SÃO LUÍS – O presidente da Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB), Adriano Sarney, explicou em entrevista à TV Mirante que os ônibus semiurbanos já voltaram a circular na Grande Ilha, mas o transporte urbano de São Luís segue paralisado por depender de negociação direta da Prefeitura com empresários e sindicatos.
Segundo ele, o sistema semiurbano, de responsabilidade do Governo do Estado, atende municípios como São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, enquanto o sistema urbano é administrado pela Prefeitura de São Luís.
Diferença entre sistema semiurbano e urbano
Durante a entrevista, Adriano Sarney afirmou que o semiurbano funciona por meio de convênio com municípios que não têm frota própria.
“O sistema semiurbano, que é de responsabilidade do Governo do Estado, é um convênio com os municípios que não têm condições de terem ônibus próprios”, explicou.
Ele destacou que o Estado opera cerca de 350 ônibus, o que representa aproximadamente 30% de todos os veículos que circulam na Grande Ilha. Os outros 70%, segundo ele, pertencem ao sistema urbano de São Luís.
Mesmo sindicato e empresas, mas negociações diferentes
Adriano Sarney afirmou que, apesar de as empresas de ônibus e o sindicato de trabalhadores serem os mesmos nos dois sistemas, a negociação sobre subsídios e acordos depende de quem é responsável por cada parte do transporte.
De acordo com ele:
- o Governo do Estado negocia o semiurbano e mantém a tarifa em R$ 4,20
- a Prefeitura de São Luís negocia o sistema urbano
Para o presidente da MOB, o retorno do semiurbano ocorreu porque o Estado participou de todas as negociações.
“O Governo do Estado nunca se omitiu, ele sempre sentou à mesa com todos os sindicatos”, afirmou.
Terminais de Integração seguem sem operação completa
O presidente da MOB explicou ainda por que os ônibus semiurbanos não estão entrando nos Terminais de Integração em São Luís.
Segundo ele, o modelo depende da troca de veículos dentro dos terminais, com o passageiro fazendo conexão entre ônibus semiurbano e urbano.
“O cidadão que sai de Ribamar, por exemplo, pega um ônibus semiurbano do Governo do Estado e chega a São Luís até um Terminal de Integração. Dentro desse Terminal, ele vai fazer a troca para um ônibus urbano”, explicou.
No entanto, como os ônibus urbanos continuam parados, a integração não ocorre.
“Se os ônibus semiurbanos entrarem dentro do Terminal, os passageiros não têm para onde ir, porque os ônibus de São Luís estão parados”, declarou.
Problemas em bairros de São José de Ribamar
Durante a entrevista, foi levantada a situação de bairros como Parque Vitória, Parque Jair, Alto Turu e Jardim Turu, em São José de Ribamar, que enfrentavam dificuldades no atendimento.
Adriano Sarney afirmou que o caso envolve a empresa Mil e Um, que já apresentava problemas antes mesmo da greve.
Segundo ele, a paralisação afetou tanto o urbano quanto o semiurbano, já que as empresas operam em sistemas interligados.
Ele informou que o governo está dialogando com outras empresas para suprir a demanda e que, na manhã desta terça-feira, 14 ônibus já estavam atendendo a região.
Subsídio e custo real do transporte
Questionado sobre o subsídio pago pelo poder público às empresas, Adriano Sarney disse que o sistema precisa de equilíbrio financeiro para continuar operando.
De acordo com ele, técnicos da MOB estimaram que o custo atual é de R$ 5,45 por passageiro, enquanto a tarifa cobrada é de R$ 4,20.
“O governo do Estado quer manter, não quer aumentar, já estamos aí há anos e não aumentamos a tarifa e não vamos aumentar de forma alguma, mas essa diferença tem que ser paga por alguém”, afirmou.
Ele disse ainda que o governo negocia aportes, mas também exige melhorias, como ônibus novos e serviço mais eficiente.
Debate sobre outros tipos de transporte na Grande Ilha
Ao final da entrevista, Adriano Sarney defendeu que os municípios da Grande Ilha discutam a implantação de novas modalidades de transporte e a metropolização do sistema.
Segundo ele, o Governo do Estado está aberto ao diálogo, mas reforçou que a responsabilidade do transporte público é das prefeituras.
“Precisa sentar os municípios da Grande Ilha para conversar esses modais”, declarou.
Adriano Sarney afirmou que o governo segue à disposição para discutir soluções integradas, mas destacou que a retomada completa do transporte depende do retorno do sistema urbano de São Luís.
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