Análise

PT do Maranhão faz encenação sobre candidatura própria ao governo

Ao fazer reunião fora do calendário de táticas eleitorais do partido, petistas palacianos forçam a barra para viabilizar Felipe Camarão para as eleições de 2022

Carla Lima/Editora de Política

Atualizada em 26/03/2022 às 19h12
Lançamento de pré-campanha de Felipe Camarão ocorreu após reunirão do PT fora do calendário de táticas eleitorais do partido (Divulgação)

A organização interna do Partido dos Trabalhadores (PT) será foi diferente da maioria da estrutura de outros partidos. Para eleição de presidente há uma longa eleição. Para escolha de candidatos para prefeito, governador, senador e presidente da República, há campanha e eleição. Até para escolher a estratégia eleitoral a cada dois anos, há eleição.

E o processo não é simples. Tem eleição para escolha de delegados e estes delegados é que votarão nas teses eleitorais apresentadas. Enfim, este é o modo considerado democrático pelos petistas para a organização do partido.

Mesmo com todo este esquema bem conhecido, parte da executiva do PT no Maranhão decidiu inovar quebrando as regras da legenda. Petistas ligados ao governo Flávio Dino se reuniram e criaram um encontro da Executiva Estadual para fazer uma votação sobre a pré-candidatura de Felipe Camarão, secretário de Educação e também em relação a pré-candidatura do sociólogo Paulo Romão ao Senado.

Como o movimento veio de petistas palacianos, Felipe Camarão obteve votos a favor e contra. Chama atenção o placar, já que Camarão mais de uma vez disse ter maioria dentro da direção estadual do PT.

Ganhou por dois votos somente e ainda com votos de petistas que já declararam apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão. Este fato, por sinal, pode ser considerado bem estranho: afinal, os petistas estão enganando Camarão ou Carlos Brandão está sendo o enganado nesta história?

Os palacianos dizem ser uma estratégia.

Mas voltando a votação da reunião fora do calendário eleitoral do PT, a executiva estadual decidiu não dar legenda para Paulo Romão disputar a vaga de senador.

O fato é que nem a permissão para Felipe Camarão e nem a proibição para Romão são válidas. O processo da tática eleitoral do PT ainda não aconteceu.

O que acontece no Maranhão, na verdade, é uma forçação de barra com o nome do secretário de Educação tentando passar a ideia de que o PT o quer.

Podem até querer os petistas ligados ao governo de Flávio Dino, mas o que importa mesmo – e Felipe Camarão sabe disto – é a direção nacional do partido querer. Sem a anuência nacional, os movimentos no Maranhão são encenação somente.

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