Crise no transporte

Greve na 1001: especialista defende alternativas ao ônibus em São Luís

Ampliação das opções ajudaria a minimizar crises como a enfrentada atualmente, marcada por greves frequentes, segundo doutora em Transportes.

Imirante, com informações da TV Mirante

Atualizada em 27/01/2026 às 06h53
Especialista aponta novos modais como saída para crises no transporte. (Foto: Juvêncio Martins/TV Mirante)

SÃO LUÍS – Chegou ao quarto dia a greve na empresa de transporte coletivo Expresso Rei de França, ou 1001. A doutora em Transportes Zuleide Feitosa avaliou que a crise atual evidencia a necessidade de investimentos em outros modais além dos ônibus. Segundo ela, a diversificação do sistema ajudaria a reduzir os prejuízos para a população durante paralisações recorrentes.

Falhas do poder público e das empresas de transporte

De acordo com a especialista, o cenário atual é resultado de falhas tanto do poder público quanto das empresas concessionárias. Ela afirma que problemas no repasse de subsídios e na oferta do serviço revelam dificuldades da gestão pública em lidar com os desafios do setor de transportes.

Especialista reacende discussão sobre BRTs e VLTs

Zuleide destaca que alternativas como BRTs e VLTs poderiam ser implantadas para fortalecer o transporte coletivo na capital. Para ela, a ampliação das opções ajudaria a minimizar crises como a enfrentada atualmente, marcada por greves frequentes e instabilidade no serviço.

“A gestão pública falhando no repasse do subsídio, o concessionário falhando na oferta de serviço. Esse conflito por si mesmo já estabelece que a gestão pública está com muitas deficiências para gerir os problemas que ela tem, inclusive de transportes. Além do ônibus, nós temos os BRTs e VLTs, que podem ser implantados para servir ao transporte coletivo. Isso por si mesmo já evitaria muitas crises dentro desse processo em que está vivendo São Luís com os vais e vens de greves”, afirma.

4º dia de paralisação na 1001

A paralisação entrou no 4º dia nesta terça-feira (27). Motoristas da empresa Expresso Rei de França (antiga 1001) voltaram a paralisar totalmente a frota de ônibus na manhã dessa segunda-feira (26). Uma parte da frota chegou a sair da garagem no início da manhã dessa segunda, mas os veículos interromperam a circulação e retornaram à empresa, deixando novamente os usuários sem atendimento. Com isso, a frota da 1001 encontra-se totalmente paralisada.

A paralisação envolve trabalhadores da empresa 1001, que cobram o pagamento de salários, décimo terceiro, tíquete-alimentação e férias. A greve afeta usuários de cerca de 15 bairros, que dependem do transporte público para se deslocar diariamente na cidade.

Até o momento, não houve posicionamento oficial da empresa 1001 sobre a previsão de quitação dos débitos trabalhistas ou sobre medidas para normalizar a operação das linhas.

Veja os bairros afetados pela greve da 1001

1. Ribeira
2. Viola Kiola
3. Vila Itamar
4. Tibiri
5. Cohatrac
6. Parque Jair
7. Parque Vitória
8. Alto do Turu
9. Vila Lobão
10. Vila Isabel Cafeteira
11. Vila Esperança
12. Pedra Caída
13. Recanto Verde
14. Forquilha
15. Ipem Turu

O que diz a MOB sobre a greve da 1001

"A Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) acompanha a paralisação dos rodoviários da empresa 1001 e esclarece que o subsídio estadual está sendo pago regularmente, dentro dos prazos estabelecidos.

A Agência ressalta que as relações trabalhistas e os repasses aos funcionários são de responsabilidade das empresas operadoras, conforme previsto nos contratos de concessão.

No mais, a MOB segue em diálogo com rodoviários e empresários, adotando, dentro de suas competências legais, as medidas cabíveis para contribuir para a resolução da situação".

O que diz o SET sobre a greve da 1001

"O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) informa que não foi comunicado oficialmente sobre a decisão de paralisação dos trabalhadores da empresa 1001, ocorrida na manhã deste sábado, dia 24.

A ausência de tal comunicado, pelo STTREMA, por si só, já torna o movimento ilegal e abusivo.
O Município de São Luís, ao ter pago o subsídio somente agora, viola ao acordo homologado na Justiça do Trabalho, no qual o vencimento foi pactuado ao 4º dia útil.

Ao ter aplicado descontos ao subsídio, o Ente Municipal agride novamente a decisões judiciais que as vedam, dificultando a pontualidade de obrigações trabalhistas pelas empresas. 

A direção do SET intercederá e mediará o conflito, reforçando seu compromisso com o diálogo e com a continuidade do serviço de transporte à população".

Últimas greves na 1001

Esta é a terceira paralisação de rodoviários da 1001 em menos de 3 meses. A primeira aconteceu no dia 14 de novembro de 2025. A mobilização ocorreu, também, por causa de salários atrasados, além da falta de pagamento do plano de saúde, tíquete-alimentação e outros benefícios. A greve da 1001 só chegou ao fim 12 dias depois.

Na véspera de Natal de 2025, houve outra greve da 1001 e, mais uma vez, por falta de pagamento de salários e benefícios. Esta segunda greve foi encerrada cinco dias depois.

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