Suriname

Ataque de quilombolas a brasileiros deixa saldo de mais de 100 desabrigados

Renata Giraldi/AgĂȘncia Brasil

Atualizada em 27/03/2022 Ă s 13h02

BRASÍLIA - HĂĄ 15 dias, brasileiros, chineses e javaneses foram surpreendidos por horas de ataques de quilombolas na cidade de Albina (a 150 quilĂŽmetros de Paramaribo). O saldo do ataque sĂł entre brasileiros deixou mais de 100 homens, mulheres e crianças desalojados, alĂ©m de 25 feridos, 17 mulheres agredidas sexualmente – pelo menos trĂȘs estupradas -, alĂ©m de traumas fĂ­sicos e psicolĂłgicos. Apenas 37 brasileiros, que estavam na madrugada do crime, resolveram voltar ao Brasil.

“Os brasileiros que vĂȘm para o Suriname tĂȘm objetivos bem definidos. Em geral, Ă© trabalhar duro no garimpo e fazer economia. SĂł depois voltar para o Brasil”, afirmou Ă  AgĂȘncia Brasil o embaixador brasileiro em Paramaribo, JosĂ© Luiz Machado e Costa. “Raros nos procuram querendo voltar. O mais frequente Ă© que eles entrem mata adentro meses a fio.”

O diplomata disse ainda que depois do ataque houve uma mudança de comportamento entre vĂĄrios dos cerca de 18 mil brasileiros que vivem no Suriname. Segundo Machado e Costa, aumentou o grau de dependĂȘncia dos brasileiros em relação ao governo, no caso a embaixada. De acordo com ele, Ă© como se a representação diplomĂĄtica fosse a base de segurança para essas pessoas.

“Os que estĂŁo longe de suas casas [a maioria dos desalojados estĂĄ abrigada em hotĂ©is na capital do Suriname] querem voltar, mas ainda temem pelos riscos, embora Albina nĂŁo seja um local de permanĂȘncia dos brasileiros, mas apenas de passagem”, afirmou o embaixador. “Eles [os que estavam na madrugada do ataque] seguem a nossa recomendação de, por enquanto, nĂŁo retornar Ă quela ĂĄrea. É melhor aguardar mais um pouco, segundo as prĂłprias autoridades do Suriname.”

O ataque aos brasileiros virou tema de discussĂ”es polĂ­ticas no Suriname. PolĂ­ticos locais afirmam que depois das agressĂ”es ficarĂĄ impossĂ­vel o convĂ­vio entre brasileiros e quilombolas (os “marrons”, descendentes de escravos). Mas o embaixador rebateu essas afirmaçÔes. “Em outras regiĂ”es do Suriname, o convĂ­vio Ă© tranquilo e sem ameaças. É necessĂĄrio compreender a complexidade deste paĂ­s”..

O Suriname Ă© um paĂ­s com complexa diversidade Ă©tnica e religiosa. Com pouco mais de 470 mil habitantes, o paĂ­s vizinho Ă© apontado por especialistas como receptivo a estrangeiros. HĂĄ descendentes de escravos e dos ex-colonizadores holandeses, alĂ©m de chineses, indianos, javaneses e brasileiros. Os “marrons” vivem isolados e respeitam leis e regras prĂłprias, causando divergĂȘncias constantes com o governo surinamĂȘs.

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