. Relatórios obtidos pela TV Mirante mostram movimentações como pagamentos de aluguel e cartão de crédito no mesmo dia em que a empresa recebeu recursos de subsídios públicos.
Os documentos indicam ainda que Willame Alves dos Santos, que consta como beneficiário do Bolsa Família até janeiro deste ano, é o administrador registrado da empresa na Receita Federal.
Ele teria recebido todas as cotas da empresa, avaliadas em R$ 3 milhões, de Débora Piorski Ferreira, ex-proprietária do negócio. Débora é filha de Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, apontado como o verdadeiro dono por um gerente da própria empresa.
A relação entre os envolvidos será investigada pela polícia, já que a suposta existência de sócio oculto pode configurar crime. O juiz também determinou a abertura de inquérito policial para apurar as possíveis irregularidades.
Pedro Paulo também ocupa cargo de direção na Unamgem, uma empresa de extração mineral avaliada em R$ 136 milhões, e é sócio-administrador da Goldcoltan Minerais Limitada, que atua no mesmo setor.
Ele está envolvido em um processo de recuperação judicial desde novembro do ano passado, período em que teve início uma crise no transporte público de São Luís, com envolvimento do consórcio Via SL, onde estão incluídas as empresas Expresso Rei de França e Grapiúna.
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