SÃO LUÍS - Depois do acidente de 2003, o Brasil reiniciou suas operações aeroespaciais em 2008 com operações de pequeno e médio porte que podem ser realizadas em uma plataforma menor. Essas atividades obedeceram a uma sequência de lançamentos de foguetes de treinamento, nos níveis básicos, intermediários e avançados. Essas atividades, além de testar outros foguetes desenvolvidos pelo Brasil, servem para testar todos os equipamentos de monitoramento e rastreamento aeroespacial, além de estabelecer uma rotina de preparação das equipes para atividades de grande porte. Para este ano, estão previstos sete lançamentos; alguns já ocorreram, e os resultados foram considerados satisfatórios.
Além da rotina de lançamentos, após o acidente, todo o sistema operacional do CLA passou por uma profunda mudança na substituição de todos os itens relacionados às atividades espaciais. Dos sistemas que foram modernizados, destaca-se o setor de radar completamente reestruturado com a aquisição de peças internas dos sistemas de radares. As mudanças foram necessárias para permitir que o equipamento, apesar de antigo, possa acompanhar todos os níveis da trajetória do foguete. Na Sala de Controle, onde acontece o acompanhamento de todas as etapas de uma operação de lançamento, bem como segurança de voo, telemedidas e localização, houve uma substituição de todos os sistemas analógicos para o digital. Toda a comunicação de dados é feita por fibra ótica para evitar interferências. Em 2010, foi lançado um foguete VSB-30, transportando carga útil composta por experimentos científicos de universidades brasileiras. Da Sala de Controle, foi possível acompanhar a parte interna do foguete, com uma câmera colocada dentro da carga.
Modernização - A estrutura atual do centro de lançamento como um todo já permite que o CLA seja considerado um dos centros mais importantes do mundo, e o Maranhão tem ainda a vantagem da posição geográfica, a 2° da Linha do Equador, fator que permite lançamentos mais precisos com uma economia de 30% de combustível. Além da modernização dos sistemas, o Centro de Lançamento adquiriu novos equipamentos. Em 2011, a grande aquisição foi o Perfilador de Ventos, uma tecnologia nova que mudou a dinâmica de avaliação dos ventos verticais e já está sendo utilizada na segurança de voo, pois permite um alcance mais preciso para avaliar a direção e velocidades dos ventos. A avaliação era feita por meio de balões meteorológicos.
O Perfilador de Ventos é composto por 114 antenas que conseguem obter dados relativos à velocidade dos ventos por ondas eletromagnéticas. Já montado, o sistema poderia inclusive ser utilizado no lançamento de hoje, mas ainda se encontra em fase de testes.
Quadros
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Torre Móvel de Integração
Investimento: R$ 44 milhões
Primeiro lançamento: em 2014
Altura: 30 metros
Família do VLS
O Veículo Lançador de Satélite (VLS) é o foguete que serve de modelo para outros protótipos do Programa Cruzeiro do Sul que se baseia no desenvolvimento de uma família de veículos lançadores com capacidade para atender às missões do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), e missões internacionais para colocação de satélites em órbitas geoestacionárias. O projeto inicial previa a fabricação dos foguetes até 2022, mas, após o acidente com o VLS, em 2003, o programa sofreu atrasos. A principal proposta do programa é tornar a indústria aeroespacial brasileira mais competitiva e, também, atrair para o país novos investidores internacionais.
VLS-Alfa– Concebido para atender ao requisito de transporte de cargas úteis na faixa de 200 kg a 400 kg a órbitas equatoriais baixas. O lançador Alfa seria uma evolução direta do VLS-1. Originalmente, o foguete seria composto por quatro estágios, todos movidos a combustível sólido. O Alfa trocaria os últimos dois estágios sólidos do VLS-1 por um de combustível líquido. O desempenho do veículo, superior ao do VLS-1, permitirá a colocação de satélites de massa de até 500 kg em órbita equatorial de 750 km, ou 200 kg em órbita polar.
VLS-Beta – O veículo deverá ser capaz de atender às missões de transporte de 800 kg para uma órbita de 800 km de altitude. A grande diferença é a utilização do combustível líquido que permitirá ao país maior economia e, também, voos com trajetórias maiores. O veículo lançador Beta tem um motor a propelente sólido como primeiro estágio (P40), um segundo estágio com quatro motores a propelente líquido L75 e por um propulsor a propelente líquido de 7,5 t de empuxo (L75) como estágio superior. O desempenho do veículo VLS-Beta, permitirá a colocação de satélites de massa de até 800 kg em órbita equatorial de 800 km.
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