Investigações

Menor diz que matou idosa sozinha, e acusado já foi solto

A adolescente mudou depoimento durante reconstituição. Carlos Antônio diz que é inocente.

Saulo Maclean/ O Estado

Atualizada em 27/03/2022 às 12h46

SÃO LUÍS - A adolescente de 16 anos acusada de planejar e assassinar, no último domingo (31), a aposentada Edelves Fialho de Oliveira, de 77 anos, mudou seu depoimento à polícia, e Antônio de Oliveira Pimentel, 24 anos, inicialmente identificado como namorado da adolescente, já foi solto nessa sexta-feira (5). Conforme a nova versão da menor, Carlos Antônio não participou do crime. Segundo o delegado Paulo Márcio Tavares da Silva, titular da Delegacia de Homicídios (DH) de São Luís, a nova declaração foi dada enquanto a polícia fazia a reconstituição do crime.

Edelves Fialho de Oliveira foi encontrada morta, no início da manhã de quinta-feira (4), dentro de um balde utilizado para pôr lixo, no apartamento 102 do Edifício Casablanca, onde residia, no bairro Renascença II. Apesar de mudar seu depoimento inicial e assumir sozinha a autoria do crime, a situação da menor não mudou. Ela permanece na Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), na Madre Deus.

“Retornamos ao local do crime e, com uma equipe de peritos, aplicamos luminol - um reagente químico para detectar sangue, para continuar a investigação. No decorrer desse procedimento, a adolescente resolveu dizer que agiu sozinha, e que não conhece Carlos Antônio, até então apresentado por ela mesma como seu namorado. É claro que, para a polícia, isso não significa ser verdade ou mentira, apenas mais uma versão. Nossa obrigação é aguardar o resultado dos laudos”, pontuou Tavares.

Depoimento

O titular da Delegacia de Homicídios revelou, ontem, que tomou depoimento do porteiro e da síndica do prédio onde a aposentada morava e foi brutalmente assassinada com golpes de faca no pescoço. Entretanto, Paulo Márcio Tavares preferiu não adiantar o conteúdo dos relatos das testemunhas, para não comprometer o inquérito policial. “Trata-se de um caso muito delicado, envolvendo uma idosa e uma menor de idade. Por tudo isso, antecipar-se, sem as provas, seria uma irresponsabilidade”, frisou o delegado.

A aposentada Edelves Fialho de Oliveira, de 77 anos, foi encontrada morta, na manhã de quinta-feira, com o corpo já em estado de decomposição. Segundo informações da Polícia Civil, a vítima foi morta com três golpes de faca no pescoço, na manhã do último domingo. Carlos Antônio Pimentel foi apontado pela menor, que há um mês prestava serviços domésticos à anciã, como o executor, no primeiro depoimento.

Soltura

Carlos Antônio Pimentel, que trabalha como pintor, foi solto ainda na madrugada de ontem, após a mudança do depoimento da adolescente, que afirmou ter agido em companhia de um homem identificado apenas como Roberto. Durante a tarde, a equipe de O Estado foi até a casa dele para ouvir a sua versão. Acompanhado do advogado Rodrigo Reis Lima, ele afirmou que foi confundido, e que agora só quer voltar à vida normal.

“A polícia diz que o crime aconteceu domingo pela manhã. Na noite de sábado, eu estava na porta da minha casa, bebendo com a minha única namorada, meu padrinho, e alguns vizinhos. Ficamos juntos até as 2h de domingo, e entramos pra dormir. Só fui acordar às 13h, ou seja, estava o tempo todo na minha casa. Na quinta-feira, peguei minha bicicleta para comprar um maço de cigarros para o meu tio, quando os policiais me abordaram”, contou Carlos, que é conhecido como Neném.

O advogado Rodrigo Lima, também, aproveitou a presença da equipe de reportagem para dizer que soube do caso do pintor, por meio de um amigo, que costuma distribuir cestas básicas naquela comunidade. “Quando soube que Carlos Antônio havia sido apontado como suspeito, desconfiei, e resolvi acompanhar o caso de perto. Ele não foi reconhecido pelos funcionários do prédio e, além disso, não conhecia a adolescente que, mais tarde, resolveu afirmar isso”, acrescentou o advogado.

“Não tenho a intenção de processar ninguém, nem a imprensa, nem o Estado, nem a polícia. A única coisa que quero é poder andar tranquilo nas ruas, sem ser visto como um assassino, coisa que eu não sou. Hoje [ontem] mesmo, pela manhã, peguei um coletivo com meu padrinho, e várias pessoas estavam lendo os jornais. Algumas me olhavam apavoradas, outras com preconceito, quando, na verdade, não merecia nada disso”, disse o pintor, ao lado dos familiares.

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